25 de jun de 2007

AQUELE VESTIDO

Há muito ainda o que dizer
Eu sou como o velho vestido
Roçando no corpo
Sentindo-lhe as curvas
Tocando sua pele
No tortuoso inverno
Aqueci tuas mãos
Pois tornei-me luva
Cobri tuas vestes
Quando guarda-chuva
Toquei seus cabelos
Eu fui um chapéu
Protegi o teu rosto
Dos raios do céu
E agora que sou trapo?!
Irei para o lixo
Não me deixe só, dai-me alento
Sou melhor que retalho
Não aceito ser lenço

(Ferina * Karolina B)
Figura: pintura de Joan Bevelaqua

Um comentário:

izil disse...

Infelizmente as pessoas também se tornam trapos velhos, adorei a poesia