30 novembro 2008
CHUVENDO AQUI DENTRO
Eu vejo um dia aberto
Acolhedor, esplêndido
E eu me pergunto
Por que seu coração
Insiste estar doendo
Qual o motivo da chuva
Que no seu rosto vai descendo?
(Ferina* Karolina B)
28 novembro 2008
26 novembro 2008
VOU FUGIR
Não tenho certeza...
Mas é hora
vou fugir
vou sair
achar outro lugar
outro endereço
sem memórias
sem histórias
que por fazer
me fazem
como essa
imensa cicatriz
Desço a escada
Olho a chuva
perco a voz
é a última vez
que a chuva desceu
na janela
da velha casa
que hoje
disse adeus
para mim
e minhas tralhas
eu tenho certeza...
...vencerei por mim
(ferina* Karolina B)
24 novembro 2008
NOVAS DESCOBERTAS

A cada dia,
uma nova descoberta,
uma impossibilidade...
Ainda ontem,
tive certa dificuldade
para executar algo
que fazia corriqueiramente...
Hoje percebi
que não ando bem
dos olhos,
estou enxergando mal...
aquelas rugas
que pensei fossem do espelho,
são minhas!
Talvez amanhã,
perceba que não estou bem
da cabeça...
porque te espero, ainda...
.
Suely Ribella ©
20 novembro 2008
GOSTO DE TI

gosto de ti
assim devagarinho
com tempo para saborear
o calor do sol no teu corpo
gosto de ti
despida de tudo
nua e crua
com um tempero de sal
gosto de ti
assim deitada
numa cama de espuma
e esse olhar distraído fixo no vazio
gosto de ti
quando não falas
e dizes tudo
com duas palavras e um silêncio
gosto de ti
quando dizes que gostas de ouvir
as palavras que já conheces
por isso digo sempre
gosto de ti
Atit Ordep
Foto de Duarte S.
assim devagarinho
com tempo para saborear
o calor do sol no teu corpo
gosto de ti
despida de tudo
nua e crua
com um tempero de sal
gosto de ti
assim deitada
numa cama de espuma
e esse olhar distraído fixo no vazio
gosto de ti
quando não falas
e dizes tudo
com duas palavras e um silêncio
gosto de ti
quando dizes que gostas de ouvir
as palavras que já conheces
por isso digo sempre
gosto de ti
Atit Ordep
Foto de Duarte S.
18 novembro 2008
JÁ NÃO TENHO FORÇAS
Não gosto da sua ironia.
Não gosto de suas amarguras.
Se a vida foi cruel com você,
cobre dela suas mazelas.
Não tenho nada com isto.
Já tive minha parte
de infelicidade na vida,
mas não a divido
com ninguém.
Agora quero amor,
poemas
e sorrisos receber.
E o mesmo
darei a você.
Mas afaste de mim
suas tristezas.
Já não tenho forças
para consolar ninguém.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil
Foto de Alba Luna
16 novembro 2008
MENTIRAS

Há pessoas que vivem vidas mentirosas,
acostumam-se a dizer que são felizes,
que a vida é um grande mar de rosas,
e acabam acreditando, infelizes,
que a felicidade é o que se tem,
e não aquilo que se sonha e almeja.
Não têm querer, desejos, se reprimem,
e falsamente propagam que vivem,
enumerando pessoas, situações,
alardeando qualidades que não têm,
contando fatos que não acontecem,
mentem para não tomar posições,
e de si próprios se esquecem,
até o dia em que cairão em si,
ou então, partirão desta pra melhor.
acostumam-se a dizer que são felizes,
que a vida é um grande mar de rosas,
e acabam acreditando, infelizes,
que a felicidade é o que se tem,
e não aquilo que se sonha e almeja.
Não têm querer, desejos, se reprimem,
e falsamente propagam que vivem,
enumerando pessoas, situações,
alardeando qualidades que não têm,
contando fatos que não acontecem,
mentem para não tomar posições,
e de si próprios se esquecem,
até o dia em que cairão em si,
ou então, partirão desta pra melhor.
Suely Ribella ©
14 novembro 2008
LIBERTINOS

demência pura
remete anseios libertinos
para as margens da sombra
no escuro
sussurra o vento invernoso
soltam-se os demónios
gritam os cativos
uivam os predadores
no fim
almas agonizantes
reclamam clemência
demência residual
sucumbe aos dias de fogo
resta uma ferida aberta na noite
contagiosa como a peste negra
Atit Ordep
Foto de Alexander Kharl
remete anseios libertinos
para as margens da sombra
no escuro
sussurra o vento invernoso
soltam-se os demónios
gritam os cativos
uivam os predadores
no fim
almas agonizantes
reclamam clemência
demência residual
sucumbe aos dias de fogo
resta uma ferida aberta na noite
contagiosa como a peste negra
Atit Ordep
Foto de Alexander Kharl
10 novembro 2008
O QUE FOMOS
Estou dissolvendo ruas
Que possam te trazer
Quebrando pensamentos
Pois não quero imaginá-lo
Congelei nossa imagem
E é isso que nós somos
A beleza de um momento
Somos um belo passado
Ferina*Karolina B
[foto de WunderMan]
08 novembro 2008
A TUA VOZ

A tua voz,
gravei
no meu subconsciente,
inconsciente
do mal que me faria
quando não pudesse
te ouvir...
A tua voz,
ouço sem escutar
a razão que me avisa
quando não falas
comigo...
A tua voz,
que alguém, talvez,
não goste,
não queira ouvir,
mande calar...
A tua voz
sensual, sonora,
única pra mim,
distante me embriaga,
no ouvido me arrepia...
Ah, quanto eu daria
para poder ouvir
sempre
a tua voz!...
.
Suely Ribella ©
07 novembro 2008
SOCORRO

Por favor,
me intercepte,
me interrompa,
me interrogue.
Faça-me viver.
Minha vida se desvanece,
foge pelas arestas,
escorre pelos vãos.
A noite me esconde
de minha própria alma.
Preciso de rimas,
de versos,
de amor.
Preciso de letras,
palavras,
frases,
de amor.
Preciso de ar,
calor,
de amor.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil
05 novembro 2008
MORTE E VIDA, BAILARINA
Oh! Não estou chorando
Só estou enxugando gotas
Dos conturbados pensamentos
Dos momentos inesquecíveis
Só estou fazendo preces
Para um mundo já perdido
Para a ave morta no chão
Só estou pensando na curta beleza do ser
Como a dança de um corpo morto
Como os pés de uma bailarina
Oh! Não estou sorrindo!
(Ferina* Karolina B)
Só estou enxugando gotas
Dos conturbados pensamentos
Dos momentos inesquecíveis
Só estou fazendo preces
Para um mundo já perdido
Para a ave morta no chão
Só estou pensando na curta beleza do ser
Como a dança de um corpo morto
Como os pés de uma bailarina
Oh! Não estou sorrindo!
(Ferina* Karolina B)
[link original da photo]
02 novembro 2008
FINADOS

Repenso mortos,
os que enterramos,
os que não pudemos nos despedir,
os que ainda não acreditamos
que se foram, não aceitamos,
os que nos fazem falta,
os que já foram tarde.
Repenso os mortos
que deixaram saudade,
os que não tiveram
os seus pra lhes enterrarem,
os que sofreram,
os que se foram de repente...
Repenso mortos,
os que são sempre lembrados,
os que ficam esquecidos,
os que ainda não sabem
que morreram
e transitam entre os vivos.
Repenso os mortos.
Repenso-me.
.
os que enterramos,
os que não pudemos nos despedir,
os que ainda não acreditamos
que se foram, não aceitamos,
os que nos fazem falta,
os que já foram tarde.
Repenso os mortos
que deixaram saudade,
os que não tiveram
os seus pra lhes enterrarem,
os que sofreram,
os que se foram de repente...
Repenso mortos,
os que são sempre lembrados,
os que ficam esquecidos,
os que ainda não sabem
que morreram
e transitam entre os vivos.
Repenso os mortos.
Repenso-me.
.
Suely Ribella ©
01 novembro 2008
DIGA, MÃE
Não quero te ver, minha filha
Na fragilidade de menina
Que separou o melhor perfume
E vestiu as mais belas pétalas
Para depois ser amassada
Nas mãos de um destino
Um quase homem vingativo
Rogando em ti a sorte
De ser como as mulheres
Que sofrem por amor
E logo perecem na dor
Nada disso Deus lhe permita
Pois te amo, minha filha
(Ferina* Karolina B)
[Link original da photo]
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