01 maio 2011

A NOSSA MÚSICA



Agora eu vejo
a nossa música
não parece
ser sobre nós
e eu me lembro
pesaroso
que o nosso amor
mais afinado
na voz de outro
dentro do rádio
podia ouvir.
Ainda me lembro
o que sentia
além do tempo
depois de tudo
a mais ousada
sempre a mais bela
vou dizer, "era"
a nossa música.

Ferina * Karolina B

27 abril 2011

SUA AUSÊNCIA


Sua ausência me incomoda,
me maltrata, quase mata...
Não sei mais viver
desse jeito assim,
com você longe de mim,
sem você perto de mim...
.
Suely Ribella ©

23 abril 2011

NÃO VALE A PENA


Estou começando a achar
que não vale nada amar.

Estou pensando seriamente
como deixar de ser decente.

Quase morri de tanto amor,
que de nada valeu:
ficou somente a dor.

Você não sabe o valor
de ter tido um dia
o meu amor.

Estou tornando-me cínica.
Quero ser igual a você.

Nada mais quero sentir.
Nada mais quero de ti.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil


19 abril 2011

SEM NADA



Ando
Sem rumo
Sem rimas
Sem risos
Sem perguntas
Sem respostas
Sem notar
Sem ser vista
Apagada
Desanimada
Desiludida
Amargurada
Só porque...
você me deixou.
.
Artesãdaspalavras/izilgallu

Ferina izil


15 abril 2011

RETIRO

Nem sempre a tal solidão
é a pior companhia,
por vezes, o coração
só pede paz e alegria.
.
Suely Ribella ©

11 abril 2011

COMO ESCOLHER?


Estou na zona
entre a loucura
e o inferno.

Posso escolher
para onde quero ir.

Tenho opções:

enlouqueço de vez
ou entro na escuridão
e me isolo do mundo.

De qualquer maneira,
as escolhas que tenho
não são boas.

Na loucura,
ainda posso falar
com as paredes,
com as visões.

Posso pensar alto,
reclamar.

Posso me matar.
Ninguém vai mesmo ligar,
pois, afinal,
estou louca.

No inferno,
não sei como será.

Talvez igual aqui.
Ou talvez
igual à loucura.

Ou sem saída.

Vamos esperar
para ver.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu



07 abril 2011

SAIR SEM ADEUS












Você nem me disse adeus.

Nem foi preciso,
pois teus gestos
já demonstravam.

Eu sabia
que o amor não existia.
Só persisti por desespero,
por solidão.

É forte a coragem
de uma mulher
para ainda tentar.

Em contrapartida,
pode ser maior
a covardia de um homem
para simplesmente partir.

Quando não há
amor verdadeiro,
é mais fácil sair
sem dizer adeus.

.
Ferina izil

Artesãdaspalavras | izilgallu

30 março 2011

ENCONTRO (DEIXE QUE A NEBLINA PASSE)



hoje acabou
o fim de uma tortura
um sonho repetido
que me alucinava
quantas noites
sonhei o mesmo
que te procurava
e meu coração
com choro e grito
me acordava
assim, tão aflita
mas hoje
finalmente consegui
no meu sonho
não mais o procurava
eu te encontrei
e depois desse tempo
pouco eu tinha
pra dizer
te ver foi o bastante.

ferina * Karolina B

26 março 2011

MORRI



Preciso ressuscitar.
Estou meio morta.

Morta para o amor.

Apagaram-se todos
os sentimentos
que um dia senti.

Enquanto me arrastava
vida afora,

os sentimentos
foram caindo,
sangrando,
morrendo,
se apagando.

Estou assim:

vazia.

Sem nada por dentro,
sem nada por fora.

Nem lágrimas,
nem sorrisos.

Estou morta.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina izil

22 março 2011

DESCONTENTE


O meu tempo
não tem graça
e passou a ser
apenas tempo
que passa...
Já não sei mais
quando é noite
ou quando é dia,
vivo indiferente
nesta melancolia
sem querer esperar
nem me enganar...
Sorrio tristezas,
choro dúvidas,
respiro incertezas,
suspiro gemidos
incontidos
de dor, de saudade,
de infelicidade...
.
Suely Ribella ©

18 março 2011

REBELDES SEM CAUSA



Deus abençoe os coraçoes
de gente que luta sem causa
da vida colhemos espinhos
nossas plantaçoes não vingam
a seca de amor permanece
nossa peleja é incerta
na luta contra o invisível
sem armaduras e corpo fraco
castigados pelo grande sol
os guerreiros pobres coitados
lutando contra a própria sombra
a única visão dessa vida
é o reflexo do rosto na espada
Deus abençoe os corações
de gente que luta sem causa

Ferina * Karolina B
.

14 março 2011

FINJO NÃO TE VER


passei por ti
e coloquei a minha máscara distância
fugi de ti
e coloquei o meu passo acelerado… fingido

olhei para trás
pelo canto do olho
e consegui ver todo o universo
no teu rosto indiferente… interessado

falámos no silêncio da passagem
como sempre o fizemos
e trocámos beijos fingidos… desejados

seguimos caminhos diferentes
incertos e insignificantes
e encontramo-nos no fim da estrada
olho nos teus olhos de revés… frontalmente

uma lágrima ressequida
resvala no fingimento da saudade… real

abraço a tua sombra ao virar da esquina
e soletro o teu nome num sussurro doce
sei que ouves este grito… mudo

e no fim deste caminho desencontrado
fica um amor ausente… presente

todo o amor contido explode
aquando da passagem efémera
de uma troca de olhares… desviados



Atit Ordep



Foto de Pedro Cabral

10 março 2011

O QUE FAÇO?!

Se tu não vens, o que faço?!
Se anseio por teu abraço,
corpo quente, beijo ardente,
não quero tempo, nem espaço
para abrigar outro amor,
se morro sem teu calor,
se tu não vens, o que faço?!
.
Suely Ribella ©

06 março 2011

O AMOR NA TRINCHEIRA



É difícil admitir
mas foi a guerra
que eu perdi
nas batalhas perdidas
pra você e para mim

Um soldado abatido
sem honras desse amor
minhas armadilhas
foram desativadas
e as minhas armas
hoje são brinquedos
nas suas mãos

Não adianta insistir
na espera de um resgate
pois meu coração reconhece
que esse é o nosso fim
Sempre estivemos
de lados opostos
e como inimigos declarados
só podíamos terminar assim

E se um dia
na fronteira te encontrar
não pense duas vezes
me faça de alvo
mire bem e acerte
não me poupe

Pois nessa guerra
de mil e um extremos
entenda
eu mesma me machuco
pra não ter
que te ferir

Ferina * Karolina B

02 março 2011

AA (AMANTES ANÓNIMOS)


meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não disse que te amo
embora o tenha pensado mil vezes
resisto cada dia que passo sem ti
e evito o teu nome na minha boca

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não te beijei apaixonadamente
embora tenha sentido essa vontade
resisto a salivar de desejo incontido
e evito o contacto com os teus lábios

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não olhei para ti
embora te tenha visto nos meus sonhos
resisto a procurar os teus olhos
e evito a cegueira da paixão

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não palmilhei o teu corpo
embora adivinhe o que esconde a neblina
resisto a desapertar esses botões de marfim
e evito arder na fogueira do pecado

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não amei



Atit Ordep



Foto de João Paulo Redondo


26 fevereiro 2011

VIDA ENGRAÇADA

A vida é mesmo engraçada,
um pouco, um quase nada,
é capaz de valer tanto,
transformar tudo em encanto,
fazer a gente sorrir
e ao mesmo tempo chorar,
de alegria se emocionar...
A vida é mesmo engraçada,
um dia ela faz a gente
sorrir e chorar de contente,
em outro dia não se importa,
tudo da gente ela corta...
.
Suely Ribella ©

22 fevereiro 2011

UMA MORTE ANUNCIADA



um sabor amargo
soprado docemente
anuncia o fim
das coisas acomodadas

depois o frio deixa dormente
o espírito das horas mornas

existe quem não acredite
ou não queira ver
uma morte anunciada
ao cair da tarde

meus olhos voam no horizonte
tentam poisar na névoa distante
ver além do cume das almas

mas nada é certo
no terminar desta hora
apenas um reflexo de vida
no dia em que a morte foi anunciada

Atit Ordep

Foto de Arley Ichimura

18 fevereiro 2011

O PIOR?... DA NOITE


A noite expõe
nossos segredos.

Tinge nossos sonhos
de vermelho.

Expõe aos amantes
a realidade.

Pecados...
são revelados.

Amores...
são consumados.

A noite assusta.
A noite acalma.

Muitos pesadelos
tornam-se reais.

Muitas mentiras
são contadas.

É a noite
sendo revelada.

É a vida
sendo vivida.

Somos nós
nos revelando.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


14 fevereiro 2011

A CHUVA

O céu trouxe a chuva,
que trouxe a saudade...
a chuva permaneceu
a noite inteira...
pela manhã, o sol apareceu
sorrindo e secando  tudo...
só os meus olhos
continuam úmidos,
só em mim ainda chove
uma saudade doida e doída
de você... 
.
Suely Ribella ©

10 fevereiro 2011

SOBRE A SOLIDÃO DAS RUAS



Esse senhor
não foi lapidado
é um homem
sem chapéu
sem fraque
vive nos becos
escondido
nas sombras
daqueles
que passam
embebidos
do mesmo amor
que ele provou
e agora sente
amargar na boca
das ruas,
da sarjeta
onde mora
a solidão.

ferina * Karolina B

06 fevereiro 2011

PRA SEMPRE



O véu que nos separa
deixa ver muito pouco
dos seus traços elegantes
do seu sorriso blasé
sinto por instante
que você me encara
mas não sei dizer
se está zombando de mim
ou simplesmente
está sentando bem perto
tentando me ver
e entre suspiros e uivos
eu só posso repetir,
quantas vezes já disse
já nem sei (mil talvez)
o véu que nos separa
serviu pra nos unir
o que seria um simples momento
(vívido e excitante)
tornou-se um "pra sempre"
(nublado mas constante)
Pra sempre.

Ferina * Karolina B

02 fevereiro 2011

SOBRAS

Não dou migalhas a ninguém.
Penso que, migalhas
devem envergonhar e machucar
muito mais a quem dá, 
do que a quem recebe. 
Suely Ribella © 

29 janeiro 2011

VERDADES

Não sei de suas verdades,
elas nunca foram cristalinas.
Mas sei de suas mentiras,
elas sempre foram
bem claras para mim.
Somente o meu amor
não é suficiente
para que a nossa vida continue.
É preciso muito mais,
talvez não mais de você.
Outro, talvez,
mais claro,
interessado,
amigo.
Enfim,
um amor real.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil


25 janeiro 2011

A ENORME ANGÚSTIA DE PENSAR EM TI VEZES SEM CONTA


corri enormes serventias interiores
sem vislumbrar saída para o exterior
todas as janelas
todas as portas
desembocavam num espaço fechado

palmilhei caminhos sem fim
só encontrei janelas fechadas
e portas de acesso a quartos
que não deixavam pressentir a rua

com o coração ansioso e cansado
e o choro na ponta dos olhos
abri a porta final
onde estavas tu e mais alguém

voltei costas ao horror
de um corpo sem alma
e com o choro a saltar dos olhos
corri mais uma vez
corri até a tua voz
que chamava por mim deixar de se ouvir

de novo nos corredores interiores
deste pesadelo repetido
chorei com raiva incontida
por ter perdido de novo
a noção da porta que se abre para a rua

Atit Ordep


21 janeiro 2011

PESADELOS


Lugar de horrores,
cenas de assustar,
maus odores,
não consigo respirar...

Sons e ruídos
alucinantes,
vozes e gemidos
dilacerantes...

Imagens feias,
monstros, dragões,
aranhas nas teias,
múmias, escorpiões...

Tento fugir,
não quero vê-los,
não posso dormir,
são pesadelos...

Estou à mercê
do perigo,
estou sem você
comigo...
.
Suely Ribella ©

17 janeiro 2011

PRIMAVERA


Ci siamo,
di nuovo torna.
Sì, torna Lei.
La primavera.
Si risveglia la natura,
ma anche gli amori
e con loro i ricordi.
Quelli che fanno male al cuore.
Che vorresti dimenticare.
Tornano le rondini,
tornano i fiori, i colori.
Tutti si amano.
Tu rimani a guardare,
dov'è il tuo amore,
dov'è la tua Primavera?
.
Lancil

13 janeiro 2011

UM JOGO INICIADO



Me sinto perdendo
o jogo que iniciei
minhas regras
foram ignoradas
cartas sobraram
na mesa redonda
muita trapaça
ganância, remorço
rodada após rodada
Antes sabia dizer
se seus olhos
estavam mentindo
enquanto os lábios
sorriam pra mim
Hoje nem ao menos
sei como terminar
essa partida
Acho que ambos
temos cartas boas
mas também temo
que apostei alto demais
para perder agora

Ferina * Karolina B

09 janeiro 2011

UMA PORTA ENCOSTADA

Tomou conta de mim,
o medo,
um arrepio me paralisou,
e quando pude me mover,
fui embora,
sem, ao menos, espiar
se atrás daquela porta
entreaberta
havia um segredo,
ou apenas o vazio
de um cômodo abandonado,
quem sabe às pressas...
.
Suely Ribella ©

05 janeiro 2011

NÃO ERA MEU


Seguindo pelo seu caminho,
eu me perdi...

Escutando suas palavras,
eu desaprendi.

Sentindo seus beijos,
eu enlouqueci.

Sentindo seu calor,
eu me aqueci.

Sentindo seu amor,
eu compreendi:

nada era para mim.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil


01 janeiro 2011

ANNI SEMPRE UGUALI


Siamo alla fine di un anno,
un anno della nostra vita.
Se il destino vorrà
ci regalerà altri anni,
ma sempre anni uguali.
Anni senza amore,
anni senza calore,
anni senza emozioni.
Calma piatta, liscia.
Vita che trascorre
come un'onda sempre uguale.
Ma a chi buon anno?
A me no, so già come sarà...
Auguri a Voi, a Te
che sei felice.
.
Lancil