21 dezembro 2008

FELIZ NATAL, MEU AMOR...


Nós dois distantes...
Estarei pensando em você,
igual a tantas vezes...

Pensando e desejando
que você tenha
o melhor dos Natais...

E se uma lágrima teimosa
escorrer pelo meu rosto,
será igual a tantas vezes...

Quando penso em você,
fica difícil
conter a emoção...

Tantas vezes
lhe desejei Feliz Natal
e você nem soube...

Explicar o que,
se nem eu mesma
sou capaz de entender?!

Feliz Natal... meu amor...

.
Suely Ribella ©

20 dezembro 2008

MUNDO VAZIO


Marcas,
sinais,
tatuagens,
cicatrizes
tenho
em
meu corpo.
Amor,
paixão,
dor,
saudades
tenho
em
meu coração.
Vazio
tenho
em
meus braços.
Tristeza
tenho
em
meus olhos.
Frio
tenho
em
meu mundo.
.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina izil

15 dezembro 2008

IERI TI HO INCONTRATA


Dormivo sdraiato lungo la spiaggia
quando tu mi sei apparsa, selvaggia
e indomita, nella tua grande beltà,
ti ho incontrata davvero, realtà
di un sogno erotico che mi turba.
Non ci sei più, perchè vuoi fare la furba?

Io con te sono stato il più sincero
possibile ed è proprio davvero
che ti volevo conoscere presto, dal vero,
stringerti di notte sotto il cielo nero.
Illuminato solo dalle tue risate
e dalle tue belle labbra bagnate.

Il cuore batte ancora forte,
forte, ma la realtà è brutta
tu non ci sei più, non torte
per festeggiare e non frutta,
ma riso amaro e crudo
per me che son solo e nudo.

Tornano i grandi bastimenti
che lo facciano i tuoi sentimenti.
.

Ferini*Lancil*

11 dezembro 2008

LUTA


Você fica escondido,
perdido
em meio a brigas
antigas
entre o coração
e a razão...
Você não aceita
e rejeita
o que sente
e mente
pra você,
por quê?!
Você se conhece,
emudece,
receia,
anseia,
se afasta,
se agasta,
pensa,
repensa...
Você fica sem jeito,
lhe dói o peito,
não quer se soltar,
se entregar,
prefere sofrer
a viver...
Você vai ficar
assim,
sem mim,
lutando,
até quando?!

Suely Ribella ©

09 dezembro 2008

INTERRUPÇÃO INVOLUNTÁRIA


na sucessão da vida
os dias perfilam-se infinitos
cada dia tem uma noite
cada noite tem um dia
tudo numa sequência comum

as estações sucedem-se
e a chuva alterna com os dias esplendorosos
o amor vai e vem
e por vezes fica
por vezes dói
outras liberta
faz rir mas também faz chorar

tudo se passa rotineiramente
até que um dia reparas
que a noite não vai ter um amanhecer
a escuridão pode não acabar
o que dói permanece
as feridas não saram
e o choro é contínuo

reparas agora
que as prioridades são outras
e a sequência dos dias infinitos
foi abalada
e o amor perdeu a razão
sem a vida que o sustenta

Atit Ordep

Foto de Pedro Martins

03 dezembro 2008

PERPLEXO



Este é um poema
sem nexo,
nem côncavo,
nem convexo,
não fala de sexo,
é apenas reflexo
de um palavreado
complexo,
desconexo
e circunflexo...

A você,
que leu perplexo,
deixo aqui
em anexo
meu caloroso amplexo...
.
Suely Ribella ©

30 novembro 2008

CHUVENDO AQUI DENTRO



Eu vejo um dia aberto

Acolhedor, esplêndido


E eu me pergunto


Por que seu coração


Insiste estar doendo


Qual o motivo da chuva


Que no seu rosto vai descendo?



(Ferina* Karolina B)

26 novembro 2008

VOU FUGIR




Não tenho certeza...

Mas é hora
vou fugir
vou sair
achar outro lugar
outro endereço
sem memórias
sem histórias
que por fazer
me fazem
como essa
imensa cicatriz

Desço a escada
Olho a chuva
perco a voz
é a última vez
que a chuva desceu
na janela
da velha casa
que hoje
disse adeus
para mim
e minhas tralhas

eu tenho certeza...

...vencerei por mim

(ferina* Karolina B)

24 novembro 2008

NOVAS DESCOBERTAS


A cada dia,
uma nova descoberta,
uma impossibilidade...
Ainda ontem,
tive certa dificuldade
para executar algo
que fazia corriqueiramente...
Hoje percebi
que não ando bem
dos olhos,
estou enxergando mal...
aquelas rugas
que pensei fossem do espelho,
são minhas!
Talvez amanhã,
perceba que não estou bem
da cabeça...
porque te espero, ainda...
.
Suely Ribella ©

20 novembro 2008

GOSTO DE TI


gosto de ti
assim devagarinho
com tempo para saborear
o calor do sol no teu corpo

gosto de ti
despida de tudo
nua e crua
com um tempero de sal

gosto de ti
assim deitada
numa cama de espuma
e esse olhar distraído fixo no vazio

gosto de ti
quando não falas
e dizes tudo
com duas palavras e um silêncio

gosto de ti
quando dizes que gostas de ouvir
as palavras que já conheces

por isso digo sempre
gosto de ti

Atit Ordep

Foto de Duarte S.

18 novembro 2008

JÁ NÃO TENHO FORÇAS




Não gosto da sua ironia.
Não gosto de suas amarguras.
Se a vida foi cruel com você,
cobre dela suas mazelas.

Não tenho nada com isto.

Já tive minha parte
de infelicidade na vida,
mas não a divido
com ninguém.

Agora quero amor,
poemas
e sorrisos receber.

E o mesmo
darei a você.

Mas afaste de mim
suas tristezas.

Já não tenho forças
para consolar ninguém.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

Foto de Alba Luna

16 novembro 2008

MENTIRAS


Há pessoas que vivem vidas mentirosas,
acostumam-se a dizer que são felizes,
que a vida é um grande mar de rosas,
e acabam acreditando, infelizes,
que a felicidade é o que se tem,
e não aquilo que se sonha e almeja.
Não têm querer, desejos, se reprimem,
e falsamente propagam que vivem,
enumerando pessoas, situações,
alardeando qualidades que não têm,
contando fatos que não acontecem,
mentem para não tomar posições,
e de si próprios se esquecem,
até o dia em que cairão em si,
ou então, partirão desta pra melhor.
Suely Ribella ©

14 novembro 2008

LIBERTINOS


demência pura
remete anseios libertinos
para as margens da sombra

no escuro
sussurra o vento invernoso
soltam-se os demónios
gritam os cativos
uivam os predadores

no fim
almas agonizantes
reclamam clemência

demência residual
sucumbe aos dias de fogo
resta uma ferida aberta na noite
contagiosa como a peste negra

Atit Ordep

Foto de Alexander Kharl

10 novembro 2008

O QUE FOMOS



Estou dissolvendo ruas

Que possam te trazer

Quebrando pensamentos

Pois não quero imaginá-lo

Congelei nossa imagem

E é isso que nós somos

A beleza de um momento

Somos um belo passado


Ferina*Karolina B


[foto de WunderMan]

08 novembro 2008

A TUA VOZ


A tua voz,
gravei
no meu subconsciente,
inconsciente
do mal que me faria
quando não pudesse
te ouvir...
A tua voz,
ouço sem escutar
a razão que me avisa
quando não falas
comigo...
A tua voz,
que alguém, talvez,
não goste,
não queira ouvir,
mande calar...
A tua voz
sensual, sonora,
única pra mim,
distante me embriaga,
no ouvido me arrepia...
Ah, quanto eu daria
para poder ouvir
sempre
a tua voz!...
.
Suely Ribella ©

07 novembro 2008

SOCORRO

Por favor,
me intercepte,
me interrompa,
me interrogue.

Faça-me viver.

Minha vida se desvanece,
foge pelas arestas,
escorre pelos vãos.

A noite me esconde
de minha própria alma.

Preciso de rimas,
de versos,
de amor.

Preciso de letras,
palavras,
frases,
de amor.

Preciso de ar,
calor,
de amor.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

05 novembro 2008

MORTE E VIDA, BAILARINA



Oh! Não estou chorando


Só estou enxugando gotas


Dos conturbados pensamentos

Dos momentos inesquecíveis


Só estou fazendo preces

Para um mundo já perdido

Para a ave morta no chão


Só estou pensando na curta beleza do ser

Como a dança de um corpo morto

Como os pés de uma bailarina


Oh! Não estou sorrindo!



(Ferina* Karolina B)

[link original da photo]

02 novembro 2008

FINADOS


Repenso mortos,
os que enterramos,
os que não pudemos nos despedir,
os que ainda não acreditamos
que se foram, não aceitamos,
os que nos fazem falta,
os que já foram tarde.
Repenso os mortos
que deixaram saudade,
os que não tiveram
os seus pra lhes enterrarem,
os que sofreram,
os que se foram de repente...
Repenso mortos,
os que são sempre lembrados,
os que ficam esquecidos,
os que ainda não sabem
que morreram
e transitam entre os vivos.
Repenso os mortos.
Repenso-me.
.
Suely Ribella ©

01 novembro 2008

DIGA, MÃE



Não quero te ver, minha filha

Na fragilidade de menina

Que separou o melhor perfume

E vestiu as mais belas pétalas

Para depois ser amassada

Nas mãos de um destino

Um quase homem vingativo

Rogando em ti a sorte

De ser como as mulheres

Que sofrem por amor

E logo perecem na dor

Nada disso Deus lhe permita

Pois te amo, minha filha



(Ferina* Karolina B)

[Link original da photo]

30 outubro 2008

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS


o mundo tem o tamanho
do teu pé
a culpa tem o tamanho
da tua mão

sinto-me esmagado
quando me pisas
sinto-me esmurrado
quando me acaricias

Atit Ordep

Foto de Varck

29 outubro 2008

ESTOU TÃO CANSADO


Estou tão cansado
mesmo moído
quase moribundo
quero fechar os olhos
sinto um formigueiro morno
percorrer os meus ossos
da cabeça aos pés
quero desfazer-me
deste corpo sem energia
desligar este cérebro
avariado
não pensar mais
nunca mais sonhar
não pensar em nada
nada, mesmo nada
entrar num vácuo
ser sugado por buraco negro
e desaparecer
para longe, longe
muito longe
de ti.

Atit Ordep

28 outubro 2008

A FELICIDADE


Você, amigo ou amiga, que me lê,
por acaso alguma vez
já pegou nas mãos um pouco de areia,
daquela bem fininha e sequinha,
e tentou segura-la toda?!
Já percebeu como não adianta?!
Os grãos, de tão finos,
escapam por entre os dedos,
sem que os consigamos deter...
Pois bem, assim é a felicidade,
se não a sua, ao menos a minha assim é:
como finos grãos de areia,
que se me escapam
sempre que a quero prender...
.
Suely Ribella ©

26 outubro 2008

FÊNIX



Hoje te vi.
Surpreendi-me,
pois nada restou
do meu amor.
Mais que amor,
era paixão.
E, como o vento,
passou.
Nada ficou.
Só indiferença.
Tua presença
nada me diz.
Tanto amor,
onde ficou?
Tanta paixão,
como acabou?
Ciclo da vida:
tudo transforma,
tudo renova.
Velho amor,
cinzas virou.
Não eras fênix.
E das cinzas
não vais
renascer.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil


25 outubro 2008

É MAIS UM DIA


é apenas mais um dia
igual ao dia anterior
igual ao dia de amanhã
é apenas mais um dia
passado, revisto e aumentado
é mais um dia, apenas mais um dia
de vidas atormentadas
girando em círculos inúteis
são beijos arquitectados
abraços pensados
vais fantasiar
é a mão que te afaga o cabelo
e que agarra a tua cintura
é a mão na mão
e o sol morno da tarde
no teu peito generoso
é um beijo terno
e um abraço fraterno
é o fim de um dia sonhado
é um dia imaginado
é um dia igual ao de ontem
é um dia igual ao de amanhã
é um dia, apenas mais um dia imaginário
de uma vida imaginária
e amanhã não vais pensar no passado
porque ele não existiu
foram dias chatos e cinzentos
que tu riscaste dos teus sonhos
e amanhã vai renascer o desejo
de um dia verdadeiro
de acordares com um beijo na nuca
e um desejo louco
de te entregares a outro corpo
que não o teu
mas vais acordar só
e ligar a televisão
comprar uma revista cor-de-rosa
e viver um dia virtual
igual ao passado
igual no futuro

Atit Ordep

24 outubro 2008

AS PALAVRAS TÊM PRAZO DE VALIDADE


as palavras têm prazo de validade
não as podes usar infinitamente
tens de pintar os nomes das coisas na pele
tens de usar as mãos para colorir os dias

o amor não vive só nas palavras
respira nos olhos da serpente
que se nos enrola no pescoço
e nos faz sentir
como um cubo de gelo
num corpo escaldante

as palavras do amor
têm vida para além dos escritos
são o repositório das músicas
presas no tempo dos acordes iniciais
de um sonho

não repitas mais as palavras do amor
porque gastas a tinta que pinta o sonho
não te ausentes mais do meu corpo
porque gastas o sentido das palavras

Atit Ordep

(Ferino num desatino)

23 outubro 2008

GUARDADOS


Seguimos pela vida
guardando coisas,
que bem poderiam
ser descartadas de imediato,
outras que sabemos de antemão,
não vamos precisar,
não vamos usar,
mas guardamos,
e vamos acumulando
sentimentos doentes,
desgastados,
e outros fantasiosos...
E vamos entulhando
os móveis, a casa,
o pensamento, o coração,
com coisas perfeitamente
dispensáveis,
e não percebemos
que a vida não anda, se arrasta,
devido ao peso
desses guardados...
.
Suely Ribella ©

22 outubro 2008

AQUI ESTOU DE NOVO


aqui estou de novo
no meio do povo
ordeiro, sereno
novas formas
de tiranias antigas
desfilam com o brilho
da modernidade

aqui estou mais uma vez
calado, humilde
inclinando a cabeça
afirmativamente
satisfazendo caprichos
dos novos soberanos
com cauda e chifres

Atit Ordep

Foto de Bernardo Coelho

21 outubro 2008

REPLAY



dentro desta caixa
de sons e imagens
onde vivemos
contemplo rostos gravados
em horário nobre
assisto a histórias novas
baseadas em velhos argumentos
agora a cores

nesta reposição
de um antigo êxito
a imagem foi retocada
e as cenas cortadas
voltaram ao seu lugar
com uma banda sonora de sonho

não consigo visualizar
quem fora desta caixa
detém o telecomando
que controla a nossa vida
queria pedir-lhe para carregar
na tecla do Replay

Atit Ordep

20 outubro 2008

NO SOLO PROFUNDO



Terras guardam no subterrâneo

O que dizem ser fonte de vida


No inferno é o mel das feridas


No céu é vinho de nenhum sabor


Encontrei-a no poço mais escondido


Cavando em versos transcritos de dor


Pra essa água digo "Não! Por favor!"

E esse meu grito desde o céu ecoou


(Ferina * Karolina B)


[Foto de Martin Kovalik
]