30 de jun. de 2007

AGORA QUE EU PARTI


Eu parti
Tu não reparaste bem
mas tudo a sua volta

ficou mais triste
Nada mais brilhou
Não nasceram mais flores
Teu amor morreu de desgosto
Você jamais me esquecerá
Meu nome está gravado em
tua carne.
Você não me entendeu
Por isto eu parti
Se eu não sobreviver
em tua memória
É a lógica do fim
do nosso amor
Pois tu coração
não tens
.
Ferina*izil*

29 de jun. de 2007

O ANÚNCIO DA TUA MORTE


não espero
mais
por ti

a noite incendeia
o néon do anúncio
da tua morte

agora
não espero
pela manhã

vou partir
sem fugir

não te espero
mais
na gare do oriente

Atit Ordep (Ferini Citrino)

Foto SXC

28 de jun. de 2007

VOU TE MATAR


Vou te matar...
dentro de mim
Aniquilar tua presença
Queimar tuas lembranças
Apagar teus vestígios
Esfregar a minha carne
até sangrar

para tirar de mim
qualquer resto do
teu cheiro
Teu nome não mais
pronunciarei
Nada,
absolutamente nada
de ti restara
Em minha vida.
.
Ferina *izil*

27 de jun. de 2007

SINCERAMENTE...


Não quero
fingir
nem mentir...
Estou
cansando
de você...
Não quero
nada,
ninguém...
Pra que?
Não me acho,
sou!
Não me basto,
sei!
Comigo
estou!
Você,
não sei!
.
Suely Ribella ©

26 de jun. de 2007

ADEUS, MEU AMOR!



Me ajude a entender
Onde teus rios se encontram
Tuas águas são tão frias
Banham meus pés
Arrepio
Congelam meu corpo

Desfio
Seu velho suéter azul

Não entre em minha casa

Não cheire minhas flores
Momento
Assim foi nosso amor
Invento
Do meu desejo de tê-lo

Ferina* Karolina B

foto: [link original]

25 de jun. de 2007

AQUELE VESTIDO

Há muito ainda o que dizer
Eu sou como o velho vestido
Roçando no corpo
Sentindo-lhe as curvas
Tocando sua pele
No tortuoso inverno
Aqueci tuas mãos
Pois tornei-me luva
Cobri tuas vestes
Quando guarda-chuva
Toquei seus cabelos
Eu fui um chapéu
Protegi o teu rosto
Dos raios do céu
E agora que sou trapo?!
Irei para o lixo
Não me deixe só, dai-me alento
Sou melhor que retalho
Não aceito ser lenço

(Ferina * Karolina B)
Figura: pintura de Joan Bevelaqua

24 de jun. de 2007

CONTAR OS DIAS


um, dois, três...
conto os dias que passam
aqui perto da minha rua
uns passam depressa como o vento
outros devagar como uma lesma

quatro, cinco, seis...
conto todos os dias
em que pareço estar vivo
e também aqueles
em que pareço estar morto

sete, oito, nove...
conto devagar os dias
em que os dois fomos um
a pensar em três
e esses dias bem contados
serão sempre
os dias que contam

dez, onze, doze...
conto depressa os dias
em que estás ausente
e esses são todos os dias
do resto da minha vida

Atit Ordep (Ferino Citrino)

Foto em SXC

23 de jun. de 2007

ANGÚSTIA


E de repente a tristeza surge,
e vai se instalando e ficando
e por mais que eu tente
não consigo afastá-la de mim...
Inexplicável sentimento de angústia,
inquietação, desconforto,
sensação de faltar alguma coisa...
e sem conseguir evitar vem o choro
sentido, sofrido, incontido...

Essa angústia que a vida inteira
me acompanhou... essa tristeza,
que, por vezes disfarço
com risos de uma falsa alegria...
este sentir-me incompleta,
talvez seja a falta de alguém
que não sei ao certo quem é
e onde está... alguém que, talvez,
também se sinta assim
e não esteja bem onde está...
.
Suely Ribella ©

22 de jun. de 2007

SABES BEM


Sabes bem
Sabes a chocolate e baunilha
Sabes as cores do meu desejo
Sabes bem-fazer

Sabes bem
Sabes a cravo e canela
Sabes ser dançarina exótica
Sabes saracotear

Sabes bem
Sabes a fruta
Sabes a manga e pêssego
Sabes que eu gosto de te saborear

Sabes bem
Sabes a gelado de morango
Sabes bem assim fresquinha
Sabes ser desejada

Sabes bem
Sabes a mel real
Sabes ser melada
Sabes o que eu desejo

Sabes bem
Sabes a vinho maduro
Sabes as planícies
Sabes me embriagar

Sabes bem
Sabes a sopa de cação
Sabes a mar
Sabes que eu gosto de te comer

Atit Ordep (Ferino com Fome)

Foto de Ramarago

21 de jun. de 2007

CHI LA CAPISCE?


Sento il profumo dell'estate.
Mi lecco le ferite ancora aperte,
il sangue scorre ancora.
Il sudore m'imperla la fronte
ho dolore dappertutto.
C'è chi gode a infilare sale
sulle mie croste.
Lasciatemi morire!
Ha inferto ed ora infierisce
perchè tanto odio?
Chi la capisce?
Ciao sorella morte....

20 de jun. de 2007

CHAMA DA PAIXÃO


Amei-te de verdade
como ama um desesperado
Amei-te como se fosses único
Amei-te com toda força,
Esperei-te todos os dias
como se espera o dia raiar
Eu tinha tantas certezas
Tantas coisas acreditei
Esperei realmente
que um dia virias

comigo se encontrar
Enganei-me, eu sei.
Você não quer ser amado
Não sabe ser assim amado

És covarde, és fraco
Amor demais te sufoca
Mata a chama da paixão

.
Ferina*izil*
Foto Maria Flores

19 de jun. de 2007

ILUSÃO


Pressinto que não virás,
e que meu não serás,
mas te sonho e te espero...
Ah, quanto quero
ter-te sempre comigo,
cúmplice, amigo,
amante, amado,
apaixonado!...

E assim me iludindo,
sigo sorrindo,
te sonhando
e te esperando...
E nessa ilusão,
cheia de emoção
vivo, poeto e canto
por te amar tanto...
.
Suely Ribella ©

18 de jun. de 2007

SENTIMENTO


que esperas
das minhas palavras.
Sentimento?

que te posso dar?
dor, assombramentos
delírios
embrulhados em prata

na lua, por fases
cresce e decresce
meu desalento
meu desencanto

minha sombra
projecta parcelas
das minhas mágoas
nos passeios
por onde tu caminhas

Atit Ordep (ferino sem tino)

Foto de João Santiago

17 de jun. de 2007

SINTO RAIVA


sinto raiva
quase acabava

com esta vida
que vai de partida

é o costume
solto lume

estou caído
talvez perdido

espero por ti
sentado aqui

broto azedume
como costume

nada a fazer
habituado a perder

acabou o amor
fica a dor

Atit Ordep (Ferino sem tino)

Foto de Iva Silva (em olhares.com)

16 de jun. de 2007

TEUS OLHOS


teus olhos
são bengala
que me orienta
e me castiga
na minha cegueira

não quero ver
o mundo que criaste
através dos teus olhos

deixa-me ser cego
apenas pelo tempo de uma vida
e ter na memória das imagens
apenas o brilho dos teus olhos

Atit Ordep

Foto de Ana Red

14 de jun. de 2007

GRITOS CALADOS


imagens vagas, fugitivas
gritam palavras odiosas
no muro dos silêncios consentidos

os olhos incendiados
projectam rancores obtusos
nas mulheres indefesas

o sangue que escorre
pelas mãos assassinas
tem o fedor do ódio

deseja a morte do carrasco
quando os punhos que foram mãos
amassam a sua alma torturada

facas afiadas cortam os sonhos
mulheres prisioneiras no seu corpo
gritam para que as libertem

morreram na indiferença
de quem as podia salvar
gritos calados
ainda se ouvem na noite

Atit Ordep

Foto SCX

12 de jun. de 2007

O DONO DE MIM


Ás vezes, eu penso
que sou dona de mim,
que comando minha vida,
meus pensamentos,
minhas vontades, meus atos...
Mas, às vezes, percebo
que não é bem assim...
Queria não gostar de você...
Queria lhe esquecer...
Não consigo!
Não sou dona de mim...
O dono de mim
é meu coração,
tolo, apaixonado,
que só comete desatinos...
.
Suely Ribella ©

11 de jun. de 2007

CORREDOR DE INCERTEZAS

Corro
Olhar nos teus olhos, socorro
D' alma muito ainda é preciso explicar
Se de amores sobrevive o mais pobre homem
Mais pobre será quando o amor encontrar

Sou um tigre riscando o chão reluzente
Um mico enrolado no galho mais baixo
Garra e pêlos desejam atacar
Prometeu-me o mundo, o céu e as estrelas
Plantou em mim velhas incertezas
Que comprei caro e não vou barganhar

Corro
Tormenta do amor proibido, socorro
Pobre de mim que não sei nadar
Bater braços e pernas prendendo o fôlego
E longe de ti o descanço encontrar


Ferina * Karolina B

10 de jun. de 2007

MINHAS NOITES SEM VOCÊ




Os lábios cada vez mais perto
O beijo da noite
Testemunho desse clamor
A madrugada me violando
Esses sonhos me perseguem
E você sempre está nele
Em momentos inexistentes

As vezes choro sentindo seu calor
As vezes sorrindo
De prazer e dor

Converso com o travesseiro
É Como se falasse contigo
As noites são meu castigo
Meu amigo, meu amigo...

Ferina*Karolina B


foto: "In Blue" site yotophoto

9 de jun. de 2007

LÁ PARA O FIM DOS DIAS


Lá para o fim dos meus dias resignados
irei por fim entregar o meu corpo inútil
à justiça dos deuses desta vida.
Tendo usufruído do corpo e do tempo
com seu consentimento divino
terei de lhes dar explicações
pelo período de tempo em que o usei.
Foi gasto o tempo e o corpo
na procura de uma felicidade
tantas vezes avistada
outras tantas extraviada no evaporar de uma miragem
que jurava ser real, apesar de as imagens serem difusas.
Apesar de meus argumentos serem ardilosos
não saberei como me defender dos dias incendiados
na vertigem da busca pelo sentido da vida
sempre na sombra dos cadáveres risíveis.
Terei por certo dificuldade em explicar
a ausência da lua no teu ventre
ou a serpente no teu leito de morte
as noites cheias de corpos ausentes
ou o fogo que consumiu a essência do meu desejo.
Entrego este corpo consumido pelo tempo
e o tempo gasto por este corpo
aos deuses na esperança de um milagre.
Lá para o fim dos dias aguardo
que por fim a noite se encha de uivos
e os animais fabulados nos dias de criança
abandonem os livros de contos
e voltem então para a floresta
dos animais sem fala.
Para ti, princesa inventada, na pressa dos coitos
virgem falsa, consumada no sacrifício aos deuses
fica este tempo inútil e este corpo gasto
nas fábulas dos animais que falam.

Atit Ordep (Ferino num Desatino)

Foto SCX

8 de jun. de 2007

AOS OLHOS DO ABAJUR



Se mais eu bebesse da ilusão

Embriagado agora estaria

Me afundaria em versos bem feitos

Que não traduzem a verdade
Revelariam certa maldade
Em pensar no amor perfeito

Que não existe mas eu respeito

A eterna busca de encontrá-lo

Aonde deixei?

A sobriedade que me bastava
Somente os goles que restavam

No copo de outrem

Me arriscava a beber e não ia além

Penso na vida e na morte

Nessa noite quente

Vigiado pelo abajur

Se penso melhor arrisco ser luz

Para mim mesmo

E iluminar esses sentimentos

Como a lua brilha lá fora

Ah! Como dela estou sedento!

Ferina * Karolina B
foto: "stockxpert"

7 de jun. de 2007

SONHO SEM FIM


O peito dói,
o coração se contrai,
tento sorrir,
fingir,
enganar...
tento não perder
o controle,
porque você
eu não perdi,
você, eu nunca tive!
Você
foi um sonho,
que não termina,
você
é o sonho que eu
preciso esquecer...
Quero acordar,
preciso parar
de sonhar
com você...
.
Suely Ribella ©

6 de jun. de 2007

FELICIDADE NA ESCURIDÃO




Entre a noite e o dia
vivo mil personagens
em meu mundo oculto.
Caminho para a extinção
do meu ser,
mais rápido do que gostaria.
Tenho a solidão como companheira,
pois ela é a única que me traz paz.
Entre o dia e a noite
vivo tormentos reais.
Vivo sobre o fio da navalha,
Sou oprimida,
testada,
chantageada
Todo meu ser se contrai ao ter
que enfrentar a claridade.
Gosto da noite, pois é onde
me escondo dos meus
carrascos diurnos.
Agora eles dormem,
e não podem me atacar.
Assim sou livre por
algumas horas escuras.

Ferina Izil

5 de jun. de 2007

VOLEVO LA MORTE


Volevo la morte

tu me l'hai regalata

su d'un piatto d'argento

con una risata.


Ti ringrazio di cuore

di avermi esaudito

di avermi ascoltato

per puntare il dito.


Ora vivo nell'ombra

dell'unica amica

fidata e sincera

senza alcuna fatica.
LANCIL

4 de jun. de 2007

A OBSESSÃO DA MULHER

Pernas pra quê te quero
Ouvidos para escutar
Se pensa em mim

Talvez

Se pensa em mim

O caminho mais fácil
Tornou-se difícil
Pois acredito em milagres
O anjos irão me avisar
Se pensa em mim
Talvez

Se pensa em mim



Não sou a mais bela
E a mais jovem já lhe procurou
Deixei-lhe em paz depois do desprezo

Mas cuidado, pois se comigo sonhar
Se pensa em mim
Talvez

Se pensa em mim


Meus demônios irão sussurrar

Ferina * Karolina B

3 de jun. de 2007

QUANDO...


Quando me vires chorar
não me faças perguntas.
É que, às vezes, choro de uma dor
que vem não sei de onde.
Não me faças perguntas
nem observações,
pois todas serão tolas
diante do que sinto.
Não queiras saber,
nem entender.
Eu mesma não entendo.
Vêm do nada as dores,
as lágrimas,
vem do nada a tristeza
e a melancolia.
É assim que eu sou.

Hoje não estou conseguindo
afastar os fantasmas.
Meu coração dói...
.
Suely Ribella ©

2 de jun. de 2007

ACQUERUGIOLA


Mi manchi. Semplicemente

come può mancare un sorriso

o una carezza.

L'illusione di qualcosa

di altrettanto semplice

e tiepido che non sia

lottare sempre.

Per vivere, per morire.

per ridere, per piangere,

per respirare o soffocare.

Miraggio di una notte

e sogni d'addormentato.

Non ti avevo mai perso

e tanto t'avevo cercato.

Fuoco di un'idea vera

acqua limpida sincera.

A quest'ora sarai lontana

canterà lo zampillo di una fontana.

Io d'amore mi vestirò

non mi riconoscerai, no.

1 de jun. de 2007

DE GATAS


com malícia
me perguntas tu
o que deseja o meu amor
ora, tu sabes
lês os meus olhos de água
e rondas o meu leito
de gatas
o que deseja o meu amor
e as tuas mãos acariciam
tratam e envolvem
no mesmo ritual satânico de sempre
e eu nada digo
apenas o brilho nos meus olhos
incendeia o teu desejo
e de gatas
me enlouqueces
como um animal

Atit Ordep

Foto de H S B J