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16 de mar. de 2012

SEU TEMPO PASSOU



De tanto esperar, 

Seu tempo passou, 

Sua vida acabou, 

Seu amor secou.

De tanto querer, 

Nada lhe restou. 

Não lhe ficou amor, 

Só lhe restou desamor.

De tanto mentir, 

Seu querer se foi, 

Seu amor acabou, 

Suas lágrimas secaram, 

Sua vida acabou.

Ferina Izil

10 de set. de 2011

NA SUA FORMA QUASE-HOMEM



Não me sinto tao poeta
nesse texto rabiscado
a poça de água no chão
parece-me mais digna
mais criativa e sincera
na sua forma quase-bola
quem dera eu esparramar
assim -livre nos azulejos
esperando o sol chegar
com o desejo soberano
de secá-la por completo
enxugar meus versos e
através dela -uma greta,
um buraco na janela
sentir o poeta jorrando
na sua forma quase-homem
agora mais digno, portanto
e livre para escrever

(ferina * karolina B )

13 de mai. de 2011

INTERPRETAÇÃO



Eu já disse,
mas sem pedir
pra você, amor
Vou repetir
que essa beleza
terna, gentil
eu possuo
mas não sei usar.
Fica cada vez
mais pobre
sem brilho
ou encanto
com o passar
dos anos.
Mas até hoje
eu não sei então
por qual motivo
vem me perturbar.
Se eu fico fora
de mim mesma
quando o desejo
ataca e aplaca
é porque enjaulada
não posso escapar.
Eu já disse
mas vou repetir
quem te adora
é esse corpo
pois a alma
anda a procurar
um toque
que ultrapassa
a pele.
É um jeito
certo de amor
que a paixão
não soube
interpretar.

Já te disse.
Ferina * Karolina B

16 de out. de 2010

UM PASSO NO DESPERTAR



quando amava eu queria
o sol de toda manhã
as nadadeiras dos peixes
a grama verde do campo
a sabedoria dos monges

quando odiava eu queria
as pedras de uma ruína
as espadas dos duelos
o feitiço das bruxas velhas
os encantos da prostituta

quando acordo agora
tento querer o amor de volta
mas dele tive tão pouco
e o ódio, mais intenso e louco,
é que vence dentro de mim

Ferina * Karolina B

11 de set. de 2010

TRAIÇÃO



O inverno não está lá fora
Esse inverno está aqui dentro
Onde as janelas recebem
ferozes rajadas de vento

E as portas estão batendo
na parede do pensamento
que está rachada ao meio
Como pedras de esquecimento

Os vasos estão quebrados
Nada que possam resgatar
Pois se quebraram por dentro
E ninguém consegue colar

Os vidros da mesa flutuam
por todas as direções
Os cacos do espelho refletem
pedaços de dois corações

Ferina*Karolina B

23 de ago. de 2010

DEPOIS DE UM "NÃO"



Eu vi o desenho de duas sombras
que dançavam sem se tocar
Era como se a lua os exibisse
Mostrando um jeito belo e solitário
De amar sem toques
Sem nunca estar próximo

Eu vi um espelho no céu
e dentro do espelho eu rezava
No mais alto penhasco ela via
que seus olhos eram estrelas da alma
E os cristais no rosto eram lágrimas
Que caiam sem direção

Eu vi pétalas no chão
E um corpo deitado sobre elas
vermelha era a cor da última flor
pousada nos lábios frios
De um último suspiro
que verteu depois de um "não"

Ferina*Karolina B

7 de ago. de 2010

ME DERRETO



Ando

Fazendo de mim

Zelando pela parte
Que me cabe


Cuido

Que o círculo de fogo

Comporte ao redor
Pequeno
corpo desprezado

Mantenho

Intacta as mãos geladas
Que tocam peles quentes
-distâncias calculadas -

Meu frio
Escarnecedor

É um submundo

Perto, íntimo, louco
-sem permitir- o calor

Ferina*Karolina B

13 de out. de 2009

POESIA DE DESAMOR




Queria fazer poemas
que só falassem de amor.

Queria fazer rimas
que exaltassem a paixão.

Mas como posso fazer poemas,
se não tenho seu amor?

Nem ao menos posso ter
um pouco do seu calor.

Por isso não rimo,
não faço exaltação.

Escrevo simplesmente
poesias de desamor.

.

Ferina

izil