24 julho 2008

O MEU AR


Tão má eu sou que hoje pensei
em ver-te morto,
e um sorriso sarcástico esbocei,
não foste meu,
e uma vez morto,
já não serás de mais ninguém...
Tentei fechar o pensamento,
o ar já me faltava...
de alguma forma és meu...
Então sou má e egoísta,
quero-te vivo,
pois se fores, levas contigo
o ar que eu respiro...
.
Suely Ribella ©

23 julho 2008

ESQUECIMENTO (A PAZ INFANTE)



A inocência poderia ser mais
presente ao invés de passado
Mas na maioria do tempo
Brincamos com tantas verdades
Mentimos sobre nossas vontades
Meu eu, sem eu, descontente
Suportando o evidente caos
De ter esquecido como é a paz
Assim perdemos o deslumbre
Da paz infante

(ferina * Karolina B)

22 julho 2008

POUSAR





Sinto que estou caindo

Estou chegando aos seus pés tão frios
Quando esbarrar me levante
Ficarei olhando um instante
Para os seus olhos brilhantes
Uma esperança que eu nunca tive

Sinto que estou caindo
Não tenho mais asas para pousar
Não tenho impulso para voar
Espero que me recolha com duas mãos em concha
E não desista de me acalentar
Até que eu consiga abrir os olhos

Estou aqui caído
O chão frio reconhece meu corpo
Espero poder sentir o seu gosto
Logo tomarei novamente o ar
Mas o doce sono seduz em lembranças
Agora estou em profunda discórdia
Dormir e acordar
Pousar ou voar

(Ferina * Karolina B)

foto: [link original]

21 julho 2008

O PECADO

De novo,
nossa mente
surpreende-nos.

É o perigo rondando
nosso presente,
nosso futuro.

O pecado nos faz
arriscar a pele,
pelo prazer.

Mas somos mascarados.

Não podemos nos perder,
nem riscos correr,
nem dos limites sair.

Somos ferozes,
ameaçadores.

E vamos quebrar
as amarras de nossa mente.

Esqueceremos dos perigos
e penetraremos no prazer.

Eu e você...

Vamos pecar
e feliz seremos.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

foto guy berthier

20 julho 2008

S.O.S.


Sinto ainda em minha boca
o gosto dos teus beijos,
e em meu corpo
o prazer dos teus carinhos...
Sinto o calor das tuas mãos...
Ah, Como eu queria
estar contigo agora!
Tenho fome, tenho sede,
que só teus beijos,
teus carinhos,
só tu, mais ninguém,
podes matar...
Vou morrer de fome e sede
porque não vens me socorrer...
.
Suely Ribella ©

19 julho 2008

DILANIATO DA UNA FIERA


Intrappolato con gusto,
passione al momento giusto.
Sorrisi e ammiccamenti
così passavamo i nostri momenti.
Poi vennero i litigi
le incompresnioni.
Le tue Gelosie.
Poi ti sei trasformata da
Angelo
in Arpia.
In una bestia feroce.
Mi hai squarciato
il torace e il ventre

mentre
il mio sangue bevevi
con le unghie graffiavi
il mio cuore
per aggiungere
ancor più grande il dolore.
Le tue urla

di godimento

sovrastavano
le mie deboli e inconsistenti.
Grande la ferita
la mente spenta
il cuore a brandelli.
Non contenta mi hai
voluto umiliare.
MI cercavi e non ti facevi
più trovare.
Mi hai anche affiancata una
tua spia. Hai tramato...
VOLEVI AMORE..
TE L'HO DATO...TANTO!
Non ti bastava
volevi il mio sangue.
Ed ora che sono morto
che nulla, conto più,
per te, moglie
io torno e se anche
hai sfracellato il mio corpo
non avrai mai, ormai
la mia mente.
Non cerco vendetta
ma solo verità
e giustizia.
In questo mondo
di ladri e assassini
io grido viva l'amore...
senza distanze, senza mari
o oceani,
l'unico collante
del genere umano.
C'è la luna in cielo
notte splendida per morire
t'illumina il cammino.
CHIUDI LA PORTA
SBARRA LE FINESTRE
Potrebbero arrivare anche
gli spirti del mal
evocate..lontano..lontano....

18 julho 2008

O QUE DIZER PRA QUEM VOOU



O que dizer pra quem voou?
Dos suplícios da saudade?
Que hoje bordei seu nome?
Da vantagem de tê-lo longe?
Das maldades de tê-lo perto?
Que adotei os seus vícios?
E a razão não parece certa?

Vou dizer pra quem voou...
Que tuas asas são tão grandes
(os ternos momentos de amizade)
Estão batendo a vontade
Na mesa, cama e banho
Do meu dia, sempre estranho
Sempre tão organizado
Você e sua bagunça

Pra onde você voou?!

(Ferina * Karolina B)

17 julho 2008

MINHA BUSCA


Há milhares de anos
venho renascendo

e, em todas minhas vidas,
venho te procurando.

Não sei se vou te encontrar,
nem sei se és verdadeiro.

Não consigo te descobrir.

Teu disfarce me engana.
Não consigo te ver
por debaixo desta máscara.

Não consigo chegar
em teu coração.
Não me deixas te alcançar.

Estás sempre em movimento.
Estás sempre em outro lugar.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

16 julho 2008

OS OLHOS DA NOITE



Os olhos da noite
me espreitam,
vigiam meu passos,
meus pensamentos,
invadem os espaços
dos meus sentimentos,
são olhos devassos,
me trazem tormentos...
os olhos da noite
me impedem
de estar em teus braços,
me roubam momentos...
.
Suely Ribella ©

15 julho 2008

TUA BOCA SABOR DE MAR


a tua boca sabe a mar
largueza de sensações
distâncias navegáveis

à roda de ti
velejam caravelas
naufragam marinheiros

tua boca
engole o azul do céu
e o verde do mar
num festim louco
de corações sentidos

Atit Ordep

Foto de Micael Santos Dourado

14 julho 2008

MEDO QUE MATA



Quantos sorrisos
quando a vontade é chorar,
quanta amargura silenciosa
quando a vontade é gritar.

Gritar para o mundo
a dor do medo de sentir
a “dor da paixão”.

Mas cuidado, porque
o amor não pede licença.

Quando quer chegar,
ele vem e penetra no coração,
passa por cima dos medos
e nos faz delirar
entre a loucura
e a sanidade,

tornando-nos valentes...
tornando-nos covardes...

Mostrando-nos
a outra realidade,
aquela que escondemos.

E, neste instante maior,
neste instante de paixão,
nós ficamos desarmados,
sem abrigo, inseguros.

Há os que se acham fortes
e lutam contra este amor,
arrancam-no do peito,
tornando-se ocos,
vazios, tristes.

E assim passam pela vida
e se arrependem.

Mas aí...
a vida já acabou,

restando só
“lamento”

e

“dor”...

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

13 julho 2008

CERTAS HORAS


Há certas horas
em que muito dizemos
e nada falamos.

Há certas horas
em que nada dizemos.

Não é preciso:
tudo se explica
no silêncio
dos nossos olhos.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina *izil*

12 julho 2008

SOFRIMENTO...


Insustentável
a ausência,
o afastamento...

Indecifrável
o código,
o comportamento...

Inexplicável
a dor,
o sentimento...
.
Suely Ribella ©

11 julho 2008

ESPEREI



Eu esperei
Cultivei dores
Tomei água, colhi uvas, desamores
Cheirei as rosas enviadas
Chorei nas cartas de amor
Virei o homem da casa
Tirei leite das vacas
Domei seu cavalo negro
Cavalguei...

Cheguei
Andei no pasto
Sentei no monte,
deitei na rede, desgasto
Tirei seu prato vazio
Queimei as cartas passadas
Vendi sua melhor vaca
Seus pastos, sua morada
Montei no cavalo negro
Te deixei...

(Ferina * Karolina B)

09 julho 2008

CADA UM


O tempo vai passando
e vamos ficando,
quem sabe,
perdidos
no passado, esquecidos
de cada um de nós...
O tempo passa
veloz!
Relógios, desmontem!
O tempo foi ontem,
é hoje, é depois...
somos um,
somos dois...
Cada um
é cada um,
é nada,
é nenhum...
.
Suely Ribella ©

08 julho 2008

MEUS FANTASMAS

Sou assim, meio iludida.
Tenho fantasias,
crio amores,
paixões...
e finjo que são reais.

Vivo num mundo
que beira a loucura,
querendo tornar
meus sonhos reais.

Busco, de todas as maneiras,
encontrar em alguém
algum sinal
de que meus sonhos
possam ser reais.

Se existe,
eu não sei.

Mas, se não encontrar,
não me importo mais.

Vivo feliz
com meus fantasmas,
pois eles me compreendem
e me dão paz.

Ferina izil
.
Artesãdaspalavras | izilgallu

06 julho 2008

VERSOS NÃO LIDOS




São versos ou mesmo trilhos
São caminhos onde ninguém pensou

Pensamentos onde ninguém andou

Passaram desapercebidos
Donos de tantos brios

Não choraria tantas páginas
Se houvesse lido as tuas lágrimas

(Ferina * Karolina B)

05 julho 2008

FLORES REFUGIADAS



Ah Ele quer a paz tão desejada
De infinitas sensações amadas
Quer a pomba branca no peito

A neve, a tempestade e o frio
Cair no monte e dormir pra sempre
Perder a consciência da guerra

Ganhar a ilusão de mil vidas
Quer anunciar a primavera
Das flores refugiadas

Ganhar o último abraço na terra
E o primeiro beijo no céu
Contar aos fantasmas as sagas

De um herói esquecido
A neve, a tempestade e o frio
Da mais triste jornada humana


(Ferina* Karolina)

Imagem site thirdover4

04 julho 2008

INSISTÊNCIA


Insisto.
Persisto.
Não desisto.
Ainda vou conseguir
encontrar.
E quando encontrar
vou agarrar
com unhas e dentes,
não vou mais soltar,
não vou deixar
escapar
de mim,
a felicidade.
.
Suely Ribella ©

03 julho 2008

DURANTE O SALTO



Naquele instante, um anjo aparece?
Imagino que explique meu triste fim

Acompanha a queda, segura minha mão
Abre seus enormes olhos de bondade

Dentro deles vejo o futuro sem mim
...E o vento batendo contra a pele

A sensação de liberdade no impulso
De saltar, temer, arrepender-se

De repente voar para a direção errada
E o ser que ainda acompanha

Minha fuga repentina, escapo dos braços
Da vida, restou o gesto de despedida

O anjo desprende a mão da minha:
"Até aqui." ele diz, "até aqui?"

Então acordei do sonho e entendi
que aquele salto levava a nada

E do quarto escuro ao frio da madrugada
Desisti do salto e desci pelas escadas

(Ferina*Karolina B)

02 julho 2008

O DIÁRIO NEGRO


É que estou me sentindo morta
E o que está vivo já não quer mexer
O que levanta são apenas pálpebras
Mas a verdade é que não posso ver

Gosto do incerto mas estou errada
Tenho medo de me encontrar
É bom sair as vezes do limite
Para ouvir, entender, gritar

Estou com medo de comprar as rimas?
Alguns criticam, tiram sarro, correm
Para contar que estou verde ainda
Versos quebrados, quero, logo morrem

É que estou me sentindo morta
Versos soltos são um burburinho
Essas palavras sem cor ou domínio
Vão seguindo sem ver o caminho

Ferinos sabem do diário negro
Onde escrevem o reflexo d'alma
Abrem o peito e discorrem tudo
Acham no verso o risco da palma

Ferinos sabem...

(Ferina * Karolina B)

01 julho 2008

PEQUENAS COISAS RESPONSÁVEIS PELA FELICIDADE DAS PESSOAS QUE VIVEM NO MUNDO ACANHADO DOS SENTIMENTOS INVENTADOS HÁ MUITO TEMPO PELO POETA FORJADO…


ele, agarrou-a por trás
beijou-lhe a nuca
cheirou o seu pescoço
e sussurrou-lhe algumas palavras

ela, colocou-se em posição fetal
e fechou os olhos
deixou o calor do outro corpo
cobrir o seu corpo descontraído

eles, pararam o tempo
penduraram o sol no céu
e as aves nos beirais
abriram uma janela do mundo
para que corresse uma suave brisa

ele, segurou-lhe os seios
e disse-lhe que queria ser uma criança
brincar com os seus cabelos e ser amamentado

ela, segurou-lhe a cabeça
com força entra as pernas
e fechou os olhos
imaginou as aves no céu
e o sol nos beirais

ele, levantou a cabeça
olhou-a nos olhos
agarrou-a pelo cabelo
e arrancou palavras da sua boca
e deixou-as escorrer pela língua

eles, estenderam os corpos ao sol
deixaram as mãos procurar as cores do céu
os olhos semicerrados sentirem o som do mar
cada um abraçou os dias feitos de sabores

pequenas coisas
guardam a chave do sonho
pequenos gestos
guardam o segredo da vida

Atit Ordep

Titulo completo do poema:

Pequenas coisas responsáveis pela felicidade das pessoas que vivem no mundo acanhado dos sentimentos inventados há muito tempo pelo poeta forjado na amargura dos dias solitários.

27 junho 2008

BRINCANDO DE AMAR



Meu peito não está oco
Ouvindo o próprio vazio
Te ouço aqui dentro
Quase como um ruído
Quase como canção
Te ouço fazendo algazarra
Brincando de morar
No mundo que construí
Sinto que estás de castigo
Sentado no banco
Tocando seu violão
A música certa liberta
O homem aprisionado
Coberto de tantas razões
Mas eu deixei a certeza
Quando o fechei de repente
No breu do destino
Sentado no banco
Tocando oração

(Ferina* Karolina B)
para o blog FF, o mais lindo da web!

26 junho 2008

PEQUENO HOMEM (1)

PEQUENO HOMEM (1)

O pequeno homem é o
que não tem coragem,

esconde-se em suas
falsas palavras.

.

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PEQUENO HOMEM (2)

O pequeno homem é
aquele que subiu,
escalou,

para fugir dos próprios medos
que deixou aqui embaixo.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (3)

O pequeno homem é
aquele que não fala,

não escreve, pois teme
e tem sempre que se
esconder atrás da
pedra do sapato.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (4)

O pequeno homem não é
o anão, é o gigante que,
covarde, finge-se de morto.

.

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PEQUENO HOMEM (5)

O pequeno homem
se mantém
à distância,

usando a dor,
o medo,
a falsidade
como escudo.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (6)

O pequeno homem
é aquele que usa
uma tela,
uma máscara,

para tentar provar
que é real.

.

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Ferina Izil

25 junho 2008

NOITE MALDITA


A madrugada veste
o morto profano.
Espalha suas teias,
prendendo os incautos.
Na escuridão dos estreitos,
espreitam-se aqueles
que possuem veneno.
Tudo dilaceram
com sua fome de pecado.
São profanos.
São obscuros.
Crimes e batalhas
são travados
nas sombras.
Assim é a noite maldita:
cruel,
crua
e nua.
Sem máscaras.
Sem luz.
Sem lua.

artesãdaspalavras

izilgallu


.
Ferina *izil*
foto de Vitor Cid

23 junho 2008

OUTRA VEZ


outra e outra vez
a dor acorda comigo
ao nascer do dia
vezes sem conta
os dias são recontados
sempre iguais
mas com palavras diferentes

uma e outra vez
as imagens sucedem-se
dentro da minha cabeça
um filme mudo
gasto pelo tempo
uma reposição diária
de um drama antigo
retocado com mágoas
a cada dia que passa

vezes sem conta
penso em ti
e tento lembrar o dia
em que deixei de te amar
o último beijo, o último adeus
o último olhar, o último cheiro
da chuva no corpo

todos os dias adormeço
na ansiedade
de contar uma história diferente
onde eu acredite que existo
para além mim
que não sou prisioneiro
da memória de um amor
que não existe mais

Atit Ordep

Foto de Bernardo Coelho

21 junho 2008

ALMA


Fica contigo,
plenamente só,
quase pó,
tu e teu corpo
frio,
vazio.
Tenho-te a alma
na palma
da minha mão
fechada
encolhida
trancada,
para por,
dispor,
como quiser.
Tenho-te a alma,
roubei,
não devolverei,
não pequei,
é minha,
são minhas
as almas
dos que amo.
.
Suely Ribella ©

19 junho 2008

MEU NOME



Eu poderia partir agora
e para ti não poderia deixar
qualquer parte de mim,

pois nada mais me resta.

Não sou mais eu mesma.
Não existo mais.

Não ficaram registros
em minha mente
dos retalhos felizes
de nossa vida.

Não me lembro
se algum dia me fizeste feliz,
se algum riso trouxeste,
se algo de bom tu me deste.

Se parto hoje,
levo apenas
meu nome

e nada mais.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

17 junho 2008

LEI M'HA LASCIATO


DONNA SE T'HO FERITA
NON FECI APPOSTA

DONNA TU M'HAI
SQUARCIATO IL CUORE

MI HAI LASCIATO
DI SASSO

HAI SPENTO UN PULSANTE
ED HAI UCCISO LA MIA SPERANZA

NON SO NEMMENO PERCHE'
ANCHE SE LO POSSO IMMAGINARE.

NON DORMIRO' STANOTTE
PENSERO' A TE........ VICINO AL MARE.

Ferino*colanget*
foto de Tiago Felipe

15 junho 2008

PALAVRAS


palavras
morrem na praia

queria dizer tantas palavras
mas nada sai da minha boca
nem um som, nem um gemido

apenas a dor da morte
forma palavras fúnebres
nesta tarde de verão

o cortejo dos poemas
acena-me na despedida
da minha vida
enquanto eu esbracejo
dentro de uma urna
onde ninguém ouve
as minhas palavras mudas

Atit Ordep

Foto de Gilberto Júnior