12 agosto 2008

CHOVE...


Essa chuva fina e fria,
traz uma certa tristeza...
Traz saudade, melancolia...
Medo, aflição, incerteza...
Não sei se é o tempo, a vida,
alguma coisa perdida...
Sempre que chove assim
sinto uma tristeza em mim!
Pensamentos me assaltam
e pra muito longe me levam...
Os vidros da janela embaçados
deixam meus olhos marejados...
Fecho a cortina pra não ver
a chuva que me faz sofrer...
fecho os olhos pra rever
quem não consigo esquecer...
.
Suely Ribella ©

10 agosto 2008

SONETO DO DESALENTO


eu não sei mais o que posso dizer
quando me olho bem no espelho
contemplo um rosto gasto, a sofrer
esmorecido, melindrado e velho

falo com alguém que bem conheço
está lá do outro lado da minha vida
é pessoa que não merece muito apreço
vive nos meus erros de forma repetida

como se aquela triste personagem
não vivesse em cruel sofrimento
presa no sufoco de uma miragem

uma vida tomada assim por inteiro
pelo sofrimento e pela engrenagem
de um amor tolo que foi o primeiro

Atit Ordep

09 agosto 2008

AMO-TE


preciso dizer
amo-te
todos os dias
e não sei a razão

penso em ti
esplendorosa
num pedestal
sedas esvoaçantes
salientam tuas coxas

num trono te coloquei
porque és a mulher mais bela do universo
e embora este seja pequeno para o teu brilho
é causa da minha cegueira

agora só te vejo a ti
e só sei dizer
amo-te
não sei conjugar mais nenhuma palavra
nem ver outro rosto que não o teu

e não há razão
que me demova
de te venerar
não há razão
razoavelmente factual
que me deixe enxergar
para além do brilho
dos teus olhos


Atit Ordep

Foto de Alex Korolkovas

08 agosto 2008

TARJA PRETA


Tens medo de entrar
em meu mundo.

Tens medo de saber
os meus segredos.

És covarde,
não te expões.

És fraco,
não tens garra.

Meu mundo é
o inverso do teu.

Minhas façanhas
para ti são proibidas.

Tua vida e a minha
não se cruzam.

Eu sou
o veneno d’alma.

Eu sou
a tarja preta
de tua vida.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

DIA E NOITE


uma folha branca
depois da noite amarga
exibe miragens imorais

nada se vislumbra
além da óbvia desilusão

o tempo arrasta
um corpo pesado
vergado pelo abuso
do choro contido
de uma manhã cinzenta

um ribeiro corre
na direcção de um pântano
e aí os dois se encontram

ficam os sonhos por contar
e os planos por fazer
dois olhares de rancor
se entrelaçam na encruzilhada
da manhã com a noite

Atit Ordep

Foto de Isabela Daguer

07 agosto 2008

FELIZ


Queria-te comigo...
mas, se estás feliz
longe de mim,
prefiro-te assim...

Mas, se finges,
não estás feliz,
então vem,
que eu também
estou infeliz
longe de ti...
.
Suely Ribella ©

06 agosto 2008

NON CI SEI PIU'


Guardo l'acqua che scende
e scarica lampi e saette,

guardo i vetri appannati
di questa primavera.

Guardo il giorno
che si trasforma in sera.

Neanche i fiori hanno più
il loro profumo

e scende il buio
tutt'intorno al mondo

mentre il silenzio
avvolge la vita

che è finita.
Ma tu non ci sei più.

E gl'altri ridono,
si divertono.

Ma tu non ci sei più,
perchè non ci sei più?

Ferino*lancil*

03 agosto 2008

HORAS PERDIDAS



Nos dias da minha vida,
perto de quem não me tem, 

há tantas horas perdidas
longe de quem quero bem...
.
Suely Ribella ©

02 agosto 2008

O MEDO


O rosto é morto,
os olhos tristes,
coração apertado.
É o medo.
O medo do amor,
o medo do sentir,
de avançar,
mergulhar,
conhecer.
Passam-se os anos,
os olhos continuam tristes,
o coração enganado.
O medo faz com que
o coração esqueça
de como é o amor,
a paixão.
O medo de amar
mata as emoções.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil


01 agosto 2008

CAI...


CAÍ

Fui andando
ao encontro de você.
Caí no precipício,
você não me aparou.

Fingiu que me segurava,
mas, na realidade,
me empurrava.

Agora cá estou,
neste poço sem fim,
gritando, pedindo ajuda.

Quero alguém
que me dê a mão.

Quero um novo
amor para mim.

Ferinia Izil

.
Artesãdaspalavras | izilgallu


31 julho 2008

LA CODARDIA


Nessuna parola.

In silenzio

e a tradimento

un colpo di pugnale.

Al centro del petto

per squarciare

il cuore.

Fiotti di sangue

sprizzano

tutt'intorno.

Non c'è amicizia, contatto.

Non c'è amore ne odio.

C'è indifferenza.

Il sangue cola

e nessuno ti soccorre.

Non hai il tempo di soffrire..

solo di chiudere gl'occhi,

pieni di lacrime

e morire guardando

lontano, lontano

di là oltre l'oceano

sudamericano.

30 julho 2008

APATIA


Não há um pingo só de amor
nos versos que hoje faço
nesta noite fria...
o coração parece nem bater,
não há sorriso na face,
nem brilho, ainda que fraco, no olhar...
nada há que denuncie
a presença de vida em mim...
Assim, sem sentires, sem vontades,
vou juntando letras,
formando palavras, frases,
num texto sem vida
e sem você...
.
Suely Ribella ©

27 julho 2008

E TU DORMI...



DORMI SERENA
DENTRO AL TUO LETTO
CON LUI ACCANTO

NON HAI PENSATO A ME
M'HAI SCHIAFFEGGIATO
NON SO PERCHE'

TI SVEGLIERAI
E LUCE DEL NUOVO GIORNO
T'ACCOGLIERA'

AVRAI TANTI AMICI INTORNO
E IL MARE DELLA TUA CITTA'
NON CI SARO' PIU' IO

IO CHE SONO VIRTUALE
CHE SONO NULLA
CHE SONO IL MALE

Ferino*Angelo/colanget*

26 julho 2008

O MOUSE


O mouse me obedece...
Em movimentos calmos
e lentos,
olhos fixos no monitor,
alheia ao mundo,
vou contornando teu rosto,
teus olhos, tua boca...
e fico assim distraída,
em pensamentos
quase reais...
e o cursor vai deslizando,
quase entorpecido
tanto quanto eu,
em carinhos
e carícias imagináveis...
Não tenho pressa...
Eu nunca tenho pressa
quando estou contigo...
.
Suely Ribella ©

24 julho 2008

O MEU AR


Tão má eu sou que hoje pensei
em ver-te morto,
e um sorriso sarcástico esbocei,
não foste meu,
e uma vez morto,
já não serás de mais ninguém...
Tentei fechar o pensamento,
o ar já me faltava...
de alguma forma és meu...
Então sou má e egoísta,
quero-te vivo,
pois se fores, levas contigo
o ar que eu respiro...
.
Suely Ribella ©

23 julho 2008

ESQUECIMENTO (A PAZ INFANTE)



A inocência poderia ser mais
presente ao invés de passado
Mas na maioria do tempo
Brincamos com tantas verdades
Mentimos sobre nossas vontades
Meu eu, sem eu, descontente
Suportando o evidente caos
De ter esquecido como é a paz
Assim perdemos o deslumbre
Da paz infante

(ferina * Karolina B)

22 julho 2008

POUSAR





Sinto que estou caindo

Estou chegando aos seus pés tão frios
Quando esbarrar me levante
Ficarei olhando um instante
Para os seus olhos brilhantes
Uma esperança que eu nunca tive

Sinto que estou caindo
Não tenho mais asas para pousar
Não tenho impulso para voar
Espero que me recolha com duas mãos em concha
E não desista de me acalentar
Até que eu consiga abrir os olhos

Estou aqui caído
O chão frio reconhece meu corpo
Espero poder sentir o seu gosto
Logo tomarei novamente o ar
Mas o doce sono seduz em lembranças
Agora estou em profunda discórdia
Dormir e acordar
Pousar ou voar

(Ferina * Karolina B)

foto: [link original]

21 julho 2008

O PECADO

De novo,
nossa mente
surpreende-nos.

É o perigo rondando
nosso presente,
nosso futuro.

O pecado nos faz
arriscar a pele,
pelo prazer.

Mas somos mascarados.

Não podemos nos perder,
nem riscos correr,
nem dos limites sair.

Somos ferozes,
ameaçadores.

E vamos quebrar
as amarras de nossa mente.

Esqueceremos dos perigos
e penetraremos no prazer.

Eu e você...

Vamos pecar
e feliz seremos.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

foto guy berthier

20 julho 2008

S.O.S.


Sinto ainda em minha boca
o gosto dos teus beijos,
e em meu corpo
o prazer dos teus carinhos...
Sinto o calor das tuas mãos...
Ah, Como eu queria
estar contigo agora!
Tenho fome, tenho sede,
que só teus beijos,
teus carinhos,
só tu, mais ninguém,
podes matar...
Vou morrer de fome e sede
porque não vens me socorrer...
.
Suely Ribella ©

19 julho 2008

DILANIATO DA UNA FIERA


Intrappolato con gusto,
passione al momento giusto.
Sorrisi e ammiccamenti
così passavamo i nostri momenti.
Poi vennero i litigi
le incompresnioni.
Le tue Gelosie.
Poi ti sei trasformata da
Angelo
in Arpia.
In una bestia feroce.
Mi hai squarciato
il torace e il ventre

mentre
il mio sangue bevevi
con le unghie graffiavi
il mio cuore
per aggiungere
ancor più grande il dolore.
Le tue urla

di godimento

sovrastavano
le mie deboli e inconsistenti.
Grande la ferita
la mente spenta
il cuore a brandelli.
Non contenta mi hai
voluto umiliare.
MI cercavi e non ti facevi
più trovare.
Mi hai anche affiancata una
tua spia. Hai tramato...
VOLEVI AMORE..
TE L'HO DATO...TANTO!
Non ti bastava
volevi il mio sangue.
Ed ora che sono morto
che nulla, conto più,
per te, moglie
io torno e se anche
hai sfracellato il mio corpo
non avrai mai, ormai
la mia mente.
Non cerco vendetta
ma solo verità
e giustizia.
In questo mondo
di ladri e assassini
io grido viva l'amore...
senza distanze, senza mari
o oceani,
l'unico collante
del genere umano.
C'è la luna in cielo
notte splendida per morire
t'illumina il cammino.
CHIUDI LA PORTA
SBARRA LE FINESTRE
Potrebbero arrivare anche
gli spirti del mal
evocate..lontano..lontano....

18 julho 2008

O QUE DIZER PRA QUEM VOOU



O que dizer pra quem voou?
Dos suplícios da saudade?
Que hoje bordei seu nome?
Da vantagem de tê-lo longe?
Das maldades de tê-lo perto?
Que adotei os seus vícios?
E a razão não parece certa?

Vou dizer pra quem voou...
Que tuas asas são tão grandes
(os ternos momentos de amizade)
Estão batendo a vontade
Na mesa, cama e banho
Do meu dia, sempre estranho
Sempre tão organizado
Você e sua bagunça

Pra onde você voou?!

(Ferina * Karolina B)

17 julho 2008

MINHA BUSCA


Há milhares de anos
venho renascendo

e, em todas minhas vidas,
venho te procurando.

Não sei se vou te encontrar,
nem sei se és verdadeiro.

Não consigo te descobrir.

Teu disfarce me engana.
Não consigo te ver
por debaixo desta máscara.

Não consigo chegar
em teu coração.
Não me deixas te alcançar.

Estás sempre em movimento.
Estás sempre em outro lugar.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

16 julho 2008

OS OLHOS DA NOITE



Os olhos da noite
me espreitam,
vigiam meu passos,
meus pensamentos,
invadem os espaços
dos meus sentimentos,
são olhos devassos,
me trazem tormentos...
os olhos da noite
me impedem
de estar em teus braços,
me roubam momentos...
.
Suely Ribella ©

15 julho 2008

TUA BOCA SABOR DE MAR


a tua boca sabe a mar
largueza de sensações
distâncias navegáveis

à roda de ti
velejam caravelas
naufragam marinheiros

tua boca
engole o azul do céu
e o verde do mar
num festim louco
de corações sentidos

Atit Ordep

Foto de Micael Santos Dourado

14 julho 2008

MEDO QUE MATA



Quantos sorrisos
quando a vontade é chorar,
quanta amargura silenciosa
quando a vontade é gritar.

Gritar para o mundo
a dor do medo de sentir
a “dor da paixão”.

Mas cuidado, porque
o amor não pede licença.

Quando quer chegar,
ele vem e penetra no coração,
passa por cima dos medos
e nos faz delirar
entre a loucura
e a sanidade,

tornando-nos valentes...
tornando-nos covardes...

Mostrando-nos
a outra realidade,
aquela que escondemos.

E, neste instante maior,
neste instante de paixão,
nós ficamos desarmados,
sem abrigo, inseguros.

Há os que se acham fortes
e lutam contra este amor,
arrancam-no do peito,
tornando-se ocos,
vazios, tristes.

E assim passam pela vida
e se arrependem.

Mas aí...
a vida já acabou,

restando só
“lamento”

e

“dor”...

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

13 julho 2008

CERTAS HORAS


Há certas horas
em que muito dizemos
e nada falamos.

Há certas horas
em que nada dizemos.

Não é preciso:
tudo se explica
no silêncio
dos nossos olhos.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina *izil*

12 julho 2008

SOFRIMENTO...


Insustentável
a ausência,
o afastamento...

Indecifrável
o código,
o comportamento...

Inexplicável
a dor,
o sentimento...
.
Suely Ribella ©

11 julho 2008

ESPEREI



Eu esperei
Cultivei dores
Tomei água, colhi uvas, desamores
Cheirei as rosas enviadas
Chorei nas cartas de amor
Virei o homem da casa
Tirei leite das vacas
Domei seu cavalo negro
Cavalguei...

Cheguei
Andei no pasto
Sentei no monte,
deitei na rede, desgasto
Tirei seu prato vazio
Queimei as cartas passadas
Vendi sua melhor vaca
Seus pastos, sua morada
Montei no cavalo negro
Te deixei...

(Ferina * Karolina B)

09 julho 2008

CADA UM


O tempo vai passando
e vamos ficando,
quem sabe,
perdidos
no passado, esquecidos
de cada um de nós...
O tempo passa
veloz!
Relógios, desmontem!
O tempo foi ontem,
é hoje, é depois...
somos um,
somos dois...
Cada um
é cada um,
é nada,
é nenhum...
.
Suely Ribella ©

08 julho 2008

MEUS FANTASMAS

Sou assim, meio iludida.
Tenho fantasias,
crio amores,
paixões...
e finjo que são reais.

Vivo num mundo
que beira a loucura,
querendo tornar
meus sonhos reais.

Busco, de todas as maneiras,
encontrar em alguém
algum sinal
de que meus sonhos
possam ser reais.

Se existe,
eu não sei.

Mas, se não encontrar,
não me importo mais.

Vivo feliz
com meus fantasmas,
pois eles me compreendem
e me dão paz.

Ferina izil
.
Artesãdaspalavras | izilgallu