
Os mistérios da noite
me causam arrepios.
São momentos de paixões
e transgressões.
Nos quartos,
nas camas,
nas celas.
Tudo é permitido.
Entre quatro paredes,
não existem pudores.
É nesses momentos
que me transporto,
saio de mim.
Minha alma flutua
para espreitar
amantes noturnos.
Como sombra,
vagueia
por todos os cantos.
Ouço juras de amor,
palavras ardentes.
Acontecem
grandes desonras.
Caem as máscaras.
Ninguém mais é santo.
Os castos e puros
tiram as vestes,
profanam até
imagens santas.
É nesses momentos
que meus arrepios
se transformam
em horrores.
Até os que pregam
virtudes e castidade
livram-se delas,
tornando-se nus.
Ferina Izil
Artesãdaspalavras | izilgallu
foto de Jet
poema criado em 2007