31 de out. de 2007

A MORTE DOS MEUS POETAS



Quero amanhecer
Estou anoitecendo
Meus amores se foram
Meus poetas despenaram
A loucura desposaram
E esse foi triste fim
Quero amanhecer
Abra a janela eu quero ver
Os olhos, aqueles diamantes
Os lábios ansiosos, cortantes
Pelo verso que acabou de escrever
Meus poetas se despenaram
Grandes obras soltas no mundo
Sem mãe que diga "Vem!"
Sem pai que diga "Amém!"

(Ferina*Karolina B)

28 de out. de 2007

VENTO



Não lhe abandonei
Meu coração bate
Fica mais escarlate
Quando bate "você", "você"
Estou redundante
quando digo coração, você
Tremo as peles
É o meu sofrer
Querer e não tê-lo perto
Espere e vou aprender
Este sentimento confuso
Você e confuso é redundante
Este é o meu parecer
Tremer as peles de medo
Isso me faz aprender
O vento me beija
Queria que fosse você

(ferina*Karolina B)

26 de out. de 2007

SAUDADE


sentado na beira de uma janela
no alto de um dia soalheiro
observo a espuma do tempo
a rebentação das ondas nas rochas costeiras

sinto a brisa húmida
afagar-me o rosto
não tenho mais lágrimas para chorar
não tenho os teus olhos para mergulhar

miro o horizonte e olho para nada
é o vazio nos meus olhos
deixado pela tua partida
é o tempo da saudade
que o mar me traz

no alto do forte do Pai Mogo
avisto os dias avulsos
de perdas e desencontros
dias de saudade de ti

Atit Ordep

Foto SCX

24 de out. de 2007

BUSCA INÚTIL


Gente
andando,
parando,
seguindo...
Rostos
sérios,
tristes
sorrindo...
Um vai e vem
sem fim...
E eu
andando
pra um lado,
pra outro,
às vezes parando
aqui e ali,
sempre olhando,
procurando,
buscando,
querendo,
encontrar
você!
.
Suely Ribella ©

22 de out. de 2007

SEM MARGEM


sem margem
por onde transbordar
o rio corre nas veias
como sangue espesso
vermelho e quente

sem margem
para duvidar
vive neste peito
um amor que arrasta
os dias para a loucura

sem margem
de erro
vive no fio da navalha
como um anjo proscrito
vivendo a eternidade
de um amor extraviado

sem margem
onde aportar
navega à vista de ti
invisível aos teus olhos
um amor verdadeiro
que nunca será revelado

sem margem
de dúvida
que acreditar não basta
para um sonho se realizar

Atit Ordep

Foto de Amanda

20 de out. de 2007

NEGAÇÃO


não
não, não e não
bem, não me parece
talvez não
mas quem sabe
acho que não
não sei que sentir
não, não me abandones
não, não te esqueci
não, não me deixes
aqui, só
não, não sei
acho que não te disse nada
não, de facto, não disse
só o trivial, não mais que isso
não quero mais
negar o que sinto
mas não sei
exactamente o que sinto
não, não sei
talvez, quem sabe
não terminou tudo assim
não, não sei
não te amo, não to disse
não, é verdade
não, não quero
e não sei
o que sentir
não estás aqui
não, nunca estás
não te decides
não sabes o que queres
não estás boa da cabeça
não, não chores
tu não sabes
mas tudo acabou
nunca tinha pensado nisso
eu não penso, existo
não para ti
não para o mundo
não para a vida
apenas existo na morte negada
pela existência deste amor
jurado até à morte
e sempre negado pela vida

Atit Ordep

18 de out. de 2007

ENGANO


Vamos fazer de conta que...
tudo é real
Você diz que me ama
Eu digo que te amo
Você me engana
Eu te engano
Nos nós enganamos
Mas não importa
Tudo é passageiro
E acaba ligeiro
E novos parceiros
Vamos encontrar
E assim seguiremos
Dois vazios de coração
Dois incapazes de...

O verdadeiro amor enfrentar.

.Ferina*Izil*

16 de out. de 2007

SOB O SIGNO DA LOUCURA


Se eu vivesse em outra época,
com certeza eu seria,
em uma fogueira queimada
como se praticasse bruxaria

Meu fascínio por Alquimia
me faria padecer
sob o signo da loucura
me atariam a uma cruz

Meus sentidos aguçados
Faz-me tudo desvendar
Ouço o som dos imortais
Com os quais oriento a vida

Sei segredos seculares
Tenho formulas milagrosas
Posso ler pensamentos
E saber sentimentos

Minha sina é pesada
É difícil disfarçar
Mais difícil e não pensar
nos segredos do universo

Sei o porquê do brilho das estrelas
Sei por que geme o mar
Enlouquece-me quando o vento
Traz ruídos seculares

Sei de tudo e de todos
E como tudo é fascinante
Pois são segredos tão diversos
Que povoam tantas mentes.
.
Ferina*izil*

14 de out. de 2007

CHUVAS



Enquanto lá fora chove,
em mim, lágrimas caem...
Há sempre sonhos em nós...
.
Suely Ribella ©

12 de out. de 2007

NA TUA VOZ


na tua voz
vive o meu sonho
de criança feita homem
ouço o teu cabelo
roçar nos teus ombros
ouço a rebentação das ondas
no meu peito
quando dizes o meu nome
de uma forma
imersa em sedução

na tua voz
cabe todo o meu desejo

na tua voz grave e cativante
vive o meu choro
de criança perdida
que se ouve como ruído de fundo
de um filme antigo

Atit Ordep

10 de out. de 2007

MUNDO MUNDANO



Ela não queria aquele destino,
Queria engana-lo
Não queria isto que a vida lhe

tinha reservado,
tudo lindo, limpo, suave,
Extremamente correto,
Ela não queria este caminho.
Queria sim provar o outro lado,
O sujo, o feio, o errado, o profano.
Ela queria saber a diferença
entre os dois mundos,
Queria sentir outras emoções,
outros prazeres,
que seu mundo não permitia.
Ela precisava experimentar
aquele outro lado
para descobrir em qual
dos lados poderia ser feliz,
O que ela não sabia era
que uma vez naquele mundo,
dele não haveria como sair
Naquele lado não tinha escapatória.
Ali ela provaria a tentação
e uma vez tentada
saída nãotinha mais.
Ela se tornaria uma viciada
no lado mundano da vida,
O lado profano.
E ela... provou
E ela... gostou.

Ferina*izil*

8 de out. de 2007

PODE SER ALUCINAÇÃO



Somente nós dois sabemos de nós
Temos nossos segredos
guardados a sete chaves
Somos dois entrelaçados
Nossos destinos estão cruzados
Entre eu e tu pode
haver apenas uma paixão
ou não!
Pode ser coisa de pré-destinação
Pode ser mais do que isto...
Pode ser alucinação
...
.
Ferina*izil*

6 de out. de 2007

TEU ROSTO


teu rosto
esfuma-se em formas difusas
no baú das minhas memórias.
como uma velha foto
uma imagem antiga, sumida
o que resta de ti.
quando quiser recordar
os contornos do teu rosto
estes traços apagados
não me lembram ninguém
e tu poderás ser qualquer pessoa
que eu queira reviver
na ilusão de uma vida
infecunda.
a alucinação do amor
sucumbe ao poder da eternidade
dos dias feitos anos
dos anos feitos apocalipse.
O cataclismo das almas desonestas.

Atit Ordep

4 de out. de 2007

A VIDA LEVA...


A vida, às vezes, nos leva
para onde queremos ir,
mas, nem sempre a vida nos leva
com quem queremos seguir...

Vamos, que nos leva a vida,
e vamos a vida levando,
qual paralelas, na vida
seguindo e não se encontrando...
.
Suely Ribella ©

2 de out. de 2007

O AMOR NÃO TEM COR


para Crónica

o amor não tem cor
é cego
o amor é dádiva
de sensações e cheiros
de festa
de fogo de artificio

o amor não tem cor
tem som
de palavras doces ou ácidas
de arfares descontrolados
de sussurros na noite

o amor não tem cor
tem imagens
de corpos nus
de pernas e braços entrelaçados
de rostos e beijos
a preto e branco
numa escala de cinzentos infinita

o amor não tem cor
tem-te a ti
um coração enorme
um vulcão adormecido
uma gata no cio
uma vontade de agarrar a lua
e faze-la girar na tua órbita

mas o ódio e o preconceito
têm cor
pardacenta e suja
como as almas
que neles se consomem

Atit Ordep

Foto de Atit Ordep