18 de ago de 2008

MENTIRA


a mentira
atravessa violenta
a minha ingenuidade indefesa
como a chuva torrencial
rasga as cartas de amor imaginárias
que nunca te escrevi

a mentira
arruinou todo o meu futuro
desenhado num vidro embaciado
a minha alma estava hipotecada
na ilusão de um fado em dó menor
cantado com voz rouca

a mentira
deixou o sonho ganhar asas
e subiu ao céu
e quando lá chegou
do alto do azul infinito
viu a verdade
e então compreendeu
que não sabia voar

a mentira
tem asas de cera
que derretem com o sol

a mentira
me deixa a suspirar pelo passado
com um medo eterno do futuro
sem ti e sem a mentira
a vida afunda-se no fio de uma navalha

Atit Ordep
Ferino num desatino

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