29 de mai. de 2011

ACORRENTADA






Eu da vida quero mais

Quero muito aprender
Pois, de tudo que aprendi,
pouco prestou
Não andei por vias tortas
Não cometi grandes pecados
Nada sei do submundo
Não avancei nenhum sinal
Permaneci em meu invólucro,
Tive medo... Não rompi
Contive-me ou fui contida
Não provei, não senti
Nada sei do proibido
Fui vivendo acorrentada,
Sem quebrar elo algum
Acho que não vivi

Ferinaizil

25 de mai. de 2011

PAPEL EM BRANCO



Hoje me conformo
a dor nem sempre escreve
só tenho palavras ocas
provavelmente inférteis
eu não ouço a música
das letras inspiradas
Minhas musas,
belas como estátuas
dormirão sem serenata
pois o homem apaixonado
bebeu toda a garrafa
ficou tonto de tristeza
e adormeceu depressa
sobre um papel em branco

Karolina * Karolina B
.

21 de mai. de 2011

A ETERNIDADE



Há uma eternidade que não chega
e outra que não se faz...
Preciso de paz...
Não quero mais a eternidade
que é o tempo longe de ti.
Quero a paz que se faz
no instante eterno
em que nos teus braços estou...
quero a paz definitiva
da eternidade...
contigo...  
.

Suely Ribella ©

17 de mai. de 2011

ENTENDENDO A MORTE




Às vezes fico pensando

que a morte pode ser

um grande alívio para

as almas sofredoras

Mesmo não tendo

nenhuma certeza

de que ela traga paz

Eu entendo os poetas

que tão cedo morreram

foi o peso de uma vida

por demais amargura, 

sofrida


Ferina izil


13 de mai. de 2011

INTERPRETAÇÃO



Eu já disse,
mas sem pedir
pra você, amor
Vou repetir
que essa beleza
terna, gentil
eu possuo
mas não sei usar.
Fica cada vez
mais pobre
sem brilho
ou encanto
com o passar
dos anos.
Mas até hoje
eu não sei então
por qual motivo
vem me perturbar.
Se eu fico fora
de mim mesma
quando o desejo
ataca e aplaca
é porque enjaulada
não posso escapar.
Eu já disse
mas vou repetir
quem te adora
é esse corpo
pois a alma
anda a procurar
um toque
que ultrapassa
a pele.
É um jeito
certo de amor
que a paixão
não soube
interpretar.

Já te disse.
Ferina * Karolina B

9 de mai. de 2011

LIÇÕES

Aprendi a não confiar,
não dar um passo
sem antes ver onde vou pisar,
aprendi a desconfiar
do que me dizem,
principalmente
quando bem me tratam,
e se estão à distância
e não posso olhar nos olhos.
Aprendi que as pessoas
são do jeito que são,
e que devo olha-las
com os olhos atentos
e não com o coração distraído.
Esqueci de aprender
a não gostar de você,
talvez por você ser
exatamente do jeito que é,
igual a tantos,
e ao mesmo tempo,
único, sem igual.
.
Suely Ribella © 

5 de mai. de 2011

FINALMENTE A PAZ


procurei e não achei
o rasto dos dias da inocência
a chama das tardes mornas
as promessas de chuva
e não te vi mais
talvez nunca tenhas existido
ou talvez eu tenha sonhado
os dias agora são calmos
a água corre e purifica
o meu corpo agora renascido
não te procuro mais
deixei o vento levar as folhas mortas
e os jardins parecem mais limpos
vesti-me de branco
levantei os braços e olhei os céus
alguém lá em cima me sorrio
decretou o fim do luto
deixou-me espreitar pelas janelas
para as ruas apinhadas de cheiros e sabores
abriu-me as portas para poder partir
e aqui cheguei finalmente
ao calor do teu colo
deixa-me agora sonhar



Atit Ordep



Foto de Alexandre Grand

1 de mai. de 2011

A NOSSA MÚSICA



Agora eu vejo
a nossa música
não parece
ser sobre nós
e eu me lembro
pesaroso
que o nosso amor
mais afinado
na voz de outro
dentro do rádio
podia ouvir.
Ainda me lembro
o que sentia
além do tempo
depois de tudo
a mais ousada
sempre a mais bela
vou dizer, "era"
a nossa música.

Ferina * Karolina B