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24 de nov. de 2013

Tempos negros II

estou escrevendo para te contar
que fui presa

sem chao, sem rumo, eu caminhava desolada
pensando nela
quando uma autoridade
dos assuntos negros
me prendeu

levaram-me para a escuridão
nao havia luz em lugar algum
um preto dos seus olhos, um preto sem volta

interrogaram-me por muito tempo
sempre a mesma pergunta idiota
por que eu abracei a Escuridão no dia vinte quatro de novembro?
no início neguei com todas as minhas forças
mas haviam fotos guardadas, no preto, no preto do meu olho

entao confessei o abraço
e me largaram numa alvorada
mas antes um dos agentes murmurou
melhor assim, melhor assim
ai de mim se não confessasse

continuaria lá
nos braços dela, da Escuridão do dia vinte e quatro.


30 de set. de 2013

HOJE UM VERSO SOLTO



Parece um poeta calado
Parado no verso
O fim do homem sombrio
Imagino que finalmente
Depois da morte
Ele está sonhando
Tornou-se o céu
O vento ou chuva
Doce e fininha
Ele está serenando
Nos cabelos e ombros
de quem ouve falar
"Quem era mesmo?"
"Que pena, tão novo"
"Tão inteligente"
Era um homem
Homem sem rosto
Ontem, notícia curta
Hoje, um verso solto
Na chuva fininha
Tornou-se menos sombrio
Depois de deixar o corpo
Junto ao rosto
Nas Nuvens

Ferina * Karolina B

31 de jul. de 2013

O MUNDO É DO CAÇADOR



depois de ver
um coração
perdido
correr ferido
e o grito
"Mata! Mata!"
ele pulsando
pulsa, pulsa
partido como folha
geme, ais, ais, ais
mas corre
passadas, vem e vem
ferrão e faca
vermelho e verde
escorre na estrada
a natureza morre
Ele devasta
persegue, e pensa
"Mata! Mata!"
o coração ferido
geme, ais, ais, ais
o mundo é do caçador
enquanto as passadas
vem e vem
a natureza morre nele
e o caçador promete
afligir a presa
que mesmo ferida
pulsa, pulsa
vive mais
corre mais
e vai chegar
ainda assim
(e mesmo assim)
ao próximo coração

Ferina * Karolina B

30 de abr. de 2013

SOMENTE FRIA














Estava frio
mas eu queria 
que você soubesse
Não estava frio
simplesmente
porque ventava
Eu não estava fria
porque o inverno
aproximava
Estava frio
porque eu esperava 
você chegar
Continua frio
porque eu não sei
me conformar

E se esse frio
pretende assim
me segurar
O frio sou
agora sou
somente fria.

Ferina * Karolina B

20 de jan. de 2013

RESSURGE


Você estava certo
quando ousou dizer "está acabado"
eu tambem estava lá, eu vi
O resto de um véu manchado
propositalmente rasgado
onde não pudessem costurar
Mas enquanto louco, ocupado
na arte de destruir
ela ressurge, ocupada
na arte de unir-se a luz
que ilumina seu véu manchado
Afinal nada necessitava
além daquele momento exato
Onde uma fera acordava, ressurgia
livre do impulso de salvá-lo
e, sim, livre para sobreviver
Enfim ressurge para mudar
a si mesma, e por si ela vai e cumpre
enquanto você acaba aqui

Ferina * Karolina B

15 de set. de 2012

ENFIM CHEGAMOS



esse constrangimento

sao rachaduras no castelo
que foi belo enquanto novo

decorado pelo tempo, cores negras
borboletas no jardim
aqui nao voam (nunca mais?)

as cortinas nao balançam
a poeira é tao pesada
entao calada, fica, sobrevive

portas, ainda ricas, nos detalhes
mil memórias douradas vejo
mesmo de olhos fechados

enquanto ando o assoalho range
nossas dores se encontram
na solidão somos como iguais

enfim chegamos e como humanos
sobrevivemos, e como poeira
nos movemos para depois assentar

Ferina * Karolina B

2 de jun. de 2012

SOBRE AS QUEDAS DENTRO DE MIM














Estou mesmo caindo
Não espere que eu abra as asas
Só porque recusei as escadas
Atirou-me sem hesitar

A queda parece certa
Mergulho nas profundidades
E o gosto amargo da sua vontade
Contesta o impacto de inexistir

Se o voo é a melhor parte
Por isso não dura tanto
E eu faço desse o meu canto
Sobre as quedas dentro de mim

Ferina * Karolina B

3 de mai. de 2012

NAO TENTE ALCANÇAR


se existe um lugar
em que possa afogar
sem que interrompam
minha querida
tentarei te levar
vou gritar bem alto
'não tente alcançar'
peço que deixem
a ordem é clara
não salvá-la
deixem-na afogar
nos pensamentos
no próprio lamento
nas águas que envolvem
rápido, e depois lento
se eles soubessem
deixassem de ignorar
o corpo em terra
paisagem tão bela
mas sua alma agora
já está no mar

Ferina * Karolina B

23 de abr. de 2012

O QUE DIZER PRA QUEM VOOU II


 Aquela bagunça
que voce fez sozinho
e nós carregamos juntos
pra onde você levou?
Quem vai me ensinar
como me comportar
se minha habilidade poética
tornou-se inútil
como uma porta batendo
calada, e uma janela
sempre fechada.
Não sei por quanto tempo
ainda consigo gritar:
"Pra onde você voou?"

Ferina * Karolina B

28 de mar. de 2012

PERTENÇO



voce nao me conhece
fala como se me soubesse
devolve segredos com seu olhar
e perto dos meus resquícios
(o que eu costumava ser)
você faz um redemoinho e
de repente estou voando
fazendo parte da sua bagunça
faço parte de algum lugar
(ainda incompleta, mas eternizada)
obrigada, (preciso dizer?)
meu desejo perpétuo
hoje realizado, somente por saber
que agora pertenço

Ferina * Karolina B

10 de mar. de 2012

ENTRE LOBOS FAMINTOS



querida, se essa lua
fosse mesmo perfeita
não estaríamos dormindo
entre lobos famintos
nem jantando da carne
que sobram nos dentes
de outros felinos
por isso que eu digo
se o céu está longe
deve ter um motivo
essas estrelas da noite
elas piscam e piscam
são alarmes bem feitos
também muito visíveis
para quem enxergar
além do romantismo

Ferina * Karolina B

8 de jan. de 2012

OH SEREIA, TE LIBERTARIA SE PUDESSE



esse navegar
dentro do mar
com o destino preso
nas correntezas
dominado pelo medo
buscando
desesperadamente
alcançar a superfície
ver o céu
com olhos livres
esse horizonte
sempre tão lindo
quanto inalcansável

Ferina * Karolina B

19 de nov. de 2011

SE HAVERÁ LUZ PELA MANHÃ



tentando acertar sempre
ainda faço tudo errado
a perfeição apodreceu
um mundo antes tão vivo
de cores, luz e frescor
eu quero muito saber
se estou presa no escuro
com as mãos estendidas
apalpando o vazio
enquanto procuro chegar
o que deixou de existir
onde costumava ser
o nosso lugar seguro

Ferina * Karolina B

25 de set. de 2011

PAREDES



Comigo, tudo bem
só decidi ficar aqui
quietinha, em silêncio
enquanto a cicatriz
ainda estiver secando
Não se importe tanto
nem se atreva a pensar
que sou do tipo modesta
sofrendo, calada, sozinha
Decidi, por minha conta
ficar aqui refletindo
sentada no cantinho
dessas paredes brancas
enquanto ouço na rádio
uma música desconhecida
sobre venenos, bebidas
e um coração partido

Ferina * Karolina B

10 de set. de 2011

NA SUA FORMA QUASE-HOMEM



Não me sinto tao poeta
nesse texto rabiscado
a poça de água no chão
parece-me mais digna
mais criativa e sincera
na sua forma quase-bola
quem dera eu esparramar
assim -livre nos azulejos
esperando o sol chegar
com o desejo soberano
de secá-la por completo
enxugar meus versos e
através dela -uma greta,
um buraco na janela
sentir o poeta jorrando
na sua forma quase-homem
agora mais digno, portanto
e livre para escrever

(ferina * karolina B )

21 de ago. de 2011

EU FICO IMAGINANDO (COMO ME VEJO NO REFLEXO)



Eu fico imaginando
Se fosse pra mim
que escrevessem versos
como todos esses
que componho pra você
eu ficaria assustada
com a dimensão
de simples palavras
o universo dentro de cada
e o brilho interno
de mistérios
que você descobriu
enquanto pensava em mim
Mas não são meus
são como versos roubados
para um coraçao
vazio e selado

de quem nesse momento
acabou de escrever

Ferina * Karolina B

30 de jun. de 2011

AMANHECER (O PEDIDO)



o meu pedido
o mais sincero
é que não morra
de amores por mim
que não perca
seu fôlego
ao me ver
pois preciso
que respire
por nós dois
e se necessário,
me odeie
me abandone
e encontre
na outra ponta
desse vasto mundo
sua aventura
seu maior sonho
ah! Eu já posso ver
é mesmo por você
que o céu está brilhando
Agora entendo
o nosso desencontro
é a estrela
é o pedido
que eu fiz chorando
antes do dia
amanhecer

Ferina * Karolina B

6 de jun. de 2011

CAÍMOS DE AMOR



Caímos de amor

e a queda foi lenta
e suave como pena
caindo do edifícil

Sentimos a dor

do violento impacto
de sermos levados
pela correnteza

Caímos de amor

e somos levados
mesmo sem vontade
pelos sentimentos

Sentimos a dor

que veio de um salto
um rosto pintado
um palhaço no chão

Ferina * Karolina B

25 de mai. de 2011

PAPEL EM BRANCO



Hoje me conformo
a dor nem sempre escreve
só tenho palavras ocas
provavelmente inférteis
eu não ouço a música
das letras inspiradas
Minhas musas,
belas como estátuas
dormirão sem serenata
pois o homem apaixonado
bebeu toda a garrafa
ficou tonto de tristeza
e adormeceu depressa
sobre um papel em branco

Karolina * Karolina B
.

13 de mai. de 2011

INTERPRETAÇÃO



Eu já disse,
mas sem pedir
pra você, amor
Vou repetir
que essa beleza
terna, gentil
eu possuo
mas não sei usar.
Fica cada vez
mais pobre
sem brilho
ou encanto
com o passar
dos anos.
Mas até hoje
eu não sei então
por qual motivo
vem me perturbar.
Se eu fico fora
de mim mesma
quando o desejo
ataca e aplaca
é porque enjaulada
não posso escapar.
Eu já disse
mas vou repetir
quem te adora
é esse corpo
pois a alma
anda a procurar
um toque
que ultrapassa
a pele.
É um jeito
certo de amor
que a paixão
não soube
interpretar.

Já te disse.
Ferina * Karolina B