28 de abr de 2008

MORREU


morreu
simplesmente morreu
morreu no olhar indiferente
das manhãs apressadas

morreu
no fingimento dos dias

morreu
no entardecer dos dias
nas lágrimas secas
na revolta contida

morreu
aqui e ali

morreu
em sofrimento
semente de ódio
disfarçado de indiferença

morreu
na secura dos beijos
evaporados no calor do desejo

morreu
numa estação de comboios
que nunca partiam
num cais de ferry-boats
que nunca chegavam

morreu
na mentira
contada mil vezes

morreu
vezes sem conta
cada dia que passava
morreu
na ilusão do amor
embalado em poesia

morreu
assim tão só
como um cão
rejeitado pela canzoada

Atit Ordep

Foto de António Louro (olhares.com)

Um comentário:

izil disse...

Sua poesia está linda, assim como a foto , mais uma vez parabéns
izil