FERAs FERIDAs
POETAS FERIDOS, POSTAGENS FERINAS
11.9.26
FALANDO COM O PAPEL
8.8.26
PALAVRAS OFENSIVAS
malcriadas, ofensivas.
Ando à procura de uma
para te qualificar.
Mas aí, então,
não poderei publicar,
porque algumas palavras
não ficam bem em poemas.
Então, o que farei
é te ignorar.
Penso que pode ser bem ofensivo
fingir que nunca exististe.
Ou, se exististe,
já morreste.
Talvez tenhas morrido mesmo
de rir da minha cara,
só porque um dia te amei,
acreditei no que dizias,
e foi assim que me enganei.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
24.7.26
25.6.26
20.6.26
NINGUÉM ERA INOCENTE
não invento.
Escrevo o real.
Vivi estas realidades
como nos romances
de Nelson Rodrigues.
Podem parecer vulgares,
irreais.
Mas são reais.
Vi paixões culpadas,
secretas.
Cresci num mundo
de outras verdades,
nuas e cruas.
Não vivi
em contos de fadas.
Vivi o lado real,
o lado cruel
da vida.
Ninguém era inocente.
Ninguém era santo.
Na minha história
não há virgens,
príncipes,
ingênuos.
Só há
lobo mau.
Artesãdaspalavras | izilgallu
poema escrito em 09.06.2008
OS MISTÉRIOS DA NOITE
Os mistérios da noite
me causam arrepios.
e transgressões.
nas camas,
nas celas.
não existem pudores.
que me transporto,
amantes noturnos.
vagueia
por todos os cantos.
palavras ardentes.
grandes desonras.
tiram as vestes,
imagens santas.
que meus arrepios
em horrores.
virtudes e castidade
poema criado em 2007
São momentos de paixões
Nos quartos,
Tudo é permitido.
Entre quatro paredes,
É nesses momentos
saio de mim.
Minha alma flutua
para espreitar
Como sombra,
Ouço juras de amor,
Acontecem
Caem as máscaras.
Ninguém mais é santo.
Os castos e puros
profanam até
É nesses momentos
se transformam
Até os que pregam
livram-se delas,
tornando-se nus.
Ferina Izil
Artesãdaspalavras | izilgallu
COVARDEMENTE VIVENDO
PALAVRAS MALDITAS
Por vezes,
me surpreende
com meus pensamentos.
Não sei de onde saem
estas malditas palavras
sem pudor.
Eu as quero afugentar,
mas elas rodeiam
minha mente.
Forçam-me a pensar,
querem me embaraçar,
tentam me fazer escrever
o que nem ouso
imaginar.
Mas estão de castigo,
estas palavras.
Não vão mais sair
de minha mente.
Ferina Izil
Artesãdaspalavras | izilgallu
POEMA CRIADO EM 29.07.2008
ESCAPANDO PELOS DEDOS

Ferinaizil
POESIA CRIA EM 04,08.2008
ANJO QUEBRADO
Um anjo
com as asas quebradas.
Precisava de ajuda.
Precisava de reparos.
Fora machucado
por alguém ingrato
que dele se apoderou
e depois,
ao chão,
o atirou.
Ele, desprevenido,
não pôde voar.
Caiu
e suas asas quebraram.
Agora só me resta
ajudá-lo
a consertar suas asas.
Só assim
ele poderá partir
para bem longe daqui,
longe
da crueldade humana.
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Artesãdaspalavras | izilgallu
CRIADA EM 20.05.2007
UMA VEZ
POEMA DE 28.08.2008
OS FALSOS
Quando amanhece,
e as caras deslavadas
dos falsos aparecem
diante dos espelhos,
algo deveria acontecer
naquele momento.
Um arrependimento qualquer.
Ao se encararem,
deveriam ver
a própria crueldade
estampada.
Mas, se assim fosse,
não haveria mais espelhos.
Os falsos não se julgam.
Acham-se leais.
Mas leais a quem?
Ao diabo?
Que, se existir,
deve carregar
muitas almas falsas,
arrastá-las
em seus infernos particulares,
que um dia terão
de enfrentar.
E então deveriam lamentar
por estarem no inferno
e não poderem usufruir
da falsa vida,
da falsa moral,
da falsa conduta.
Só que nunca
se lamentarão,
pois nada recordam
da verdadeira crueldade
que nos fizeram passar.
Ferina izil
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Artesãdaspalavras | izilgallu
POEMA CRIADO 01.09.2008
AUSÊNCIA
MINHA TRISTEZA
Ferinaizil
CRIADA 7 DE OUTUBRO DE 2008
ESTRANHA NOITE
BASTA DE POUCO AMOR

Chega de meias palavras
Basta de pouco amor
Não quero mais sentimentos mornos
Quero um amor por inteiro
Quero algo quente, ardente.
Um sentimento voraz
Quero algo que me derrube
de quatro, me ame, me devore.
Quero sentir o calor
O quente da paixão
nada de sentimentos mornos.
Nada de meio amor
Quero algo devastador,
que ao meio me rasgue
Quero ser profanada,
Basta de calmaria
Basta de falso amor.
Foto MiguelRita
O BEM QUERER
O bem que queremos
a alguém
é só nosso.
Não pode ser repartido,
compartilhado,
nem explicado.
É egoísta,
fanático,
doido,
alegre,
fantástico.
Não se pode descrever
o quanto queremos
o outro,
porque podemos
perdê-lo.
Queremos tê-lo junto,
perto,
eternamente.
Sabemos ser impossível
tal prazer.
O ser
a ninguém pertence.
É individual.
Mesmo sabendo da dor
de um dia ver
a partida,
queremos sempre
mais perto.
Mesmo dizendo:
“Vá”,
queremos dizer:
“Fique,
por favor.”
Mesmo sorrindo
com as idas,
estamos morrendo
com as partidas.
Somos assim.
Somos pais.
Somos filhos.
Somos humanos
com coração.
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Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferinaizil
CRIADA 12 DE NOVEMBRO 2008
DOR NA CHUVA
torrencialmente
lá fora.
Eu, aqui aquecida,
fico pensando:
quantas criaturas
estão por aí,
no meio da chuva,
sem eira nem beira?
Talvez derramem
tantas lágrimas
quanto as gotas
da chuva que cai.
Com certeza,
seus ossos doem,
seus corpos latejam.
E eu,
aqui em meu canto,
me sentindo
infeliz.
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Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferinaizil
5 DE DEZEMBRO 2008
RESSENTIMENTO
Ferinaizil
MULHER MISTÉRIO
Ela usava
uma saia vermelha.
Tinha os olhos
e os cabelos
tão negros
quanto a noite sem lua.
Ela vinha...
ninguém sabia de onde.
Surgia de repente,
do nada.
Era admirada,
cantada,
exaltada.
Mas, assim como
um vendaval,
ela passava
sem se importar
com nada.
E a todos
atravessava.
E a todos
ignorava.
Simplesmente seguia.
Ia embora
sem deixar rastro.
Só deixava
seu perfume,
que a todos
enfeitiçava.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferinaizil
NÃO SEI
19.6.26
ADEUS
Simplesmente,
não estás mais
em meu coração.
Não apareces.
Não existes.
Aquele que eu conhecia
já não existe.
Desisti de você.
Não eras
quem eu via.
O real
era outro.
Fui lograda.
Fiquei cega
e não te vi
como realmente eras.
Quando enxerguei,
vi a face horrível,
traiçoeira,
a face da mentira.
Descobri
teus mistérios.
Teu caráter é mau.
Não posso mais
te querer.
Adeus.
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Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina
izil
MORDAZ
Não preciso que enxugues
minhas lágrimas.
Posso fazê-lo sozinha.
Sei carregar minha cruz.
Não imploro afeição.
Dá quem quer.
Não preciso de amor fugaz,
nada parecido com
vento,
fumaça,
nuvens que passam.
Não necessito de ajuda.
Quero amor real.
Amor que queima,
que aquece
como o fogo da lareira.
Quero emoções fortes,
como raios e trovões.
Afagos e acenos,
eu dispenso.
Meio sorriso não quero.
Quero gargalhadas.
Quero beijos e abraços.
Tapinhas nas costas
são para funerais.
Ferina Izil
Artesãdaspalavras | izilgallu
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25.2.17
O Tempo IV
o tempo
guarda a memória
dos tempos
quanto tempo
do tempo
é um contratempo
um destempero
uma vida encerrada
num ciclo de luas
quando a morte
vem de mansinho
fora de seu tempo
nem dá tempo para despedidas
não há tempo
para um adeus
um beijo, um choro
o tempo do fim
anuncia o início
de um outro tempo
a morte do amor
foi a solução
do tempo
em que não havia tempo
para amar
Atit Ordep
25/03/2008
O Tempo III
foi quando
meus dedos
afloraram
a pele sedosa
dos seus seios
então senti
a brevidade
de um momento infinito
toda a minha vida
existe no genoma
desse momento breve
tudo o resto
é pó de estrelas
Atit Ordep
19/03/2008
O Tempo II
um espaço
perdido
dentro de si próprio
um choro
imenso
que faz transbordar os rios
um olhar
pelo horizonte
e mais além
Atit Ordep
19/03/2008
O Tempo I
o tempo existe
dentro de uma ampulheta
com grãozinhos de vidas
que gira infinitamente
até os grãozinhos
ficarem tontos
Atit Ordep
19/03/2008
21.3.15
COPO DE VENENO
Preciso tomar
esquecer que perdi o jogo
que nossas conversas acabaram
e as flores desabrocharam,
vívidas, coloridas e jovens
para ressecar e sumir de nossas mãos
Quando eu acabar
todo o meu copo de veneno
sumirá também as estrelas que contamos
que brilharam por tanto e quanto
durou o turbulento amor, jovem, insano
transformado agora em dois estranhos
Lá se foi a última gota
limpando as dores da tola esperança
caindo dentro de um corpo cristalino e vazio,
de um templo abandonado a um paraíso
sinto que posso respirar, como aquele que já fui,
- sem existir mais - para ti.
9.2.14
Memória de elefante
num fogo fortuito de cigarras e corujas
com o corpo gemendo de calor
no escuro céu invertido
vi os teus olhos brilhando
lá longe na memória dos elefantes
que buscam água nas lembranças
e as tuas mãos acenavam
como folhas secas levadas pelas brisas
escondi-me na noite esquecida
procurando a água fresca
que refresca a lembrança da primavera
deixei o dia renascer
manso e tépido
guardei as escrituras ocultas
na inocência das crianças
para que um dia
o sol brilhe completo
nos desenhos coloridos das calçadas
Atit Ordep





