22 dezembro 2009

AUTO DE NATAL



O "palco" está quase pronto,

a encenação vai começar,
"os artistas" se aproximam,
"a plateia" também.
É Natal.
Amém.
.
Suely Ribella ©

19 dezembro 2009

INCERTEZA


queria tanto
ser um belo cavaleiro
montado em alvo equídeo
manejar a espada com destreza
ter o sol por detrás
e empunhar um estandarte

cavalgar sem destino
ter o horizonte como objectivo
sem limites para as aventuras
subir ás torres mais altas
e salvar as mais belas princesas

mas uma dúvida
se apoderou do meu coração
seria eu um belo cavaleiro
que lutava contra moinhos de vento
ou as belas princesas já não existem?

Atit Ordep

16 dezembro 2009

NOS TEUS OLHOS


nos teus olhos

desperta este dia
com cheiro a cravos

acordar na revolução
dos corações libertados

Atit Ordep

Foto de Hugo Amador

08 dezembro 2009

BELA VIAGEM


Vou fazer uma viagem,
levarei você comigo,
sem mapas e sem bagagem,
não será nenhum castigo...

Vou viajar pelos caminhos
que já conheço tão bem,
cheia de amor e carinhos
pelo teu corpo, meu bem...

Vou sem pressa de voltar,
e parando pouco a pouco,
deliciando-me em te amar...

De prazer te pondo louco,
vou e volto sem cansar,
não quero a viagem acabar...
.
Suely Ribella ©

04 dezembro 2009

L'ISPIRAZIONE


Fuori piove.

C'è vento.

Il freddo della notte

è pungente

stasera.


Una moto passa veloce

nel silenzio e nell'oscurità.

Rumori fuori tono

come di una colonna sonora

fanno il suono.


Sento il mio cuore

che batte. Si sono vivo.

Non c'è stato il collasso.

Domani esco e vado al lavoro.


Sono solo,come sempre, sentimenti a nudo,

in mezzo a tutti, con tutti da capire.

No, non mi metterò più in ballo;

le faccende d'amore


ormai sopite, le lascio a te

giovane amica.

Dietro gl'occhiali

non ti potranno leggere


i begl'occhi marroni, le tue intenzioni

che magari saranno delusioni.

Oggi muore un colombo

tra braccia di una donna.


Non è successo nulla....guarda,

il mondo....va ancora avanti,

lasciamolo perdere per sempre

era un uomo piccolo,piccolo.FINE


lancil/colanget

30 novembro 2009

E NO FIM...


e no fim
guardei o corpo em local
fresco e calmo

sem saber se era o fim
do que nem sempre começa
pensando que não há mais vida
para além da tua voz
aguardei que o silêncio
me acalmasse as inquietações

fiquei sem entender
se o fim era no fim
ou no início
o que terminava agora
determinava um fim em si
ou um fim de ti

no fim de contas
nem sei contar os dias
que acabaram sem começar
nem se as noites se casam com o dia

nem sei se tu existes
ou se és um fim em si mesmo

à beira do fim
guardo lágrimas
para salgar a dor
com que alimentarei os peixes
deste mar onde navego

e no fim
sem ti, perdido de mim
não encontro razão para um começo

Atit Ordep

Foto de negateven

26 novembro 2009

UM INSTANTE


perdi-me
e no espaço breve
de um instante

não maior do que um minuto

encontrei tudo o que procurava
e nunca tinha encontrado

tudo o que tinha perdido
sem o saber

e os anos longos
ficam reduzidos
a um instante de felicidade
no momento em que toquei os teus lábios
húmidos de desejo

Atit Ordep

22 novembro 2009

NÃO ME OLHE ASSIM


Não me olhe assim,
como se nem me conhecesse

e pra você eu nada fosse...
Não me olhe assim...
Nada fiz que merecesse
esse seu olhar distante,
distraído e ausente...
Não me olhe assim,
sou capaz de sorrir e ir embora
aparentando calma e indiferença...
Você sabe que em algumas coisas
nos parecemos tanto!
Então, não me olhe assim...
Sou capaz de olhar pra você
da mesma maneira,
chegar bem perto
e olhando nos seus olhos,
aproximar-me ainda mais,
roçar meu corpo no seu,
oferecer minha boca,
roubar um beijo...
e esse olhar vai mudar,
vai pedir mais...
Então, não me provoque,
não me olhe assim...
.
Suely Ribella ©

18 novembro 2009

PALAVRAS ANTIGAS


Em um livro antigo,
esquecido em um canto,
peguei as palavras
que queria dizer para você.

Para te conquistar,
quis te impressionar
com palavras emprestadas:

enlevo,
benquerença,
galanteio...

Palavras de amor,
antigas, em desuso,
que talvez você
já nem reconheça.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

15 novembro 2009

VIDA LIGEIRA


Nem sempre
existir quer dizer viver.

Muitas vezes podemos
só estar passando pela vida,
vegetando.

Não sei bem se concordo
com esta palavra,
“vegetar”,

pois até os vegetais
parecem saber
o que vieram fazer aqui.

A vida é muito complexa,
apesar de nossa
curta temporada na Terra.

Viver é difícil,
nos enterramos
demais nos problemas,
nas querências,
nas necessidades inúteis.

Poderia ser tudo
mais simples,
mais limpo,
menos,

quase nada.

Só o estritamente necessário
para esta vida
tão ligeira.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

09 novembro 2009

INSATISFAÇÃO


Insatisfeita, atendendo ao coração,
procurei carinho, compreensão,
procurei paz, procurei amor...
amor com amizade, com cumplicidade...
amor com sintonia...
Busquei abraços em outros braços,
busquei beijos em outras bocas,
busquei calor em outros corpos...
Procurei em vão... busquei à toa...
Só me decepcionei...
Nada encontrei que me satisfizesse...
Eu bem sabia o que queria,
só não sabia onde você estava...

.
Suely Ribella ©

31 outubro 2009

DIA DIFÍCIL


foi um dia difícil
o primeiro em que te vi

era o primeiro da nossa vida

foi um dia difícil
o último em que te amei

era o último da minha vida

Atit Ordep

Foto de Daniel Oliveira

28 outubro 2009

FASCINAÇÃO


Teu olhar me domina...
Tua boca me alucina...
Teus dedos me entontecem...
Tuas mãos
me enlouquecem...
Teu corpo... aaah!


Tudo em ti me fascina...

.
Suely Ribella ©

22 outubro 2009

BORDADURAS


esta teia que me envolve
no abismo do tempo
foi por ti bordada

inútil esbracejar
neste sufoco que me turva a voz
e desfoca a visão

envolto neste aperto
que me esmaga as entranhas
e me enviúva a alma

grades de uma prisão
por ti maquinada
com rendas de aranha

nas bordas do teu ninho
teces estas bordaduras
da morte por sufoco

Atit Ordep

Foto de negateven

19 outubro 2009

ARMADILHA




É tão difícil fingir que não te sinto
Olhar para o lado oposto
Jogar o cabelo no rosto
Fazer de conta que acabou como devia

E eu fiz de um tudo pra levar
Uma vida sem maiores surpresas
Com minhas irreparáveis certezas
Mas você sempre estraga tudo

Como vou me desmentir agora?
Se eu minto com desespero e faço
Que caiam dentro do meu comprido laço
Onde estou presa e tão indecisa

(Ferina*Karolina B)

16 outubro 2009

AOS POUCOS...


Encontros
e desencontros,
contigo,
comigo
mesma...

Instantes
etéreos,
fugazes,
eternos...

Frações
de um amor,
fragmentos
de vida...
.
Suely Ribella ©

13 outubro 2009

POESIAS DE DESAMOR




Queria fazer poemas
que só falassem de amor.
Queria fazer rimas
que exaltassem a paixão.
Mas como posso fazer poemas,
se não tenho seu amor?
Nem ao menos posso ter
um pouco do seu calor.
Por isso não rimo,
não faço exaltação.
Escrevo simplesmente
poesias de desamor.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina

izil

12 outubro 2009

JAZ SEM VIDA




Corpos caídos,
sem vida.

Gritos desesperados no ar.
Vidas se esvaindo.

Tentativas inúteis
de ressuscitação.

A transformação é rápida.

O ser que há pouco tinha tudo:
brilho, cor, orgulho,
paixões, dores,

agora jaz rígido,
frio, sem cor.

Como pode um tudo
virar um nada
num segundo?

E todas as esperanças,
lembranças, planos,

aonde ficam?

Apagam-se simplesmente
com a morte

ou seguem para o universo,

deixando para trás
somente o corpo rígido

que era o dono
de tantos sonhos?

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina izil


04 outubro 2009

O MEU FRIO


O frio me atinge o corpo,
o coração, a alma,
traz meus fantasmas
para perto de mim...
lembranças,
esperanças, desesperanças...
constatações
de uma realidade cruel,
de um passado terno,
hoje sombrio,
assim é meu frio,
num presente sem cores,
cheio de dúvidas,
dores, angústias...
sem vislumbrar,
nem sonhar
com a possibilidade
de um amanhã feliz,
ou, ao menos, melhor...
.
Suely Ribella ©

01 outubro 2009

OS MASCARADOS


Sei que posso chocar.
Minhas escritas não são
doces nem suaves.
São reais,
talvez cruéis.
São verdadeiras.
Não temo escrever.
Escrevo o que penso,
o que observo
nos seres humanos.
Naqueles que fazem uso
de máscaras,
que passam o tempo
fingindo o que não são.
A mim não enganam,
mas também
não me incomodam.
Só me dão material
para escrever.
Nada tenho a ver
com suas falsas vidas.
A não ser
escrever sobre elas.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

28 setembro 2009

SEQUER PALAVRA
















como poeta morto, as vezes bate
é maior do que qualquer tristeza

antes fosse dor, mas nem isso

nem ardência ou corte ou vento

é um momento para o nada

não é verbo, sequer palavra
quem me dera a dor de um amor
para sentir agora
voltar disso
do além-infinito
onde não se chora
não se ri,
tampouco mesmo estou aqui

juntando letras como a salvação

dos melhores poetas vivos


ferina*KarolinaB

25 setembro 2009

TANTAS PERGUNTAS AO CAIR DA NOITE


onde estarás agora
que a noite caiu
e está escuro na rua

em que cama te deitas
quando o corpo abdica
de resistir ao dia

será que encontras
outros lábios para saciar
a sede de ternura

quantas mentiras
sobreviveram à realidade
da solidão do caminho de casa

em que cama vazia
te deitas agora

que trevas tens de transpor
para que um dia nasça
acordado por um beijo

quantos ciclos de cegueira
ensaias durante a tua vida

Atit Ordep

Foto de Paulo César Melges

22 setembro 2009

CONTRASTES



Conheci o amor e a paixão,

encontrei a dor e a desilusão...
Não ando entre a vida e a morte,
ando entre a morte e a vida...
.
Suely Ribella ©

19 setembro 2009

NO CAMINHO DE CASA


no caminho de casa pensava em ti
mas não tinha coragem para inverter o caminho
ficava de olhar especado nas montras
e vagueava por entre saias e corpetes
cores e formas da alienação
depois seguia em passo firme para casa
com um saco na mão
um prémio de consolação
a vida pode esperar

Atit Ordep

16 setembro 2009

FOME


Nos teus olhos
repouso os meus
e deixo que a brisa
me entregue o teu hálito

com a barriga a dar horas
imagino saciar esta fome
com os teus beijos

Atit Ordep

Foto de Hugo Macedo

13 setembro 2009

FOGO DE ARTIFÍCIO


são luzes o que procuras
na fricção dos corpos
um tremor que percorre o tronco
um êxtase brutal
uma carnificina dos sentidos
um prazer intenso mas descomprometido

isso não é amor
mas o que te importa?
a assepsia do corpo satisfeito e solitário
recupera do fogo de artifício

tudo sem as dores
do trabalho de parto
de uma vida em comum

Atit Ordep

Foto de Hugo Macedo

10 setembro 2009

FLORES RESOLVEM TUDO


Se me aprontar alguma,
para se desculpar traga flores,
as suas preferidas.
Poupe-me de despesas,
flores perfumam
e também enfeitam
cadáveres.
.
Suely Ribella ©

07 setembro 2009

SENTIDOS (CORAÇÕES)


agora encaixo os dedos
nas mãos
para poder sentir
o vento que trespassa os teus cabelos

seguro no nariz
para poder captar
os odores que a brisa
roubou no teu cabelo

coloco os meus olhos em órbita
para observar
as tuas meias a sair das pernas
e a tua roupa a despir a pele

moldo minha boca
embuto meus dentes
para te poder beijar
e morder os mamilos

aplico minhas orelhas
para te poder ouvir rugir
quando meu falo
te toca no fundo do ser

são os meus sentidos
rendidos ao teu esplendor

Atit Ordep

Foto de Atit Ordep

04 setembro 2009

INCAPACIDADE


um arrepio de frio
transita por seu corpo

as lágrimas são confusas
no seu significado

as palavras colam-se no céu da boca
como papeis amarrotados

não encontra o tempo dos gritos
numa angustia feita de revolta contida

invade-o uma agonia breve
soprada por um aroma familiar

passou o tempo breve dos sonhos
e já não é capaz de dizer que a ama

Atit Ordep

Foto de Hugo Macedo –
www.hugomacedo.net

01 setembro 2009

FIM DE ESTAÇÃO


quando chegares
avisa os pássaros
para que voem em bando
na direcção do sul

vens tarde
os frutos amadureceram
as crianças partiram
as folhas das arvores
já se vestiram de ferrugem
cansadas de dar flor

olha no céu
e procura uma estrela nova
que te indique outro caminho

aqui ficou apenas
uma recordação da vida
e aqueles que sabem sobreviver ao Inverno

Atit Ordep

Foto de Vitor Tripologos