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7 de ago. de 2010

ME DERRETO



Ando

Fazendo de mim

Zelando pela parte
Que me cabe


Cuido

Que o círculo de fogo

Comporte ao redor
Pequeno
corpo desprezado

Mantenho

Intacta as mãos geladas
Que tocam peles quentes
-distâncias calculadas -

Meu frio
Escarnecedor

É um submundo

Perto, íntimo, louco
-sem permitir- o calor

Ferina*Karolina B

18 de jun. de 2009

CONTEMPLAÇÃO




eu pensei, para o nada existisse
um rosto igual como era o meu
do amor as dores, feitos e defeitos
eu imaginava apenas, bom devia ser

virava páginas e do amor buscava
comia as traças e as letras apagadas
de um livro que contava sem acontecer

Eu sabia, estava mesmo era presa
Entre um parágrafo e a incerteza
de encontrar o meu instante eterno
e de um rosto igual como era o meu

ter a mão que o afagasse lento
e eu soubesse que era assim, que bom
como o pássaro voando ao tempo

Ferina*KarolinaB

17 de mai. de 2009

CONTANDO ESTRELAS



Não consigo fingir a dor do outro
Eu sei da minha dor individual e tempestuosa
Dos meu cabelos brancos e roupas largas
Dos meus olhos pretos como do diabo
Tão culpados como o próprio nunca voltaria a ser
Do céu da minha boca eu contei
Quantas estrelas se apagaram todo dia
E eu sofria com minha dor (que era minha)
Tempestuosa, individual, aguda e sozinha
Eu aguentava o cansaço de acabar lentamente
É tão difícil fingir ser gente
Quando o bicho se revela totalmente
E da humanidade restou apenas a dor

(Ferina*Karolina B)

foto: link original

2 de fev. de 2009

PRECISO TE SENTIR





Nada te trará de volta
E eu continuo desejando isso
Fico esperando numa casa sem porta
Dando passos num caminho sem chão
Bebendo goles de esquecimento
Lembrando do seu perfume
Das nossas desconversas noite adentro
Ai! Que infelicidade mortal
Que leva a minha juventude aos poucos
Esse grito calado e contínuo
Esse urro protegido


(Ferina*Karolina B)



imagem:
edd cavalcanti

15 de mar. de 2008

ESTADO D'ALMA

Sou cruel como pessoa,
não sei ser amável,
nem sei mais ser delicada.
Meu limite como ser humano
não existe mais,
o prazer de escrever,
como quiser.
para este mundo.
mas não encontro
para esta anarquia.
se já tive um dia.
está terminando.
continuar humana.
um simples animal.
me tornei um animal.
Só me resta ainda
e este posso usar
Neste não preciso ser cruel,
não preciso ser humana,
posso simplesmente ser eu,
verdadeira ou falsa,
já não sei mais.
Escrevo e me contradigo.
Sou boa, sou má.
Sou santa, sou demônio.
Sou crente, sou descrente.
Não creio mais na humanidade.
Não creio em salvação
Procuro,
soluções ou saída
Não tenho mais heróis,
nem lembro
Talvez eu tivesse, sim.
Era uma heroína,
uma mulher,
minha mãe.
Ela já está partindo.
Seu tempo na Terra
Então não preciso mais
Posso ser mesmo
.
Ferina izil
Artesãdaspalavras | izilgallu