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20 de jun. de 2026

MINHA TRISTEZA




A tristeza habita em mim
Nasci com ela, como se
nasce com uma deficiência
Por mais que eu me esforce
ela não desaparece
Todas as manhãs
com chuva ou com sol
ao acordar me deparo com ela
Não é uma coisa que eu goste
eu a odeio
Luto todas as manhãs para
ela sumir
mas não consigo me livrar
Ela se faz presente
povoando minha mente
transformando minhas feições
Penso em mil possibilidades
de existir sem ela
mas não vou ao encontro
de nenhuma
acho que acostumei-me
com a maldita tristeza

Ferinaizil


CRIADA 7 DE OUTUBRO DE 2008

9 de ago. de 2011

COR DA TRISTEZA

Terá a tristeza
uma cor?

Será somente
um estado d'alma?

Cinza...

parece-me adequada

para exprimir
toda a dor d'alma.

A tristeza
faz gemer
o coração,

transforma
o silêncio
em tormento,

a ilusão
em um sofrer
sem tamanho.

Amarga
o viver,

apaga
a esperança.

E tudo,
aos poucos,

vai perdendo
a cor.

.
Ferina Izil
Artesãdaspalavras
izilgallu

25 de mai. de 2011

PAPEL EM BRANCO



Hoje me conformo
a dor nem sempre escreve
só tenho palavras ocas
provavelmente inférteis
eu não ouço a música
das letras inspiradas
Minhas musas,
belas como estátuas
dormirão sem serenata
pois o homem apaixonado
bebeu toda a garrafa
ficou tonto de tristeza
e adormeceu depressa
sobre um papel em branco

Karolina * Karolina B
.

13 de mai. de 2011

INTERPRETAÇÃO



Eu já disse,
mas sem pedir
pra você, amor
Vou repetir
que essa beleza
terna, gentil
eu possuo
mas não sei usar.
Fica cada vez
mais pobre
sem brilho
ou encanto
com o passar
dos anos.
Mas até hoje
eu não sei então
por qual motivo
vem me perturbar.
Se eu fico fora
de mim mesma
quando o desejo
ataca e aplaca
é porque enjaulada
não posso escapar.
Eu já disse
mas vou repetir
quem te adora
é esse corpo
pois a alma
anda a procurar
um toque
que ultrapassa
a pele.
É um jeito
certo de amor
que a paixão
não soube
interpretar.

Já te disse.
Ferina * Karolina B

18 de mar. de 2011

REBELDES SEM CAUSA



Deus abençoe os coraçoes
de gente que luta sem causa
da vida colhemos espinhos
nossas plantaçoes não vingam
a seca de amor permanece
nossa peleja é incerta
na luta contra o invisível
sem armaduras e corpo fraco
castigados pelo grande sol
os guerreiros pobres coitados
lutando contra a própria sombra
a única visão dessa vida
é o reflexo do rosto na espada
Deus abençoe os corações
de gente que luta sem causa

Ferina * Karolina B
.

6 de mar. de 2011

O AMOR NA TRINCHEIRA



É difícil admitir
mas foi a guerra
que eu perdi
nas batalhas perdidas
pra você e para mim

Um soldado abatido
sem honras desse amor
minhas armadilhas
foram desativadas
e as minhas armas
hoje são brinquedos
nas suas mãos

Não adianta insistir
na espera de um resgate
pois meu coração reconhece
que esse é o nosso fim
Sempre estivemos
de lados opostos
e como inimigos declarados
só podíamos terminar assim

E se um dia
na fronteira te encontrar
não pense duas vezes
me faça de alvo
mire bem e acerte
não me poupe

Pois nessa guerra
de mil e um extremos
entenda
eu mesma me machuco
pra não ter
que te ferir

Ferina * Karolina B

18 de abr. de 2010

VAZIOS



os impulsos não convencem
meu corpo
meus olhos não choram
mais de alegria
minha boca não come
só por prazer

E eu perco uma infinidade
de coisas que são boas
nos seus momentos finitos
Como dizer, não me importo
de te ver passando sem dizer
ao menos olá


Isso porque não demonstro
guardo minhas fraquezas
Como estrelas apagadas
Se minhas lágrimas somem
é porque estão secas
Mas elas estão aqui

28 de set. de 2009

SEQUER PALAVRA
















como poeta morto, as vezes bate
é maior do que qualquer tristeza

antes fosse dor, mas nem isso

nem ardência ou corte ou vento

é um momento para o nada

não é verbo, sequer palavra
quem me dera a dor de um amor
para sentir agora
voltar disso
do além-infinito
onde não se chora
não se ri,
tampouco mesmo estou aqui

juntando letras como a salvação

dos melhores poetas vivos


ferina*KarolinaB

2 de fev. de 2009

PRECISO TE SENTIR





Nada te trará de volta
E eu continuo desejando isso
Fico esperando numa casa sem porta
Dando passos num caminho sem chão
Bebendo goles de esquecimento
Lembrando do seu perfume
Das nossas desconversas noite adentro
Ai! Que infelicidade mortal
Que leva a minha juventude aos poucos
Esse grito calado e contínuo
Esse urro protegido


(Ferina*Karolina B)



imagem:
edd cavalcanti