31 de ago. de 2010

DEPOIS DOS TEMPOS VÊM TEMPOS


num espaço no tempo
reside inerte o próprio tempo

o tempo do amor
o tempo dos sonhos
o tempo dos carinhos

tempo esse que permanece imóvel
dentro do seu próprio tempo
congelado na ingenuidade de uma criança

fora de tempo
foi perdida a virgindade
das ideias grandes e magnificentes

foi uma perda de tempo
dirás tu
mas foi um tempo com
amor, sonhos e carinhos

atrás dos tempos vêm outros tempos
digo eu

e um desses tempos será o meu

Atit Ordep

Foto de Ricardo Costa Vieira

26 de ago. de 2010

PORQUE SOU HOMEM



Agi como um menino

Me encantei pelos ricos detalhes
De um vermelho-sangue fascinante
Nos teus lábios

Nem por um por um segundo
Me pareceu dissimulada
Não, eu escutava somente
Suas lindas palavras

A sua boca bem desenhada eu beijei
Era a entrada da caverna do seu mal
Ignorei o abismo que enxerguei

Agi como homem

Ferina*KarolinaB

23 de ago. de 2010

DEPOIS DE UM "NÃO"



Eu vi o desenho de duas sombras
que dançavam sem se tocar
Era como se a lua os exibisse
Mostrando um jeito belo e solitário
De amar sem toques
Sem nunca estar próximo

Eu vi um espelho no céu
e dentro do espelho eu rezava
No mais alto penhasco ela via
que seus olhos eram estrelas da alma
E os cristais no rosto eram lágrimas
Que caiam sem direção

Eu vi pétalas no chão
E um corpo deitado sobre elas
vermelha era a cor da última flor
pousada nos lábios frios
De um último suspiro
que verteu depois de um "não"

Ferina*Karolina B

19 de ago. de 2010

FÊMEA


Vês a lua cheia?
Ouves, ao longe,
um uivo solitário?
É desejo,
é dor,
é agonia
de uma fera
saindo da jaula,
se perdendo
na noite,
a chamar por ti...
  

Suely Ribella ©  

7 de ago. de 2010

ME DERRETO



Ando

Fazendo de mim

Zelando pela parte
Que me cabe


Cuido

Que o círculo de fogo

Comporte ao redor
Pequeno
corpo desprezado

Mantenho

Intacta as mãos geladas
Que tocam peles quentes
-distâncias calculadas -

Meu frio
Escarnecedor

É um submundo

Perto, íntimo, louco
-sem permitir- o calor

Ferina*Karolina B

3 de ago. de 2010

INFELIZ


Quantas noites já passei
abraçada ao travesseiro,
a chorar quieta e sozinha
até o sono chegar!
Quantas manhãs levantei
desiludida e alquebrada
sem ter dormido um instante,
só meu Deus sabe o porquê.
Se amanhã eu não acordar,
saiba que mais uma vez,
com pena de mim fui dormir
com saudade de você.
.
Suely Ribella ©