06 julho 2008

VERSOS NÃO LIDOS




São versos ou mesmo trilhos
São caminhos onde ninguém pensou

Pensamentos onde ninguém andou

Passaram desapercebidos
Donos de tantos brios

Não choraria tantas páginas
Se houvesse lido as tuas lágrimas

(Ferina * Karolina B)

05 julho 2008

FLORES REFUGIADAS



Ah Ele quer a paz tão desejada
De infinitas sensações amadas
Quer a pomba branca no peito

A neve, a tempestade e o frio
Cair no monte e dormir pra sempre
Perder a consciência da guerra

Ganhar a ilusão de mil vidas
Quer anunciar a primavera
Das flores refugiadas

Ganhar o último abraço na terra
E o primeiro beijo no céu
Contar aos fantasmas as sagas

De um herói esquecido
A neve, a tempestade e o frio
Da mais triste jornada humana


(Ferina* Karolina)

Imagem site thirdover4

04 julho 2008

INSISTÊNCIA


Insisto.
Persisto.
Não desisto.
Ainda vou conseguir
encontrar.
E quando encontrar
vou agarrar
com unhas e dentes,
não vou mais soltar,
não vou deixar
escapar
de mim,
a felicidade.
.
Suely Ribella ©

03 julho 2008

DURANTE O SALTO



Naquele instante, um anjo aparece?
Imagino que explique meu triste fim

Acompanha a queda, segura minha mão
Abre seus enormes olhos de bondade

Dentro deles vejo o futuro sem mim
...E o vento batendo contra a pele

A sensação de liberdade no impulso
De saltar, temer, arrepender-se

De repente voar para a direção errada
E o ser que ainda acompanha

Minha fuga repentina, escapo dos braços
Da vida, restou o gesto de despedida

O anjo desprende a mão da minha:
"Até aqui." ele diz, "até aqui?"

Então acordei do sonho e entendi
que aquele salto levava a nada

E do quarto escuro ao frio da madrugada
Desisti do salto e desci pelas escadas

(Ferina*Karolina B)

02 julho 2008

O DIÁRIO NEGRO


É que estou me sentindo morta
E o que está vivo já não quer mexer
O que levanta são apenas pálpebras
Mas a verdade é que não posso ver

Gosto do incerto mas estou errada
Tenho medo de me encontrar
É bom sair as vezes do limite
Para ouvir, entender, gritar

Estou com medo de comprar as rimas?
Alguns criticam, tiram sarro, correm
Para contar que estou verde ainda
Versos quebrados, quero, logo morrem

É que estou me sentindo morta
Versos soltos são um burburinho
Essas palavras sem cor ou domínio
Vão seguindo sem ver o caminho

Ferinos sabem do diário negro
Onde escrevem o reflexo d'alma
Abrem o peito e discorrem tudo
Acham no verso o risco da palma

Ferinos sabem...

(Ferina * Karolina B)

01 julho 2008

PEQUENAS COISAS RESPONSÁVEIS PELA FELICIDADE DAS PESSOAS QUE VIVEM NO MUNDO ACANHADO DOS SENTIMENTOS INVENTADOS HÁ MUITO TEMPO PELO POETA FORJADO…


ele, agarrou-a por trás
beijou-lhe a nuca
cheirou o seu pescoço
e sussurrou-lhe algumas palavras

ela, colocou-se em posição fetal
e fechou os olhos
deixou o calor do outro corpo
cobrir o seu corpo descontraído

eles, pararam o tempo
penduraram o sol no céu
e as aves nos beirais
abriram uma janela do mundo
para que corresse uma suave brisa

ele, segurou-lhe os seios
e disse-lhe que queria ser uma criança
brincar com os seus cabelos e ser amamentado

ela, segurou-lhe a cabeça
com força entra as pernas
e fechou os olhos
imaginou as aves no céu
e o sol nos beirais

ele, levantou a cabeça
olhou-a nos olhos
agarrou-a pelo cabelo
e arrancou palavras da sua boca
e deixou-as escorrer pela língua

eles, estenderam os corpos ao sol
deixaram as mãos procurar as cores do céu
os olhos semicerrados sentirem o som do mar
cada um abraçou os dias feitos de sabores

pequenas coisas
guardam a chave do sonho
pequenos gestos
guardam o segredo da vida

Atit Ordep

Titulo completo do poema:

Pequenas coisas responsáveis pela felicidade das pessoas que vivem no mundo acanhado dos sentimentos inventados há muito tempo pelo poeta forjado na amargura dos dias solitários.

27 junho 2008

BRINCANDO DE AMAR



Meu peito não está oco
Ouvindo o próprio vazio
Te ouço aqui dentro
Quase como um ruído
Quase como canção
Te ouço fazendo algazarra
Brincando de morar
No mundo que construí
Sinto que estás de castigo
Sentado no banco
Tocando seu violão
A música certa liberta
O homem aprisionado
Coberto de tantas razões
Mas eu deixei a certeza
Quando o fechei de repente
No breu do destino
Sentado no banco
Tocando oração

(Ferina* Karolina B)
para o blog FF, o mais lindo da web!

26 junho 2008

PEQUENO HOMEM (1)

PEQUENO HOMEM (1)

O pequeno homem é o
que não tem coragem,

esconde-se em suas
falsas palavras.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (2)

O pequeno homem é
aquele que subiu,
escalou,

para fugir dos próprios medos
que deixou aqui embaixo.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (3)

O pequeno homem é
aquele que não fala,

não escreve, pois teme
e tem sempre que se
esconder atrás da
pedra do sapato.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (4)

O pequeno homem não é
o anão, é o gigante que,
covarde, finge-se de morto.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (5)

O pequeno homem
se mantém
à distância,

usando a dor,
o medo,
a falsidade
como escudo.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu


PEQUENO HOMEM (6)

O pequeno homem
é aquele que usa
uma tela,
uma máscara,

para tentar provar
que é real.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil

25 junho 2008

NOITE MALDITA


A madrugada veste
o morto profano.
Espalha suas teias,
prendendo os incautos.
Na escuridão dos estreitos,
espreitam-se aqueles
que possuem veneno.
Tudo dilaceram
com sua fome de pecado.
São profanos.
São obscuros.
Crimes e batalhas
são travados
nas sombras.
Assim é a noite maldita:
cruel,
crua
e nua.
Sem máscaras.
Sem luz.
Sem lua.

artesãdaspalavras

izilgallu


.
Ferina *izil*
foto de Vitor Cid

23 junho 2008

OUTRA VEZ


outra e outra vez
a dor acorda comigo
ao nascer do dia
vezes sem conta
os dias são recontados
sempre iguais
mas com palavras diferentes

uma e outra vez
as imagens sucedem-se
dentro da minha cabeça
um filme mudo
gasto pelo tempo
uma reposição diária
de um drama antigo
retocado com mágoas
a cada dia que passa

vezes sem conta
penso em ti
e tento lembrar o dia
em que deixei de te amar
o último beijo, o último adeus
o último olhar, o último cheiro
da chuva no corpo

todos os dias adormeço
na ansiedade
de contar uma história diferente
onde eu acredite que existo
para além mim
que não sou prisioneiro
da memória de um amor
que não existe mais

Atit Ordep

Foto de Bernardo Coelho

21 junho 2008

ALMA


Fica contigo,
plenamente só,
quase pó,
tu e teu corpo
frio,
vazio.
Tenho-te a alma
na palma
da minha mão
fechada
encolhida
trancada,
para por,
dispor,
como quiser.
Tenho-te a alma,
roubei,
não devolverei,
não pequei,
é minha,
são minhas
as almas
dos que amo.
.
Suely Ribella ©

19 junho 2008

MEU NOME



Eu poderia partir agora
e para ti não poderia deixar
qualquer parte de mim,

pois nada mais me resta.

Não sou mais eu mesma.
Não existo mais.

Não ficaram registros
em minha mente
dos retalhos felizes
de nossa vida.

Não me lembro
se algum dia me fizeste feliz,
se algum riso trouxeste,
se algo de bom tu me deste.

Se parto hoje,
levo apenas
meu nome

e nada mais.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

17 junho 2008

LEI M'HA LASCIATO


DONNA SE T'HO FERITA
NON FECI APPOSTA

DONNA TU M'HAI
SQUARCIATO IL CUORE

MI HAI LASCIATO
DI SASSO

HAI SPENTO UN PULSANTE
ED HAI UCCISO LA MIA SPERANZA

NON SO NEMMENO PERCHE'
ANCHE SE LO POSSO IMMAGINARE.

NON DORMIRO' STANOTTE
PENSERO' A TE........ VICINO AL MARE.

Ferino*colanget*
foto de Tiago Felipe

15 junho 2008

PALAVRAS


palavras
morrem na praia

queria dizer tantas palavras
mas nada sai da minha boca
nem um som, nem um gemido

apenas a dor da morte
forma palavras fúnebres
nesta tarde de verão

o cortejo dos poemas
acena-me na despedida
da minha vida
enquanto eu esbracejo
dentro de uma urna
onde ninguém ouve
as minhas palavras mudas

Atit Ordep

Foto de Gilberto Júnior

11 junho 2008

PASSOS


teus passos
ecoaram nas memórias gravadas

meia volta
um olhar

meia volta
um adeus

ficam teus passos perdidos
na memória

era apenas um som
de um fantasma
do passado

Atit Ordep

Foto de THE ANYWHEN EXPERIMENT (olhares.com)

07 junho 2008

O QUE SOMOS?

Nada,
Não somos absolutamente nada.
Só um sopro, uma brisa
que se apaga num piscar de olho
E todo nosso orgulho, vaidade,
vantagem, riqueza, beleza,
sacanagem, intolerância,
mesquinhez,
demoram só mais uns
instantes para desaparecer.
Só o tempo que os vivos
levam...
para nos esquecer.
.
Artesãdaspalavras/izilgallu
Ferina Izil

05 junho 2008

GLÓRIA


O passado não volta,
ficou lá atrás, passou...
O presente era esperança,
era sonho, frustrou...
O futuro, pra que?!
quero o fim da história,
quero o dia da morte,
da sorte, da glória...
.
Suely Ribella ©

03 junho 2008

L'ORO DELLA VITA


Cercavo l'oro
per arricchirmi
pensavo a loro
così inermi.
Ho visto ingiustizie,
gravi e palesi
ma non fan più notizie
in nessun dei paesi.
Dei paesi del mondo
dove c'è la fame
doce girando in tondo
dove estraggono il rame.
L'oro del mondo non esite
nelle miniere
ma nel cuore
delle persone
non ha un nome lungo
ma molto usato
e spesso a vanvera
è una parola comune
ed è sulla bocca di tutti...
me la sai dire tu
che me la rappresenti?
Ridi, ridi pure...
mi farai felice
oggi, domani, o forse mai..
ma sei mia e questo e mi basta.
Ricordo solo i tuoi occhi
ed il tuo bacio
sulla bocca...amor!
Ma era solo un sogno..
Amor, amor, amor...
ECCO L'ORO DEL MONDO!
.
Ferino*Lancil*

01 junho 2008

ONTEM EU CHOREI


Ontem eu chorei.
Sozinha.

Precisei do seu ombro,
mas ele não estava disponível.

Ontem eu lamentei minha solidão,
lamentei por um amor
que não tenho.

Ontem você não estava ali.

De nada adianta
este ser não sendo,
este dar não tendo.

Ontem eu compreendi:

você vive em mim,
não vive pra mim...

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil

30 maio 2008

QUASE ACREDITEI


Quase acreditei em ti
quando disseste que me amavas.
Mas um cego olhou para mim e riu-se
e eu envergonhado,
olhei para ti
e recuperei a visão.

Olhei e não vi
as palavras
que caíram no chão,
quebradas por ouvidos moucos
e pouco sinceros.
Ouvi algumas vogais
estridentes, chorar.
Senti algumas letras
tocarem de raspão
o meu corpo sofrido.
Saboreei o sal
da agua que corria
pela minha face.
Inalei o teu odor
trazido pelo vento
enquanto te afastavas.

Antes de perder os sentidos
ouvi um sussurro
vindo do chão quente
transportado por um bafo cálido
e olhei para baixo
e vi-te a arder no inferno.

Atit Ordep (Ferino num dasatino)

27 maio 2008

VIAJANDO



Viajando mundos,
galáxias, planetas...
Viajando profundo,
pro fundo de mim...
Viajando pensando,
tentando entender...
Viajando sonhando,
tentando esquecer...
Viajando profundo
pra dentro de mim...
Viajando profundo
pra longe de ti...
Viajando viajando,
querendo viver...
Viajando, viajando,
profundo, pro fundo,
até me encontrar,
até ser feliz...
.
Suely Ribella ©

24 maio 2008

LA MIA OMBRA


Cammino nella notte
solo, ma mi piace.
L'asfalto ancora caldo
mi regala il suo odore
di gomme e sudore.
Il silenzio mi rincuora.
Un'auto s'avvcina
e intreccia la mia ombra
con la luce dei fanali
e del lampione.
Non sono più solo..
la mia ombra si può
riprodurre all'infinito.
Sono in allegra compagnia,
corrono sulla strada
giocando. Sembrano felici.
Lauto è passata,
sono di nuovo solo.
Grazie ombra mia
per aver fugato
un attimo fa
la grande maliconia.

colanget/lancil

21 maio 2008

LISTA DE FRACASSOS



1 Dores frequentes
2 Dores vividas
3 Caos na coberta
4 Caos na bebida
5 Na tempestade
6 Dentro do corpo
7 Resta as ondas
8 Resta teu sopro
9 Rugi o vento
10 Hálito intenso
11 E o cata-vento
12 Dentro da alma
13 Basta os fracassos
14 Leves fraquezas
15 Flor no cabelo
16 Batom nos lábios
17 Meia 3/4
18 Conste nos autos
19 O amor que te dei

(Ferina * Karolina B)

Foto Flickerphoto

18 maio 2008

DIFÍCIL SER MULHER


Como é difícil ser mulher.

Somos complexas.
Parece que carregamos
todos os signos do zodíaco
em cada uma de nós.

Modificamos a cada momento,
mudamos com as fases da lua.

Temos esta maldita sensibilidade
que nos faz tudo absorver.

Temos esta necessidade
de sermos a salvadora do mundo.

Mas, ao mesmo tempo,
somos carentes.

Precisamos de afagos,
carinhos,
palavras doces de amor.

Queremos sempre ser amadas.
Queremos muito amar.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

LEMBRO TUDO


lembro tudo
na ausência
de ti
nos meus dias

um tilintar de memórias
num bolso vazio

degredo de sentimentos
estraçalhados
comprimem-se ruidosamente
no meu dia
triste

vagueias teimosamente
nas minhas noites
como um vampiro
que se alimenta
das memórias de dor

Atit Ordep

15 maio 2008

SOMBRA


Vejo-te ao meu lado,
sempre a me seguir,
a imitar meus gestos,
meus movimentos.
Acompanhas-me,
silenciosa,
misteriosa.
Rodeias-me,
envolves-me.
Sorris com meu sorriso.
Olhas com meus olhos.
Vigias-me.
Sombra...
Tu és infeliz.
De mim não te libertas,
e a mim não dás liberdade.
.

artesãdaspalavras/izilgallu
Ferina Izil

12 maio 2008

ESPIRAL





VIDA
Um círculo,
uma espiral,
um infinito.

O que seria nossa vida?

Um vai e vem de emoções!
Um descobrir de sintonias!
Um mar de vibrações.

Sentimos, em uma vida,
todos os tipos de sentimentos.

Testamos nossas emoções,
nos adaptamos a algumas delas,
nem sempre as melhores,

mas, com boas ou más emoções,
aprendemos sempre.

Para voltarmos
com novos conhecimentos.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

09 maio 2008

FECHADO PRA BALANÇO


Fechei para balanço
o meu coração,
vou repensar a relação
sem sentido,
que tenho tido
com certo fantasma,
que já não me pasma
com seu sumiço no ar,
com seu medo de amar...
.
Suely Ribella ©

06 maio 2008

A PRIMEIRA FLOR



Visitando seu mundo
Um universo nefando
Há duas estações
E nenhum luminar
Somente as lufadas
Esses ventos cortantes
Que derrubam o lúcido
E a paz faz deitar

Estou aqui, sou o lucilar
Sou a única sombra
Bulindo este mundo
Despejando água
Cultivando o verde
Invoquei o sol
Tudo isso fiz
Para dar-lhe a primeira flor

(Ferina * Karolina B)

03 maio 2008

AQUI E ALI


aqui e ali
escondem os pecados
de gente sofrida

num lugar oculto
entre portas, entreabertas
vislumbre de sombras
aqui e ali
gente ausente

num lugarejo perdido
nas bordas de uma cidade
ali para os lados do esquecimento
foi cometido um crime
aqui sem castigo
gente impune

aqui e ali
é um mesmo espaço
com misérias divergentes
gente oculta

um corpo castigado
vergastado e esmurrado
está descomposto em pedaços
aqui e ali
gente desfeita

uma ofensa aqui
um ultraje ali
um crime sem castigo
foi cometido aqui e ali
por gente perversa

aqui ficamos indiferentes
aos crimes cometidos ali
tão longe e tão perto
deste espaço dentro de nós
em tempos ocupado
por gente de verdade

Atit Ordep

Foto de Fernando Rodrigues (olhares.com)