31 março 2008

ARRUMO PARTES DO MEU CORPO



arrumo partes do meu corpo
espalhadas pela casa
amanhã é dia de trabalho
e tenho de levar os braços
a cabeça pode ficar em casa
tenho de trocar o fígado
e comprar um coração novo
faltam-me os olhos
que queimei a chorar
partes de mim são emprestadas
outras foram-me impingidas
estes cabelos brancos
não eram meus
foste tu que mos deste
as rugas
oferecidas pelo tempo
o cérebro
está queimado
de tanto pensar em ti
ficou sem utilidade
tenho de ir trabalhar
levo as peças que encontrei
talvez ninguém note
esta pessoa incompleta

Atit Ordep

Pintura de PJ Crook

29 março 2008

ENGODO



Tu foste somente uma ilusão
e, como tal, passaste.

Te quis.
Te esperei.

Me entristeci,
me feri

por querer sem ter,
por desejar sem alcançar,
por me enganar com teu querer.

Um dia te esqueci.
Deixei de te querer.

Um dia percebi
que eras uma piada.

Engano,
palavra certa
para descrever o que tu foste:

somente um grande engodo.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

27 março 2008

SILÊNCIO SEU


o teu silêncio
é feito de barro
duro e tosco
é um artefacto sem graça
inerte e pesado
balança entre o vento
e os muros da vergonha
atormentado e obediente
existe para além do bem e do mal
numa redoma de crendices
anómalas e perversas

Atit Ordep

Foto de Sara Sá

26 março 2008

BUSCA III



Infinitas buscas
desencontros propositais
amores não concluídos
nem sequer conhecidos

Ser errante
sempre a procura
do amor perfeito
que está unicamente
dentro de si

Aqui fora nada há
só ilusão
momentos breves
alegrias instantâneas
.
Artesãdaspalavras/izilgallu
Ferina izil


25 março 2008

O AMOR E A DOR




O amor distante
maltrata o coração da gente.
O mundo se acaba
com tanta dor
que causa este amor.

Este ingrato até parece
que esquece
que a solidão existe.

Ao mesmo tempo em que tudo existe,
nada vive, nada há,
enquanto o amor próximo
não chegar.

Amar é tão complexo,
é tão sofrido,
que parece
que a vida não mais existe
sem este amor.

Se este amor perto chegar,
a felicidade certamente trará.
Os corpos se juntarão
e as dores desaparecerão.

Somente este amor,
se existir,
nos fará viver.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil



poesia feita e postada
inicialmente em 25 de março de 2008


INQUIETAÇÃO


Sabe aquela saudade
que já acorda com a gente
e que vai se instalando,
e vai ficando, ficando,
roendo, roendo,
e de tanto que incomoda,
a gente vai se perdendo
num desespero danado?!
Hoje eu estou assim...
querendo você
mais do que nos outros dias...
Será que eu consigo
querer você
mais do que já quero?!
É uma saudade doida e doída,
uma vontade exagerada
de ter você comigo...
E você, nem aí pra mim!
Ou será que você
também sente
uma saudade assim?!
.
Suely Ribella ©

23 março 2008

O TEMPO IV


o tempo
guarda a memória
dos tempos

quanto tempo
do tempo
é um contratempo
um destempero
uma vida encerrada
num ciclo de luas

quando a morte
vem de mansinho
fora de seu tempo
nem dá tempo para despedidas

não há tempo
para um adeus
um beijo, um choro
o tempo do fim
anuncia o início
de um outro tempo

a morte do amor
foi a solução
do tempo
em que não havia tempo
para amar

Atit Ordep

Foto de Filipa Andrade

21 março 2008

LÁSTIMAS


Você não existe!

Chorar?
Nem pensar.

Lástimas?
Não vales.

Você me decepcionou?

Não...

Eu me enganei.
Vi amor onde não
havia nem coração.

Você não é culpado.
Eu, sim, me iludi.

Por quê?

Carência...
Falta de afeto...

Isto, sim,
foi a minha busca.

Mas com você
fui ao inferno,
mas de lá retornei.

E novamente vou
continuar
minha busca.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

Foto de Marta Ferreira

19 março 2008

POEMA DO DIA DO PAI


Num mundo vazio
Onde não se grita o que se sente
Olho à minha volta e sinto medo
És o único diferente
Há quem venda a alma ao diabo
Mas a tua te pertence
És o que és
Não interessa o que ninguém pense
Nunca baixas os braços
Não temes o que a vida te reserva
Caminhas de cabeça erguida
Numa terra há muito perdida
Orgulho-me de ti
E não o digo vezes suficientes
Ser tua filha explica
Todos os meus sorrisos insolentes
Maneiras diferentes de ver o mundo
Maneiras diferentes de agir
A força que vejo em ti
Não me deixa desistir

Matilde Correia

Foto de Henrique Correia

18 março 2008

PESADELO


Ando pelas ruas.
Escorrego no sangue das sarjetas.

Estou confusa.
Não sei mais nada.

Este sangue será meu?
Será dos mortos?
Será teu?

Estou andando à toa,
em círculos, sem rumo.

Procuro por uma mão amiga.
Nada encontro, a não ser
mortos-vivos, pedaços de gente,
corpos sem corações, sem emoções.

Será que o mundo acabou
e eu não percebi?

Será que morri
e não me dei conta?

Onde será que estou?

Cadê as mãos estendidas?
Cadê você? Cadê ele?

Por que ninguém responde?
Por que este silêncio que dói?

Socorro!
Alguém me ajude.

Me acorde.
Me tire deste pesadelo.

Aqui, nada é real.
.

Ferina izil
Artesãdaspalavras | izilgallu


17 março 2008

ESCOLHAS


Não escolhi te amar,
te amei sem querer,
o coração me traiu,
te amou à minha revelia,
eu nem queria...
Não escolhi
deixar de te amar,
nem escolhi te esquecer...
Escolhi viver,
quero meu coração
pulsando,
ainda que seja,
teimosamente,
por você...
.
Suely Ribella ©

15 março 2008

ESTADO D'ALMA

Sou cruel como pessoa,
não sei ser amável,
nem sei mais ser delicada.
Meu limite como ser humano
não existe mais,
o prazer de escrever,
como quiser.
para este mundo.
mas não encontro
para esta anarquia.
se já tive um dia.
está terminando.
continuar humana.
um simples animal.
me tornei um animal.
Só me resta ainda
e este posso usar
Neste não preciso ser cruel,
não preciso ser humana,
posso simplesmente ser eu,
verdadeira ou falsa,
já não sei mais.
Escrevo e me contradigo.
Sou boa, sou má.
Sou santa, sou demônio.
Sou crente, sou descrente.
Não creio mais na humanidade.
Não creio em salvação
Procuro,
soluções ou saída
Não tenho mais heróis,
nem lembro
Talvez eu tivesse, sim.
Era uma heroína,
uma mulher,
minha mãe.
Ela já está partindo.
Seu tempo na Terra
Então não preciso mais
Posso ser mesmo
.
Ferina izil
Artesãdaspalavras | izilgallu

13 março 2008

O TEMPO III


foi quando
meus dedos
afloraram
a pele sedosa
dos seus seios

então senti
a brevidade
de um momento infinito

toda a minha vida
existe no genoma
desse momento breve

tudo o resto
é pó de estrelas

Atit Ordep
Foto Olhares.com

11 março 2008

MARCAS QUE PRODUZO



Vivíamos lado a lado
Companheiros de uma luz
Vivíamos colados
Os corpos queimavam em cruz
E cada vez que lhe buscava
Seu ventre ainda me seduz
Chorava como menino

Tens minha espada gravada
No seu corpo de estátua
A ferida é um labirinto que produzo
Na amada, amante, amiga
É somente uma ferida
Que não permito cicatrizar

Tens a minha espada gravada


Ferina * Karolina B

09 março 2008

COMO DEFINIR?


Como definir
esse vazio em mim
quando estou longe de ti?
Essa vontade
de estar junto,
estar perto?
Essa ansiedade
pra te ver?
Essa insatisfação,
essa inquietação,
essa amargura,
esse desespero,
essa vontade
de gritar teu nome,
tão alto
que te faça vir
correndo pra mim?
Como definir?

.
Suely Ribella ©

07 março 2008

DE ONDE VEM?





De onde vem?
Vim de caminhar na alma
E ver que estou louco
Serenidade é pra poucos
Aqueles que não viram
Como eu vejo você
E loucura pra mim
É ter de esquecer

(Ferina* Karolina B)

05 março 2008

ESPELHO


a imagem
de sentido avesso
reflecte uma parte de ti
a outra
que tu não vês
tal como o lado escuro da lua
é aquela que eu guardo
na memória do futuro

Atit Ordep

Foto de Paulo Almeida (olhares.com)

03 março 2008

DOR HERDADA




Vida mal vivida,
passada, magoada, sofrida.

Pessoas mal-amadas sofrem
e fazem sofrer.

Caminham com mágoas pela vida,
distribuem o fel da amargura.

Deixam de herança, cravado nos seus,
a triste vida vivida,

e refletem nas gerações
como marca da dor herdada.

E novamente repetem
e vivem a vida sofrida.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

01 março 2008

MORTE


Hoje tive medo de partir,
sem ter tempo

para me despedir
de você...

Não,
eu não quero ir...
Estou bem aqui,
quase feliz...

Mas, o coração
anda inquieto,
insatisfeito,
assustado...

Se eu partir de repente,
quero, pelo menos,
tempo para pensar
em você...
.

Suely Ribella ©

28 fevereiro 2008

DOLCE ABITUDINE


Eri un'abitudine,
dolcissima abitudine.
Ogni giorno in chat,
io e te, soli, ma non
in solitudine.

Il tuo viso
non ho mai toccato.
Nemmeno il tuo
seno ho sfiorato.
Eppure ero lì,incantato.

Due labbra, corolla
d'un fiore, cornice
d'amore e rispetto.
Ma non sia mai detto!
Non parlo da solo....

Ed aspetto te,
tu che arrivi
e t'nfurii, normale;
sei una donna bella,
mai banale.

Sei sposata, con figli,
sei anche intelligente.
Come t'avrò trovata
e scelta tra tanta gente?
Un solo difetto.Gelosa!

Senza un motivo palese,
senza esser scortese.
S'è spenta l'abitudine.
Ed ora mi manca
quell'ora di sera.

Vorrei riprendere ancora,
ma ormai non c'è più
quella bella signora
che mi legge ora
e che m'ignora.

Ciao signora sposata,
al di la del mare
allocata. Pensami un poco.
Non fare fatica!
Io son qui, ch'attendo.
.
Ferino*Lancil*

25 fevereiro 2008

TATUAGEM INTERNA


Disperso
Do começo ao fim
Elevo às alturas os pensamentos
De dor, angústia, receio
Por minha vida e meu tempo
Se vencerei ou prostrado no caminho
Me atei aos medos
E transformei as lutas
Em tatuagens negras
Feriram a pele
Marcou momentos
E desatento, pereci
Mas hoje vejo
O tempo passa
Almas desata
Contudo mostra, é só passagem
Vem desmanchando devagarinho
Esta ferida ou tatuagem

(Ferina* Karolina B)
Foto:site Yotophoto

22 fevereiro 2008

FOI QUANDO EU NOTEI


foi quando eu notei
de repente aquela mão
não apertava o destino
aquele beijo não mostrava as estrelas
os cometas não me atingiam
as horas tinham tempo contado
aqueles seios não amorteciam minha cabeça
aquela voz não me embalava
e o que pensava o corpo
não desejava a alma
e de repente neste conflito de interesses
entre o meu pensar e o meu desejo
o mar recuou numa maré atípica
deixando à vista os despojos do prazer
foi então que eu notei
assim num repente
que já não tinha tempo de te amar
como no tempo dos momentos intemporais
apenas tinha ficado o amor
de como se amam os animais

Atit Ordep

Foto de Amanda

19 fevereiro 2008

AUSÊNCIA


na tua ausência
procuro o sentido
do tempo vazio

tudo me parece
como um oceano
sem estrelas-do-mar

só o sal forçado
pelo choro das almas
tem odor a mar

aguardo em aflição
a mudança das marés
todas as noites

observo a lua
dentro do teu ventre
rodeada de estrelas

com a morte por perto
canto com as sereias
melodias de perdição

e espero por ti
do outro lado da noite
onde não há luz

Atit Ordep

Foto de José Ferreira
em (olhares.com)

16 fevereiro 2008

CADÊ VOCÊ?


Cadê você, que não vejo?
Anda por onde, meu bem?
Vem aplacar meu desejo,
quero você, mais ninguém...
.
Suely Ribella ©

13 fevereiro 2008

FANTASMA


vejo transitar
um corpo
cores furtivas escondem
uma imagem
de mulher fingida

não passa de um espírito
indigno
de passagem por esta vida
ignóbil

tiro uma foto
ao vulto
para provar
que é invisível

aparentemente não existe
só se vê um corpo
a preto e branco
dentro de uma vida
a cores

Atit Ordep

Foto de X Maya

10 fevereiro 2008

CHI SIAMO?


IO E TE,
TU ED IO,
NOI.
IL TUO PAESE
ED IL MIO
LA TERRA.
LE TUE MANI,
LE MIE,
SI STRINGONO.
ECCO IL SEGRETO
DEL TUO CUORE,
DEL MIO,DEL MONDO.
.
Ferino *Lancil*

08 fevereiro 2008

DESEJO


não sei imaginar
os aromas do mar
sem o sal do teu amor
ou as praias amarelas
sem o calor do teu corpo
tudo se resume
o céu, o mar e o areal
à tua imagem
a planar no horizonte
do meu desejo

Atit Ordep

06 fevereiro 2008

DEPOIS DE VOCÊ


Não sei se haverá depois,
sem você...

Você é o meu antes,
o meu durante
e o meu depois...
.
Suely Ribella ©

04 fevereiro 2008

NON ESISTE L'AMOR


Non esite l'amor
è un qualcosa inventato.
E' un sentimento?
Non l'ho mai toccato!
Forse è un fiore?
Non ne sento il profumo
ma solo la puzza,l'odore
acre e falso, il pestifero lezzo.
Sarà un bella persona?
Guardo in giro, apro gl'occhi
e mi guardo d'attorno
ma vedo solo un mare di sciocchi!
Che sia una donna vera?
Non una di quelle solo da scopare
e poi basta. Che ti preparan la pasta,
e la carne cotta Non riesco a guardare.
Dentro di me solo un deserto,
arido e inespresso. Come sabbia
nel vento della vita, certo
muoio arso dalla rabbia!
La mia bocca, il mio cuore,
il mio sesso, la mente
guardano invano un mare
infinito di persone, di gente.
E non dormo di notte
conto le ore e i minuti
che non avrò mai per me
perchè mai vissuti.
M'hanno squartato,
il cuore fatto a pezzi
se lo sono mangiato,
donne da pochi prezzi
Troverò una fonte sincera?
Che capisca la sete che bramo?
Che non sia solo una sera,
ma che dica, ancora, ti amo!
Non esite l'amor
è solo un sostantivo
scritto sul vocabolario della vita
e la mia è già quasi finita!
.
Ferino*Lancil*

02 fevereiro 2008

LE MIE MANI


Le mie mani hanno dita
lunghe e affusolate.
Pulite e ben curate.
Strumenti di uno scrivano,
lisce e rosate.
Le mie mani hanno toccato,
e son contento, molte cose,
belle e brutte. Di loro sono
fiero perchè mai armi
hanno impugnato.
Solo il mio membro
e corpi femminili hanno toccato,
ma anche mani di bambini
accompagnato,e tanti volti
vecchi accarezzato.
Le mie mani aspettano te,
forse, l'ultima sensazione
eccitata della vita.
.
Ferino*Lancil*