29 março 2010
26 março 2010
POEMA CHATO E COMPRIDO

amo-te
porque me apetece
amo-te
mesmo quando não me apetece
amo-te
despida
amo-te
mesmo vestida
amo-te
com e sem roupa
amo-te
incondicionalmente
amo-te
mesmo contrariado
amo-te
muitas vezes ao dia
amo-te
todos dias no ano
amo-te
até os dias esgotarem as horas
amo-te
quando estás longe
amo-te
quando estás perto
amo-te
por cima de mim
amo-te
por baixo ou de lado
amo-te
como um louco
amo-te
sem juízo
amo-te
sem saber
amo-te
sem saber o que fazer
amo-te
sem saber como parar
amo-te
inevitavelmente
amo-te
muitas vezes
amo-te
com muita força
amo-te
com jeitinho
amo-te
de uma forma desajeitada
amo-te
porque sou estúpido
amo-te
mesmo que fosse inteligente
amo-te
como um ditador
amo-te
como um democrata
amo-te
como um guerrilheiro
amo-te
mesmo em estado de guerra
amo-te
antes da catástrofe
amo-te
mesmo depois de morrer
amo-te
nos bosques
amo-te
nos carros
amo-te
nas camas
amo-te
nos cinemas
amo-te
nos circos
amo-te
nos concertos
amo-te
mais que tudo
amo-te
antes de tudo
amo-te
depois de tudo
amo-te
apesar de tudo
amo-te
em desespero
amo-te
em coma
amo-te
mesmo ferido, agonizando
amo-te
na mesma
amo-te
mais que a vida
amo-te
para além da morte
amo-te
de formas tão diferentes
amo-te
até me sentir tonto
amo-te
porque sim
amo-te
mesmo que não
amo-te
de facto
amo-te
como num amor de perdição
amo-te
com este amor que tenho
amo-te
como neste poema chato e comprido
amo-te
como chuva me molha o peito
amo-te
como lágrimas me molham a alma
amo-te
vezes sem conta
amo-te
desesperado
amo-te
feito um tonto
amo-te
simplesmente
amo-te
apesar de complicado
amo-te
no fim
amo-te
no fim de tudo
amo-te
no fim deste poema
Atit Ordep
Foto de Carlos Lopes Franco
23 março 2010
ERA UMA VEZ UMA VIDA
Uma tarde chuvosa e estranha,
um dia de outono, ou não.
As estações estão mesmo
desajustadas,
assim como nós.
Não há mais conexão entre nós.
Não há mais vida,
nem amor.
Acabou.
Ficou frio,
como esta tarde chuvosa.
Alguém está partindo,
ou talvez voltando.
Há muita chuva.
Não vejo direito.
Somente um vulto,
somente um ser.
Talvez um triste ser,
talvez alguém abandonado,
assim como eu,
sozinho
e molhado.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil
20 março 2010
E A CHUVA NÃO VEIO
17 março 2010
ESTRANHA CONFUSÃO
Diante do papel,
busco palavras
para descrever meus sentimentos.
Há tantos sentimentos aqui dentro,
embaralhados,
que me atrapalham,
não me deixam compreender
o que me torna
esta pessoa indecifrável,
estranha.
São sentimentos confusos
que nem sei se...
te amo ou te odeio.
É verdade que os dois
andam próximos,
mas ainda assim
é estranho.
Queria você comigo,
mas não tão perto assim.
Queria sentir teus beijos,
mas não tão fortes.
Queria teu abraço,
mas não tão quente.
Viu?
Eu disse.
Realmente não sei descrever
o que sinto por você.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil
14 março 2010
VERSOS EM PROSA OU A VIDA FEITA EM MERDA

sei que te amo, sempre o soube, soube-o desde o momento em que nasceste, na manhã da minha vida, no primeiro segundo da vida, no primeiro sopro de fé, sei que te amei sempre, sem nunca vacilar, determinado ou distraído, sempre bateu em meu peito esta vontade de te ter, perto, junto, no redor dos meus braços, sempre onde te pudesse deitar a mão para não caíres, em tentação ás vezes, sofrimento outras, mas sempre perto, do coração, da alma, do corpo, do pecado, da dor, na partida inevitável, diluviana e rancorosa, do partir sem chegar, do imaginar a solidão acompanhado, do medo, do desconforto, da teia tecida pelo ciúme, que tudo corrói assim que chega, desconforto das palavras de adeus, transpiradas e nervosas, tempo de promessas e horrores, te amo…
sei que te odeio, ou pior, te ignoro, sem tempo para ilusões, nem choros, só o rancor perdura como objectos na cidade perdida, amores na cidade proibida, receios da luz, vidas no fogo, crematório de pecados acabados, choro raivoso, perda de razão, nas palavras do ódio, sementes de violência, afectos cobardes, vidas alarves e miseráveis, vejo em ti o rosto da morte, travestida de vida, mentirosa e enganadora, tanto te odeio, nem chegam as palavras lavradas na miséria dos proletários, olhos vermelhos, ardem de loucura, abafada em gemidos doridos, rosnar feito louco, cão raivoso, pede abate, vida inútil, merdosa, frouxa, ignóbil, pegajosa e perversa, assim é a tua, te odeio mais que a vida, mais que a morte, rasgo a carne, raiva em espuma, de uma boca sangrenta, te odeio…
sei que não sou eu que falo, talvez nem exista, tenho dias assim, outros diferentes, mas sempre na dúvida, se existo ou fui inventado, e a ti procuro, feito um doido, no meio dos livros, terá sido um conto, ou um poema, um verso solitário, uma rima que ficou, esquecida nas palavras avulsas, produto da imaginação, sinfonia inacabada, ideia gerada nas palavras, existência irreal, terra de sonhos, noite desconhecida, negrume das paixões, desejos inacabados, incerteza, fecho janela, que dá para a vida, a porta dos sonhos, a realidade escureceu, é quase noite, dormem as fadas e os duendes, as histórias de encantar, presas dentro de um livro, de capa azul, e adormeço, sem saber se existo, sei que não sou eu…
Atit Ordep
Foto de José d' Almeida & Maria Flores
11 março 2010
LIÇÃO

Depois daquela raiva toda
Dos cabelos arrancados da cabeça
da mão quebrando o copo de vidro
dos braços lançando a cadeira
dos dedos emburrando o vaso
dos pés chutando meu torço magro
Eu vi que estava tudo bem
Pois estava apanhando da vida
E as marcas que eu carrego
São marcas no profundo do ser
que um dia serão explicadas
Ferina*KarolinaB
08 março 2010
SUSTO

Vivemos ocupados,
andamos distraídos,
negando atenção
ao coração...
Um dia acordaremos
lembrando de nós...
e não perceberemos
que passou da hora,
já fomos embora...
A vida e a morte
sempre se encontram,
não dá pra fugir,
não dá pra enganar,
elas estão
em todo lugar...
São boas de briga,
vence a melhor,
a mais esperta,
a morte é certa...
.
Suely Ribella ©
andamos distraídos,
negando atenção
ao coração...
Um dia acordaremos
lembrando de nós...
e não perceberemos
que passou da hora,
já fomos embora...
A vida e a morte
sempre se encontram,
não dá pra fugir,
não dá pra enganar,
elas estão
em todo lugar...
São boas de briga,
vence a melhor,
a mais esperta,
a morte é certa...
.
Suely Ribella ©
05 março 2010
DEIXA-ME DIZER-TE

deixa-me dizer-te
que te amo
neste momento de pausa
no fim de um dia vazio de sentido
e que te acompanhei no caminho da escola
de mão dada
não questiones o sentido
da súbita declaração
pode ter sido a falta dos teus beijos
imaginados de noite
ou a falta da tua pele
nos meus ossos doridos
vejo as crianças a brincar
na roda do teu vestido
teu sorriso alumia o recreio
vou aqui ficar
sob este sol do interior
para te ver sair do meu sonho
e te poder levar de volta a casa
Atit Ordep
02 março 2010
O OCULTO
O que me atrai
é o que as palavras
não dizem.
É seu outro lado,
o imaginável.
Gosto das insinuações,
dos enigmas,
de tudo o mais
que for oculto.
Preciso dessa parte escura
para poder pensar,
reagir,
ter tempo.
Tudo muito às claras
não me atrai.
Não tem graça.
A verdade,
a realidade,
é muito chata.
Mistérios existem
para tornar a vida
mais emocionante,
mais excitante.
Fantasmas também existem
e devem ser interessantes,
pois assombram
nossas mentes.
Mas não se preocupem.
Sempre haverá uma luz
lá no fundo,
para os desesperados
acharem o caminho.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil
27 fevereiro 2010
DONNA M'UCCIDI

Perchè mi strappi il cuore?
Lo stritoli tra le mani
e poi lo getti via, lontano.
Mi cogli gli occhi verdi
ne fai delle palline
e poi le getti via, lontano.
Mi privi del cervello
stracci i miei pensieri
e poi li getti via, lontano.
Prendi le mie mani
non vuoi essere toccata
mi monchi
e poi le getti via, lontano.
Mi hai privato di tutto
perfino della vita
ma non è ancora finita.
Vuoi di più.
Forse l'essenza del mio amore
per imbellire un nuovo fiore,
che cresca nel sangue
e nei mie resti mortali.
Non sento male,
Perchè, lontano, io ti amo.
Lo stritoli tra le mani
e poi lo getti via, lontano.
Mi cogli gli occhi verdi
ne fai delle palline
e poi le getti via, lontano.
Mi privi del cervello
stracci i miei pensieri
e poi li getti via, lontano.
Prendi le mie mani
non vuoi essere toccata
mi monchi
e poi le getti via, lontano.
Mi hai privato di tutto
perfino della vita
ma non è ancora finita.
Vuoi di più.
Forse l'essenza del mio amore
per imbellire un nuovo fiore,
che cresca nel sangue
e nei mie resti mortali.
Non sento male,
Perchè, lontano, io ti amo.
.
Lancil
24 fevereiro 2010
SEM VOCÊ

Sem você,
meu amor,
sou nada,
e nem sei porque,
pois sou tanto
e tantas numa só!
Sem você,
meu amor,
sou tanto,
e nem sei porque,
já que sou nada
sem você...
meu amor,
sou nada,
e nem sei porque,
pois sou tanto
e tantas numa só!
Sem você,
meu amor,
sou tanto,
e nem sei porque,
já que sou nada
sem você...
Sem você,
meu amor,
eu levo a vida,
empurro,
dou murro,
não vivo...
meu amor,
eu levo a vida,
empurro,
dou murro,
não vivo...
Sem você,
meu amor,
foi sempre assim,
um eterno esperar
você voltar
pra mim...
.
Suely Ribella ©
foi sempre assim,
um eterno esperar
você voltar
pra mim...
.
Suely Ribella ©
21 fevereiro 2010
UM DIA DE CHUVA

um dia de chuva
encharca os corações
disfarçados de maus fígados
e os olhares molhados de culpa
são açoitados pelo vento
um dia de chuva
a vida passada
nunca fez sentido
o frio e o desconforto
habitam dentro dos culpados
do costume
um dia de chuva
não é mais um dia
quando nas tuas costas
passa por ti o passado
vestido de futuro
não é mais um dia
é um dia clonado
um espasmo de dor
um avesso da realidade
agora que é noite
chove na mesma
e os abraços solitários
perfilam-se no escuro
as ideias morrem presas
na fatalidade do destino
ou atoladas num lamaçal
de vidas incompletas
num dia de chuva
enquanto eu chorava
passaste por mim devagar
mas ficaste sem saber de onde vinha tanta água
Atit Ordep
Foto José de Almeida (olhares.com)
18 fevereiro 2010
LA NOTTE TI PENSO
15 fevereiro 2010
MOMENTO

Momento
come questo.
con il magone.
Momenti,
quelli rari,
di gran soddisfazione.
Momenti, quelli più difficili,
sbiaditi e insopportabili,
Momenti di ieri,
momenti di oggi.
Momenti da vivevre,
da tenere d'acconto,
perchè,
continua, continua,
stanno scrivendo
tutti i secondi
del tempo
passato in questa vita venduta.
come questo.
con il magone.
Momenti,
quelli rari,
di gran soddisfazione.
Momenti, quelli più difficili,
sbiaditi e insopportabili,
Momenti di ieri,
momenti di oggi.
Momenti da vivevre,
da tenere d'acconto,
perchè,
continua, continua,
stanno scrivendo
tutti i secondi
del tempo
passato in questa vita venduta.
.
Ferino*Lancil*
Dedicata a fera Izil
Dedicata a fera Izil
12 fevereiro 2010
FOLIA
Confetes, serpentinas,
pierrôs, colombinas,
palhaços, bailarinas...
Muita música, alegria,
é carnaval, só folia,
com ou sem fantasia!
O importante é a diversão,
mantendo longe a paixão,
para evitar confusão!
Logo acaba o carnaval,
a vida volta ao normal,
e o jeito é esperar
mais um carnaval chegar!
.
Suely Ribella ©
09 fevereiro 2010
AMOR

Falar do amor
é difícil.
Vivê-lo,
quase impossível.
Mas não para todos.
Há quem fale de amor.
Há quem saiba amar.
E há quem passe a vida
tentando aprender.
Ferina Izil
Artesãdaspalavras | izilgallu
06 fevereiro 2010
POR UMA JANELA
03 fevereiro 2010
ESPREITO POR UMA FRINCHA

espreito por uma frincha
as curvas do teu corpo
sinto o verão chegar
o corpo a transpirar
vejo as cores
e os contornos
da carne sinuosa
apertada por arames e fechos
fáceis de desapertar
espreito o passado
dentro da roupa apertada
por uma frincha
recordo as tardes mornas
sem roupa
Atit Ordep
Foto de Nuno Monteiro
Post-scriptum – Um botão desapertado diz mais ao amante que uma mulher toda nua.
31 janeiro 2010
TEIMA
28 janeiro 2010
VOCÊ VAI CHORAR
Você está enganado.
Não se magoa alguém assim.
Não alguém que te quis tão bem.
Você não tem perdão.
Matou um coração,
rompeu uma ilusão.
Você é cruel,
mas a vida é mais esperta.
Com certeza esta crueldade
um dia voltará para você.
Então...
você vai chorar,
e eu irei sorrir.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil
25 janeiro 2010
CONFUSÃO DE SENTIMENTOS
Indefinição.
Querer sem saber.
Deixar de querer.
Viver por viver.
Sentimentos
sem valor.
A rotina tomou conta.
Já não faz mais diferença.
Engodo puro.
Mata.
Todo dia
morre um pouco.
O coração vai perdendo
a vitalidade.
A emoção fica abandonada,
esperando
sem solução.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina izil
22 janeiro 2010
APARECIDA

na bruma calma
da praia de Cabral
enxergo uma torre difusa
ao longe, muito ao longe
desembarco meu cavalo branco
minha armada quezilenta
e minha alma retorcida
pela tormenta da viagem
grito por alguém
que me salve de mim
e de meus pesadelos
e tu respondes lá ao longe
do alto de tua torre
deixando cair tuas tranças
me chamo Maria
seja bem Aparecida
digo eu
Maria Aparecida
dizes tu
Atit Ordep
Foto de negateven
19 janeiro 2010
COMUNICAÇÃO...
Sou irresponsável,
como criança...
Sou fera,
como gente grande...
Sou assim,
começo, meio e fim,
como tudo.
E vou comendo...
Suely Ribella ©
16 janeiro 2010
VOU TE ESPERAR
Vou te esperar.
Sei que virá me buscar
quando a tristeza passar.
Você virá.
Vou te esperar
até quando a noite chegar
e você de mim recordar.
Você virá.
Vou te esperar
quanto tempo levar
para sua mágoa passar
e você de mim lembrar.
Vou te esperar,
pois sei que meu amor
vai vencer
e te convencer
de que sou
sua parte final.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina izil
12 janeiro 2010
10 janeiro 2010
07 janeiro 2010
FINALMENTE, AMOR

Eu sei que você fez de mim o seu tudo
E a culpa da sua infelicidade era minha
Porque precisa de todos os seus motivos
Embebidos em um certo alguém como eu
Mas agora ao caminhar em silêncio
Mergulhado nos motivos que tanto chorava
Achou-me fora da estrada e finalmente inocente
E desta vez até veio sóbrio pra me absolver
Ferina * Karolina B
04 janeiro 2010
01 janeiro 2010
NOVO ANO
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