07 maio 2010

SANTA LUCIA


Ad aspettare non posso più
dentro di me scoppia il cuore
vorrei vivere in mezzo all'amore
vorrei darne a una cara donna
che sparisce all'improvviso
e non mi mostra il suo bel viso
mi spiace veramente
non vederla quotidianamente
và a finire che capiterà
anche a me di non vedere
più davvero, come a Santa Lucia.
.
Lancio

03 maio 2010

A RAPIDEZ DA VIDA






A vida passa muito mais
rápido do que podemos perceber.

Quando nos damos conta,
ela já passou

e nos deixou assim:

esquisitos,
rabugentos,
mal-amados,
amargos.

Quero parar o tempo,
sair desta velocidade.

Quero viver mais e mais.

Quero ter tempo
para tudo provar

ou, pelo menos,
teus beijos roubar.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil


30 abril 2010

PARALELAS


Corações
apaixonados,

pensamentos
entrelaçados,

almas
unidas...
E a vida?

vidas...
.

Suely Ribella ©

26 abril 2010

TRAVESSA DO FALA-SÓ


na travessa do fala-só
vive uma alma solitária
que vendeu o futuro
por uma promessa imaginária

fala com os seus botões
para manter o discurso fluido
enquanto aguarda pela volta
do seu amor perdido

faz discursos de silêncio
promessas de perdão eterno
para as maldades da vida
aceites com um sorriso terno

na travessa do fala-só
vive um homem amargurado
pelas traições do seu amor
mas vive ainda apaixonado

espera que ela volte um dia
talvez a coberto do nevoeiro
e sorri como um miúdo
que vive o amor primeiro

a espera não o cansa
ainda acredita num milagre
e lê as entranhas dos animais
na busca de um fim alegre

na travessa do fala-só
passa o elevador da glória
que sobe e desce uma vida inteira
e só traz pessoas sem história

apenas o seu grande amor
parece que de si não tem dó
choro pelo homem que vive
na travessa do fala-só

Atit Ordep

22 abril 2010

LONTANO LONTANO


Passono i minuti
le ore ed i giorni
e con loro gli anni.
Ti raggiungerei a nuoto
se sapessi,
se fossi certo
che il tuo amore è vero.
Ma è tutto inutile
testona
tu non credi
io soffro e lentamente
muoio
con il tuo nome
sulle stanche labbra
che solo fino a ieri
furono ebbre
d'amore.
.
Lancil

18 abril 2010

VAZIOS



os impulsos não convencem
meu corpo
meus olhos não choram
mais de alegria
minha boca não come
só por prazer

E eu perco uma infinidade
de coisas que são boas
nos seus momentos finitos
Como dizer, não me importo
de te ver passando sem dizer
ao menos olá


Isso porque não demonstro
guardo minhas fraquezas
Como estrelas apagadas
Se minhas lágrimas somem
é porque estão secas
Mas elas estão aqui

14 abril 2010

MANDONA


É certo que, da morte
ninguém escapa...
mas, ela vem quando quer,
não quando se deseja.
.

Suely Ribella ©

10 abril 2010

FINITO



(trilogia da carne – parte 3)

a vergonha morreu
no meu colo
enquanto o desejo crescia

encosta a cabeça no meu peito
e sente os batimentos de um corpo satisfeito

sente a minha pele aveludada
agora húmida e brilhante

olha-me de soslaio
e focaliza a minha boca
aproxima-te dela e penetra-a

bebe da fonte
sacia tua fome
esquece o mundo lá fora
agora o universo somos nós

Atit Ordep

Foto de Margarida Gautier

07 abril 2010

ENCORE



(trilogia da carne – parte 1)

mais uma vez
e a magia repete-se
cataratas de fogo
na respiração do demónio

aproxima a boca
do fogo inocente
sente a pele a derreter

morde o destino
arranha e grita
enquanto desces
ao inferno profundo

outra e outra vez
até os rios não terem mais água
as cinzas ficarem frias
e os olhos se fecharem

Atit Ordep

Foto de Margarida Gautier

04 abril 2010

UNO



(trilogia da carne – parte 2)

vem
de mansinho
estende as mãos
e abraça o corpo

aperta
com força
e deseja

um final
único
uma fusão nuclear

Atit Ordep

Foto de Margarida Gautier

01 abril 2010

DESILUSÃO


Não tive sonhos fenomenais,
tive sonhos simples, iguais
aos sonhos de muitos mortais,
sonhei com alguém presente,
perto, junto, nunca ausente,
que amasse a mim somente...
sonhei com a tal felicidade,
vida a dois, cumplicidade,
mas sonho não é realidade,
bem longe ficou o que sonhei,
vivi aquilo que não idealizei,
ah, eu sonhei tanto, sonhei...
.
Suely Ribella ©

29 março 2010

EBULIÇÃO



Palpitação.

Corpo em ebulição,
calor como uma febre,
uma chama insuportável.

A intensa necessidade
do encontro dos corpos,
em busca do mais puro prazer.

Instantes que passam depressa,
mas permanecem vivos
na pele
e na memória.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil

26 março 2010

POEMA CHATO E COMPRIDO


amo-te
porque me apetece
amo-te
mesmo quando não me apetece

amo-te
despida
amo-te
mesmo vestida
amo-te
com e sem roupa
amo-te
incondicionalmente
amo-te
mesmo contrariado

amo-te
muitas vezes ao dia
amo-te
todos dias no ano
amo-te
até os dias esgotarem as horas
amo-te
quando estás longe
amo-te
quando estás perto
amo-te
por cima de mim
amo-te
por baixo ou de lado

amo-te
como um louco
amo-te
sem juízo
amo-te
sem saber
amo-te
sem saber o que fazer
amo-te
sem saber como parar
amo-te
inevitavelmente
amo-te
muitas vezes
amo-te
com muita força
amo-te
com jeitinho
amo-te
de uma forma desajeitada

amo-te
porque sou estúpido
amo-te
mesmo que fosse inteligente
amo-te
como um ditador
amo-te
como um democrata
amo-te
como um guerrilheiro
amo-te
mesmo em estado de guerra
amo-te
antes da catástrofe
amo-te
mesmo depois de morrer
amo-te
nos bosques
amo-te
nos carros
amo-te
nas camas
amo-te
nos cinemas
amo-te
nos circos
amo-te
nos concertos

amo-te
mais que tudo
amo-te
antes de tudo
amo-te
depois de tudo
amo-te
apesar de tudo
amo-te
em desespero
amo-te
em coma
amo-te
mesmo ferido, agonizando
amo-te
na mesma
amo-te
mais que a vida
amo-te
para além da morte

amo-te
de formas tão diferentes
amo-te
até me sentir tonto
amo-te
porque sim
amo-te
mesmo que não
amo-te
de facto
amo-te
como num amor de perdição
amo-te
com este amor que tenho
amo-te
como neste poema chato e comprido

amo-te
como chuva me molha o peito
amo-te
como lágrimas me molham a alma
amo-te
vezes sem conta
amo-te
desesperado
amo-te
feito um tonto
amo-te
simplesmente
amo-te
apesar de complicado
amo-te
no fim
amo-te
no fim de tudo
amo-te
no fim deste poema

Atit Ordep

Foto de Carlos Lopes Franco

23 março 2010

ERA UMA VEZ UMA VIDA


Uma tarde chuvosa e estranha,
um dia de outono, ou não.

As estações estão mesmo
desajustadas,
assim como nós.

Não há mais conexão entre nós.
Não há mais vida,
nem amor.

Acabou.
Ficou frio,
como esta tarde chuvosa.

Alguém está partindo,
ou talvez voltando.

Há muita chuva.
Não vejo direito.

Somente um vulto,
somente um ser.

Talvez um triste ser,
talvez alguém abandonado,

assim como eu,

sozinho
e molhado.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil


20 março 2010

E A CHUVA NÃO VEIO


E a chuva não veio...
E a alma ficou sem lavar,
coração sem cuidar,
pensamento perdido,
corpo encolhido,
e a desesperança
crescendo, crescendo...
.
Suely Ribella ©

17 março 2010

ESTRANHA CONFUSÃO



Diante do papel,
busco palavras
para descrever meus sentimentos.

Há tantos sentimentos aqui dentro,
embaralhados,
que me atrapalham,
não me deixam compreender
o que me torna
esta pessoa indecifrável,
estranha.

São sentimentos confusos
que nem sei se...
te amo ou te odeio.

É verdade que os dois
andam próximos,
mas ainda assim
é estranho.

Queria você comigo,
mas não tão perto assim.

Queria sentir teus beijos,
mas não tão fortes.

Queria teu abraço,
mas não tão quente.

Viu?
Eu disse.

Realmente não sei descrever
o que sinto por você.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil


14 março 2010

VERSOS EM PROSA OU A VIDA FEITA EM MERDA


sei que te amo, sempre o soube, soube-o desde o momento em que nasceste, na manhã da minha vida, no primeiro segundo da vida, no primeiro sopro de fé, sei que te amei sempre, sem nunca vacilar, determinado ou distraído, sempre bateu em meu peito esta vontade de te ter, perto, junto, no redor dos meus braços, sempre onde te pudesse deitar a mão para não caíres, em tentação ás vezes, sofrimento outras, mas sempre perto, do coração, da alma, do corpo, do pecado, da dor, na partida inevitável, diluviana e rancorosa, do partir sem chegar, do imaginar a solidão acompanhado, do medo, do desconforto, da teia tecida pelo ciúme, que tudo corrói assim que chega, desconforto das palavras de adeus, transpiradas e nervosas, tempo de promessas e horrores, te amo…

sei que te odeio, ou pior, te ignoro, sem tempo para ilusões, nem choros, só o rancor perdura como objectos na cidade perdida, amores na cidade proibida, receios da luz, vidas no fogo, crematório de pecados acabados, choro raivoso, perda de razão, nas palavras do ódio, sementes de violência, afectos cobardes, vidas alarves e miseráveis, vejo em ti o rosto da morte, travestida de vida, mentirosa e enganadora, tanto te odeio, nem chegam as palavras lavradas na miséria dos proletários, olhos vermelhos, ardem de loucura, abafada em gemidos doridos, rosnar feito louco, cão raivoso, pede abate, vida inútil, merdosa, frouxa, ignóbil, pegajosa e perversa, assim é a tua, te odeio mais que a vida, mais que a morte, rasgo a carne, raiva em espuma, de uma boca sangrenta, te odeio…

sei que não sou eu que falo, talvez nem exista, tenho dias assim, outros diferentes, mas sempre na dúvida, se existo ou fui inventado, e a ti procuro, feito um doido, no meio dos livros, terá sido um conto, ou um poema, um verso solitário, uma rima que ficou, esquecida nas palavras avulsas, produto da imaginação, sinfonia inacabada, ideia gerada nas palavras, existência irreal, terra de sonhos, noite desconhecida, negrume das paixões, desejos inacabados, incerteza, fecho janela, que dá para a vida, a porta dos sonhos, a realidade escureceu, é quase noite, dormem as fadas e os duendes, as histórias de encantar, presas dentro de um livro, de capa azul, e adormeço, sem saber se existo, sei que não sou eu…

Atit Ordep

Foto de José d' Almeida & Maria Flores

11 março 2010

LIÇÃO



Depois daquela raiva toda
Dos cabelos arrancados da cabeça
da mão quebrando o copo de vidro
dos braços lançando a cadeira
dos dedos emburrando o vaso
dos pés chutando meu torço magro
Eu vi que estava tudo bem
Pois estava apanhando da vida
E as marcas que eu carrego
São marcas no profundo do ser
que um dia serão explicadas

Ferina*KarolinaB

08 março 2010

SUSTO


Vivemos ocupados,
andamos distraídos,
negando atenção
ao coração...
Um dia acordaremos
lembrando de nós...
e não perceberemos
que passou da hora,
já fomos embora...
A vida e a morte
sempre se encontram,
não dá pra fugir,
não dá pra enganar,
elas estão
em todo lugar...
São boas de briga,
vence a melhor,
a mais esperta,
a morte é certa...
.
Suely Ribella ©

05 março 2010

DEIXA-ME DIZER-TE


deixa-me dizer-te
que te amo
neste momento de pausa
no fim de um dia vazio de sentido

e que te acompanhei no caminho da escola
de mão dada

não questiones o sentido
da súbita declaração
pode ter sido a falta dos teus beijos
imaginados de noite
ou a falta da tua pele
nos meus ossos doridos

vejo as crianças a brincar
na roda do teu vestido
teu sorriso alumia o recreio

vou aqui ficar
sob este sol do interior
para te ver sair do meu sonho
e te poder levar de volta a casa

Atit Ordep

02 março 2010

O OCULTO



O que me atrai
é o que as palavras
não dizem.

É seu outro lado,
o imaginável.

Gosto das insinuações,
dos enigmas,
de tudo o mais
que for oculto.

Preciso dessa parte escura
para poder pensar,
reagir,
ter tempo.

Tudo muito às claras
não me atrai.
Não tem graça.

A verdade,
a realidade,
é muito chata.

Mistérios existem
para tornar a vida
mais emocionante,
mais excitante.

Fantasmas também existem
e devem ser interessantes,
pois assombram
nossas mentes.

Mas não se preocupem.

Sempre haverá uma luz
lá no fundo,
para os desesperados
acharem o caminho.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil

27 fevereiro 2010

DONNA M'UCCIDI


Perchè mi strappi il cuore?
Lo stritoli tra le mani
e poi lo getti via, lontano.
Mi cogli gli occhi verdi
ne fai delle palline
e poi le getti via, lontano.
Mi privi del cervello
stracci i miei pensieri
e poi li getti via, lontano.
Prendi le mie mani
non vuoi essere toccata
mi monchi
e poi le getti via, lontano.
Mi hai privato di tutto
perfino della vita
ma non è ancora finita.
Vuoi di più.
Forse l'essenza del mio amore
per imbellire un nuovo fiore,
che cresca nel sangue
e nei mie resti mortali.
Non sento male,
Perchè, lontano, io ti amo.
.
Lancil

24 fevereiro 2010

SEM VOCÊ


Sem você,
meu amor,
sou nada,
e nem sei porque,
pois sou tanto
e tantas numa só!

Sem você,
meu amor,
sou tanto,
e nem sei porque,
já que sou nada
sem você...

Sem você,
meu amor,
eu levo a vida,
empurro,
dou murro,
não vivo...

Sem você,
meu amor,
foi sempre assim,
um eterno esperar
você voltar
pra mim...
.
Suely Ribella ©

21 fevereiro 2010

UM DIA DE CHUVA


um dia de chuva
encharca os corações
disfarçados de maus fígados
e os olhares molhados de culpa
são açoitados pelo vento

um dia de chuva
a vida passada
nunca fez sentido
o frio e o desconforto
habitam dentro dos culpados
do costume

um dia de chuva
não é mais um dia
quando nas tuas costas
passa por ti o passado
vestido de futuro

não é mais um dia
é um dia clonado
um espasmo de dor
um avesso da realidade

agora que é noite
chove na mesma
e os abraços solitários
perfilam-se no escuro

as ideias morrem presas
na fatalidade do destino
ou atoladas num lamaçal
de vidas incompletas

num dia de chuva
enquanto eu chorava
passaste por mim devagar
mas ficaste sem saber de onde vinha tanta água

Atit Ordep

Foto José de Almeida (olhares.com)

18 fevereiro 2010

LA NOTTE TI PENSO


L'AMORE
QUELLO VERO
è UNA FORTUNA
A DOPPIO TAGLIO.
TI RENDE FELICE
MA ANCHE GELOSO.
COSì LA NOTTE TI PENSO.
TI PENSO CON ME
E MI SORRIDE Il CUORE.
TI PENSO CON LUI
E MI SCENDONO CALDE LACRIME.
MI BASTEREBBE
Sapere che tu sei mia.
.
Lancil

15 fevereiro 2010

MOMENTO


Momento
come questo.
con il magone.
Momenti,
quelli rari,
di gran soddisfazione.
Momenti, quelli più difficili,
sbiaditi e insopportabili,
Momenti di ieri,
momenti di oggi.
Momenti da vivevre,
da tenere d'acconto,
perchè,
continua, continua,
stanno scrivendo
tutti i secondi
del tempo
passato in questa vita venduta.
.
Ferino*Lancil*

Dedicata a fera Izil

12 fevereiro 2010

FOLIA



Confetes, serpentinas,

pierrôs, colombinas,

palhaços, bailarinas...

Muita música, alegria,

é carnaval, só folia,

com ou sem fantasia!

O importante é a diversão,

mantendo longe a paixão,

para evitar confusão!

Logo acaba o carnaval,

a vida volta ao normal,

e o jeito é esperar

mais um carnaval chegar!

.

Suely Ribella ©

09 fevereiro 2010

06 fevereiro 2010

POR UMA JANELA


por uma janela
do passado
observo rostos
marcantes
na vida
que vivi
uns estão retocados
pelo tempo
outros desbotados
apenas o teu
tem o brilho
e o aspecto
da foto original

Atit Ordep

Foto de Ricardo Gonçalves

Post-scriptum – Só o rosto de quem amamos resiste à erosão do tempo.

03 fevereiro 2010

ESPREITO POR UMA FRINCHA


espreito por uma frincha
as curvas do teu corpo

sinto o verão chegar
o corpo a transpirar

vejo as cores
e os contornos
da carne sinuosa
apertada por arames e fechos
fáceis de desapertar

espreito o passado
dentro da roupa apertada

por uma frincha
recordo as tardes mornas
sem roupa

Atit Ordep

Foto de Nuno Monteiro

Post-scriptum – Um botão desapertado diz mais ao amante que uma mulher toda nua.