19 outubro 2009

ARMADILHA




É tão difícil fingir que não te sinto
Olhar para o lado oposto
Jogar o cabelo no rosto
Fazer de conta que acabou como devia

E eu fiz de um tudo pra levar
Uma vida sem maiores surpresas
Com minhas irreparáveis certezas
Mas você sempre estraga tudo

Como vou me desmentir agora?
Se eu minto com desespero e faço
Que caiam dentro do meu comprido laço
Onde estou presa e tão indecisa

(Ferina*Karolina B)

16 outubro 2009

AOS POUCOS...


Encontros
e desencontros,
contigo,
comigo
mesma...

Instantes
etéreos,
fugazes,
eternos...

Frações
de um amor,
fragmentos
de vida...
.
Suely Ribella ©

13 outubro 2009

POESIAS DE DESAMOR




Queria fazer poemas
que só falassem de amor.
Queria fazer rimas
que exaltassem a paixão.
Mas como posso fazer poemas,
se não tenho seu amor?
Nem ao menos posso ter
um pouco do seu calor.
Por isso não rimo,
não faço exaltação.
Escrevo simplesmente
poesias de desamor.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina

izil

12 outubro 2009

JAZ SEM VIDA




Corpos caídos,
sem vida.

Gritos desesperados no ar.
Vidas se esvaindo.

Tentativas inúteis
de ressuscitação.

A transformação é rápida.

O ser que há pouco tinha tudo:
brilho, cor, orgulho,
paixões, dores,

agora jaz rígido,
frio, sem cor.

Como pode um tudo
virar um nada
num segundo?

E todas as esperanças,
lembranças, planos,

aonde ficam?

Apagam-se simplesmente
com a morte

ou seguem para o universo,

deixando para trás
somente o corpo rígido

que era o dono
de tantos sonhos?

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina izil


04 outubro 2009

O MEU FRIO


O frio me atinge o corpo,
o coração, a alma,
traz meus fantasmas
para perto de mim...
lembranças,
esperanças, desesperanças...
constatações
de uma realidade cruel,
de um passado terno,
hoje sombrio,
assim é meu frio,
num presente sem cores,
cheio de dúvidas,
dores, angústias...
sem vislumbrar,
nem sonhar
com a possibilidade
de um amanhã feliz,
ou, ao menos, melhor...
.
Suely Ribella ©

01 outubro 2009

OS MASCARADOS


Sei que posso chocar.
Minhas escritas não são
doces nem suaves.
São reais,
talvez cruéis.
São verdadeiras.
Não temo escrever.
Escrevo o que penso,
o que observo
nos seres humanos.
Naqueles que fazem uso
de máscaras,
que passam o tempo
fingindo o que não são.
A mim não enganam,
mas também
não me incomodam.
Só me dão material
para escrever.
Nada tenho a ver
com suas falsas vidas.
A não ser
escrever sobre elas.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

28 setembro 2009

SEQUER PALAVRA
















como poeta morto, as vezes bate
é maior do que qualquer tristeza

antes fosse dor, mas nem isso

nem ardência ou corte ou vento

é um momento para o nada

não é verbo, sequer palavra
quem me dera a dor de um amor
para sentir agora
voltar disso
do além-infinito
onde não se chora
não se ri,
tampouco mesmo estou aqui

juntando letras como a salvação

dos melhores poetas vivos


ferina*KarolinaB

25 setembro 2009

TANTAS PERGUNTAS AO CAIR DA NOITE


onde estarás agora
que a noite caiu
e está escuro na rua

em que cama te deitas
quando o corpo abdica
de resistir ao dia

será que encontras
outros lábios para saciar
a sede de ternura

quantas mentiras
sobreviveram à realidade
da solidão do caminho de casa

em que cama vazia
te deitas agora

que trevas tens de transpor
para que um dia nasça
acordado por um beijo

quantos ciclos de cegueira
ensaias durante a tua vida

Atit Ordep

Foto de Paulo César Melges

22 setembro 2009

CONTRASTES



Conheci o amor e a paixão,

encontrei a dor e a desilusão...
Não ando entre a vida e a morte,
ando entre a morte e a vida...
.
Suely Ribella ©

19 setembro 2009

NO CAMINHO DE CASA


no caminho de casa pensava em ti
mas não tinha coragem para inverter o caminho
ficava de olhar especado nas montras
e vagueava por entre saias e corpetes
cores e formas da alienação
depois seguia em passo firme para casa
com um saco na mão
um prémio de consolação
a vida pode esperar

Atit Ordep

16 setembro 2009

FOME


Nos teus olhos
repouso os meus
e deixo que a brisa
me entregue o teu hálito

com a barriga a dar horas
imagino saciar esta fome
com os teus beijos

Atit Ordep

Foto de Hugo Macedo

13 setembro 2009

FOGO DE ARTIFÍCIO


são luzes o que procuras
na fricção dos corpos
um tremor que percorre o tronco
um êxtase brutal
uma carnificina dos sentidos
um prazer intenso mas descomprometido

isso não é amor
mas o que te importa?
a assepsia do corpo satisfeito e solitário
recupera do fogo de artifício

tudo sem as dores
do trabalho de parto
de uma vida em comum

Atit Ordep

Foto de Hugo Macedo

10 setembro 2009

FLORES RESOLVEM TUDO


Se me aprontar alguma,
para se desculpar traga flores,
as suas preferidas.
Poupe-me de despesas,
flores perfumam
e também enfeitam
cadáveres.
.
Suely Ribella ©

07 setembro 2009

SENTIDOS (CORAÇÕES)


agora encaixo os dedos
nas mãos
para poder sentir
o vento que trespassa os teus cabelos

seguro no nariz
para poder captar
os odores que a brisa
roubou no teu cabelo

coloco os meus olhos em órbita
para observar
as tuas meias a sair das pernas
e a tua roupa a despir a pele

moldo minha boca
embuto meus dentes
para te poder beijar
e morder os mamilos

aplico minhas orelhas
para te poder ouvir rugir
quando meu falo
te toca no fundo do ser

são os meus sentidos
rendidos ao teu esplendor

Atit Ordep

Foto de Atit Ordep

04 setembro 2009

INCAPACIDADE


um arrepio de frio
transita por seu corpo

as lágrimas são confusas
no seu significado

as palavras colam-se no céu da boca
como papeis amarrotados

não encontra o tempo dos gritos
numa angustia feita de revolta contida

invade-o uma agonia breve
soprada por um aroma familiar

passou o tempo breve dos sonhos
e já não é capaz de dizer que a ama

Atit Ordep

Foto de Hugo Macedo –
www.hugomacedo.net

01 setembro 2009

FIM DE ESTAÇÃO


quando chegares
avisa os pássaros
para que voem em bando
na direcção do sul

vens tarde
os frutos amadureceram
as crianças partiram
as folhas das arvores
já se vestiram de ferrugem
cansadas de dar flor

olha no céu
e procura uma estrela nova
que te indique outro caminho

aqui ficou apenas
uma recordação da vida
e aqueles que sabem sobreviver ao Inverno

Atit Ordep

Foto de Vitor Tripologos

29 agosto 2009

NO CEMITÉRIO


Uns homens que não conheço,
trajando túnicas beges,
conduzem pela alameda,
negro esquife reluzente...
Muitas pessoas seguem,
em silêncio o funeral,
de longe ainda observo,
pra onde será que me levam?
.
Suely Ribella ©

26 agosto 2009

ANGUSTIA



Tenho dentro de mim
um vulcão em repouso,
que está pronto para explodir,
entrar em erupção.

Ele vai romper,
a qualquer momento,
as barreiras do meu coração.

Tenho que descobrir
como deixá-lo extravasar,
sem que me faça
em mil pedaços.

Sei que isto vai acontecer.
Então terei que juntar meus
pedaços novamente.

Tenho que descobrir
logo como agir,
como sair logo
desta angústia
em que me encontro.

Tenho que explodir urgentemente.
Tenho que reviver urgentemente.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil

23 agosto 2009

PENSO EM TI


fico ausente
no calor das planícies
fundo-me com o trigo
e rezo pela chuva

penso em ti
como uma semente invisível
que emprenhou toda a seara
e a minha alma

fico ausente
no acabar do dia
e choro
no inicio da noite

penso em ti
nua em cima da mesa
e no pão que o diabo amassou


fico ausente
na casa do moinho
que me mói o coração
junto com a farinha

penso em ti
na vastidão do campo
na enormidade da casa
penso em ti
sempre ausente
no pão e na vida

Atit Ordep

Foto de Zé Luís Cunha

20 agosto 2009

PRAIA


nesta praia cheia de mar
desenho as tuas pegadas
enquanto a areia está molhada
e construo um castelo de nuvens

um céu cheio de água
e barcos brancos de algodão
convidam as aves famintas
a provar a guloseima dos sonhos

no calor abrasador do areal
percorro a minha via sacra
com as tuas memórias cravadas na carne
e o suor da alma a brotar dos olhos

Atit Ordep

17 agosto 2009

COLAR...

Teimosa,
caiu no teclado,
depois de ter rolado
pela minha face...
Mais uma lágrima,
mais uma pérola
para o meu colar
de saudade,
a me sufocar...
.
Suely Ribella ©

14 agosto 2009

ESCAVAÇÕES


um dia
amei alguém
mais que a própria vida

foi há muito, muito tempo
foi no tempo dos dinossauros

sob camadas de sedimentos sentimentais
fazem agora escavações

será que vão descobrir
que amei
há muito, muito tempo

Atit Ordep

Foto de Hugo Macedo

13 agosto 2009

O MEU MEDO


O vento uivando.

Sussurros.

Arrepios.

Medo.

Medo?

Medo do desConhecido.

Medo de você.


Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina izil

11 agosto 2009

QUANDO ELE FOI EMBORA




Ela mandou te dizer:

Da distância veio o esquecimento
e as estradas partiram-se em caminhos Em que a saudade já não foi refúgio E aqueles tantos sentimentos confusos Esvaziaram-se do peito como um balão Como uma festa que acabou E estouraram as bexigas, apagaram as velas, despedidas, abraços e beijos

Mas assim como eu vi:


Doeu, dor aguda, lenta, preguiçosa
Ela disse, a dor não vai embora Como sentimento em forma de gente Um diário aberto de traz pra frente Diria que ela te amou sem culpa Somente com receios da existência De tamanha pureza, lenço e dor.


(Ferina*KarolinaB)

05 agosto 2009

GUARDO COMIGO...


Guardo comigo
cada gesto teu,

cada momento

que passamos juntos,

cada palavra tua,

cada olhar...

Guardo tudo...
.
Suely Ribella ©

02 agosto 2009

HOMEM SEM LUZ



tenho medo de dizer
de escrever o que não sinto
de fazer poesia tão bela
para agradar meus olhos
e descobrir esses sentimentos
que borbulhavam aqui dentro
tenho medo de escrever o verso
de publicar só fantasias
escrever sozinho uma vida
que depois do fim é esquecida
medo de chegar ao nosso lugar
e não lhe dizer que estou lá
tenho medo de seguir assim
julgando ser o homem certo
sou excêntrico, incompleto,
vivendo de máscara
perante as verdades
que encontro em mim

Ferina*Karolina B

30 julho 2009

PUZZLE


Desfiz-me de todos os objectos
que ficaram após a tua partida.
São pequenas peças de um grande puzzle
que se vai desfazendo
conforme eu vou jogando fora
parte da estrutura que o montou.

A natureza na sua força avassaladora
cobre tudo com um manto verde
ervas e silvas
algumas flores aqui e ali
e muitos insectos.
Cobrem o que sobra
de um coração quebrado.

Mas mesmo assim
existem objectos ligados ao passado
que brotam do nada
como ervas daninhas
erguem-se do local onde tudo tinha sido abandonado
para me lembrar que é impossível
apagar a memória dos dias sem futuro.

Atit Ordep

Foto de Carlos Alberto

27 julho 2009

O BEIJO


vem de mansinho
este beijo recebido
de braços abertos

veio pela noite
o beijo de judas
com facas nos lábios

veio franco
o beijo de amizade
depositado nesta face

veio de surpresa
o beijo maroto
que roçou esta boca

veio inadvertidamente
o beijo enganado
tinha outro destinatário

veio contra vontade
o beijo que era de outro
volatilizou-se assim que confiado

veio húmido
o beijo do desejo
recebido de pernas abertas

Atit Ordep

24 julho 2009

CORAÇÃO PARTIDO


Trago o coração partido,
por tudo que já passei,
o tempo não foi perdido
porque o amor encontrei...

Meu coração se partiu
porque sozinho amou,
calou, sofreu, não fingiu,
ao amor se entregou...

Pode até estar partido,
um pouquinho remendado,
mas coração atrevido,
continua apaixonado...

Meu coração ficou forte,
com o tempo se curou,
não lamenta a triste sorte,
foi por amor que pulsou...

E você nem percebeu,
tão ocupado estava,
que somente por você
meu coração palpitava...
.
Suely Ribella ©

21 julho 2009

AMORE VERO


Amore vero,
vero che esisti?
Lo so, lo sento
che è vero che esisti!
Guardati intorno,
lo vedi il mare,
gli alberi, gli animali,
guardati allo specchio.
Ti sei visto?
Ecco, tu sei l'amore!
Tu hai fatto battere
e vivere un cuore.
Se ti è già capitato,
tu sei l'amore!
L'amore di un'amica
quando ti senti solo
e che lei fa di tutto
per aiutarti.
L'amore dei tuoi
figli con il loro sorriso,
che nuòlla chiedono
su gli rispondi.
L'amore per il tuo cane
che mai nulla chiede.
L'amore per il dolce
repiro della vita.
L'amore nuovo,
l'amore giovane,
l'amore passato,
l'amore vecchio.
L'amore, l'amore,
tutto è amore,
la vita è amore,
l'uomo è amore,
la donna è amore,
i figli sono amore,
la mamma è amore....
L'amore vero esite...
esiste quando
ti si blocca il fiato
quando non respiri
quando voli, sempre
più in alto, perchè ami
e perchè sei lucidamente sincero.
.
Ferino*Lancil*