30 junho 2011

AMANHECER (O PEDIDO)



o meu pedido
o mais sincero
é que não morra
de amores por mim
que não perca
seu fôlego
ao me ver
pois preciso
que respire
por nós dois
e se necessário,
me odeie
me abandone
e encontre
na outra ponta
desse vasto mundo
sua aventura
seu maior sonho
ah! Eu já posso ver
é mesmo por você
que o céu está brilhando
Agora entendo
o nosso desencontro
é a estrela
é o pedido
que eu fiz chorando
antes do dia
amanhecer

Ferina * Karolina B

26 junho 2011

CALAFRIO

Esse frio que sinto
não vem lá de fora,
esse frio vem de dentro
de mim, da minha alma,
desde que foste embora.
.
Suely Ribella ©

22 junho 2011

APENAS UM LOUCO


Era preciso muito pouco
para alegrar aquele louco:

um pouco de afeto,
um pouco de paixão.

Tinha a alma atormentada.
Vivia sufocado,
angustiado.

Não demonstrava emoções.

Tinha os olhos nublados,
impaciência na mente,
desilusão no coração.

Vivia na escuridão.

Tinha apenas um segredo:

havia vivido
só um pouco,

mas vivido
feito louco

uma grande paixão.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil

18 junho 2011

PERDIDA



Perco tudo o que sei,
porque, a todo tempo,
descubro que nada mais sei.

Tudo o que sabia
já não é mais válido.

Mudou,
acabou,
trocou de cor.

O mundo muda muito,
mais rápido que minha mente.

Fico desconectada
de repente,

porque tudo o que sei agora
é nada daqui a meia hora.

Não sei se enlouqueço
a cada dia,

ou se tudo realmente
muda a todo instante

e eu perco
todo o discernimento.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil

14 junho 2011

VAI INDO...

A gente vai indo,
levando,
empurrando...

A gente vai rindo,
sonhando,
esperando...

A gente vai indo,
chorando,
lutando...

A vida vai indo,
passando,
acabando...
.
Suely Ribella ©

10 junho 2011

O FIM





Num passe de magia tudo terminou, as palpitações, as ansiedades, as angustias, o nervoso miudinho, desapareceram. De repente, num abrir e fechar de olhos, não estavas mais no pedestal onde te tinha colocado, nunca soube explicar isso. Lá estava de novo D. Afonso Henriques, o fundador da nação, apoiado na sua espada, tinhas sido destronada por um rei morto. Os meus olhos não te imaginavam mais, não te despiam de preconceitos nem te cobiçavam, fugiam de ti, mas não por medo, sim por repulsa. A vontade de beber na fonte da vida tinha findado. As memórias dos teus dias iam definhando apesar das sucessivas tentativas de reanimação. Os teus beijos deixaram de ter sabor a mel para passarem à categoria de tóxicos. O anseio de fazer o futuro deu lugar ao velório do presente e ao enterro do passado. Agora olho para ti, para o fundo dos teus olhos e não encontro alma nesse corpo, apenas vermes que digerem uma alma putrefacta. E assim sem saber explicar, ou mesmo entender, partiste da minha vida, mesmo contra a minha vontade. E eu deixei.



Atit Ordep



Post-scriptum – Na vida nada se perde, tudo se transforma.

06 junho 2011

CAÍMOS DE AMOR



Caímos de amor

e a queda foi lenta
e suave como pena
caindo do edifícil

Sentimos a dor

do violento impacto
de sermos levados
pela correnteza

Caímos de amor

e somos levados
mesmo sem vontade
pelos sentimentos

Sentimos a dor

que veio de um salto
um rosto pintado
um palhaço no chão

Ferina * Karolina B

02 junho 2011

HOJE EU NÃO SEI



Não sei 
o que faço, 
se faço, 
compro feito, 
mando fazer, 
não sei 
se vou, 
não vou, 
aonde vou, 
não sei 
se quero, 
o que quero, 
ou não quero. 
Hoje  
eu não sei 
nada... 
nem de você. 

Suely Ribella ©

29 maio 2011

ACORRENTADA


Eu da vida quero mais.
Quero muito aprender,
pois, de tudo que aprendi,
pouco prestou.

Não andei por vias tortas.
Não cometi grandes pecados.
Nada sei do submundo.
Não avancei nenhum sinal.

Permaneci em meu invólucro.
Tive medo...
Não rompi.

Contive-me
ou fui contida.

Não provei.
Não senti.
Nada sei do proibido.

Fui vivendo acorrentada,
sem quebrar elo algum.

Acho que não vivi.

Ferina izil
Artesãdaspalavras | izilgallu

25 maio 2011

PAPEL EM BRANCO



Hoje me conformo
a dor nem sempre escreve
só tenho palavras ocas
provavelmente inférteis
eu não ouço a música
das letras inspiradas
Minhas musas,
belas como estátuas
dormirão sem serenata
pois o homem apaixonado
bebeu toda a garrafa
ficou tonto de tristeza
e adormeceu depressa
sobre um papel em branco

Karolina * Karolina B
.

21 maio 2011

A ETERNIDADE



Há uma eternidade que não chega
e outra que não se faz...
Preciso de paz...
Não quero mais a eternidade
que é o tempo longe de ti.
Quero a paz que se faz
no instante eterno
em que nos teus braços estou...
quero a paz definitiva
da eternidade...
contigo...  
.

Suely Ribella ©

17 maio 2011

ENTENDENDO A MORTE






Às vezes fico pensando
que a morte pode ser
um grande alívio
para as almas sofredoras.
Mesmo não tendo
nenhuma certeza
de que ela traga paz,
eu entendo os poetas
que tão cedo morreram.
Foi o peso
de uma vida
por demais amarga,
sofrida,
que talvez os tenha feito
procurar na morte
a paz que não encontraram
na vida.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu

Ferina Izil

13 maio 2011

INTERPRETAÇÃO



Eu já disse,
mas sem pedir
pra você, amor
Vou repetir
que essa beleza
terna, gentil
eu possuo
mas não sei usar.
Fica cada vez
mais pobre
sem brilho
ou encanto
com o passar
dos anos.
Mas até hoje
eu não sei então
por qual motivo
vem me perturbar.
Se eu fico fora
de mim mesma
quando o desejo
ataca e aplaca
é porque enjaulada
não posso escapar.
Eu já disse
mas vou repetir
quem te adora
é esse corpo
pois a alma
anda a procurar
um toque
que ultrapassa
a pele.
É um jeito
certo de amor
que a paixão
não soube
interpretar.

Já te disse.
Ferina * Karolina B

09 maio 2011

LIÇÕES

Aprendi a não confiar,
não dar um passo
sem antes ver onde vou pisar,
aprendi a desconfiar
do que me dizem,
principalmente
quando bem me tratam,
e se estão à distância
e não posso olhar nos olhos.
Aprendi que as pessoas
são do jeito que são,
e que devo olha-las
com os olhos atentos
e não com o coração distraído.
Esqueci de aprender
a não gostar de você,
talvez por você ser
exatamente do jeito que é,
igual a tantos,
e ao mesmo tempo,
único, sem igual.
.
Suely Ribella © 

05 maio 2011

FINALMENTE A PAZ


procurei e não achei
o rasto dos dias da inocência
a chama das tardes mornas
as promessas de chuva
e não te vi mais
talvez nunca tenhas existido
ou talvez eu tenha sonhado
os dias agora são calmos
a água corre e purifica
o meu corpo agora renascido
não te procuro mais
deixei o vento levar as folhas mortas
e os jardins parecem mais limpos
vesti-me de branco
levantei os braços e olhei os céus
alguém lá em cima me sorrio
decretou o fim do luto
deixou-me espreitar pelas janelas
para as ruas apinhadas de cheiros e sabores
abriu-me as portas para poder partir
e aqui cheguei finalmente
ao calor do teu colo
deixa-me agora sonhar



Atit Ordep



Foto de Alexandre Grand

01 maio 2011

A NOSSA MÚSICA



Agora eu vejo
a nossa música
não parece
ser sobre nós
e eu me lembro
pesaroso
que o nosso amor
mais afinado
na voz de outro
dentro do rádio
podia ouvir.
Ainda me lembro
o que sentia
além do tempo
depois de tudo
a mais ousada
sempre a mais bela
vou dizer, "era"
a nossa música.

Ferina * Karolina B

27 abril 2011

SUA AUSÊNCIA


Sua ausência me incomoda,
me maltrata, quase mata...
Não sei mais viver
desse jeito assim,
com você longe de mim,
sem você perto de mim...
.
Suely Ribella ©

23 abril 2011

NÃO VALE A PENA


Estou começando a achar
que não vale nada amar.

Estou pensando seriamente
como deixar de ser decente.

Quase morri de tanto amor,
que de nada valeu:
ficou somente a dor.

Você não sabe o valor
de ter tido um dia
o meu amor.

Estou tornando-me cínica.
Quero ser igual a você.

Nada mais quero sentir.
Nada mais quero de ti.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina Izil


19 abril 2011

SEM NADA



Ando
Sem rumo
Sem rimas
Sem risos
Sem perguntas
Sem respostas
Sem notar
Sem ser vista
Apagada
Desanimada
Desiludida
Amargurada
Só porque...
você me deixou.
.
Artesãdaspalavras/izilgallu

Ferina izil


15 abril 2011

RETIRO

Nem sempre a tal solidão
é a pior companhia,
por vezes, o coração
só pede paz e alegria.
.
Suely Ribella ©

11 abril 2011

COMO ESCOLHER?


Estou na zona
entre a loucura
e o inferno.

Posso escolher
para onde quero ir.

Tenho opções:

enlouqueço de vez
ou entro na escuridão
e me isolo do mundo.

De qualquer maneira,
as escolhas que tenho
não são boas.

Na loucura,
ainda posso falar
com as paredes,
com as visões.

Posso pensar alto,
reclamar.

Posso me matar.
Ninguém vai mesmo ligar,
pois, afinal,
estou louca.

No inferno,
não sei como será.

Talvez igual aqui.
Ou talvez
igual à loucura.

Ou sem saída.

Vamos esperar
para ver.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu



07 abril 2011

SAIR SEM ADEUS












Você nem me disse adeus.

Nem foi preciso,
pois teus gestos
já demonstravam.

Eu sabia
que o amor não existia.
Só persisti por desespero,
por solidão.

É forte a coragem
de uma mulher
para ainda tentar.

Em contrapartida,
pode ser maior
a covardia de um homem
para simplesmente partir.

Quando não há
amor verdadeiro,
é mais fácil sair
sem dizer adeus.

.
Ferina izil

Artesãdaspalavras | izilgallu

30 março 2011

ENCONTRO (DEIXE QUE A NEBLINA PASSE)



hoje acabou
o fim de uma tortura
um sonho repetido
que me alucinava
quantas noites
sonhei o mesmo
que te procurava
e meu coração
com choro e grito
me acordava
assim, tão aflita
mas hoje
finalmente consegui
no meu sonho
não mais o procurava
eu te encontrei
e depois desse tempo
pouco eu tinha
pra dizer
te ver foi o bastante.

ferina * Karolina B

26 março 2011

MORRI



Preciso ressuscitar.
Estou meio morta.

Morta para o amor.

Apagaram-se todos
os sentimentos
que um dia senti.

Enquanto me arrastava
vida afora,

os sentimentos
foram caindo,
sangrando,
morrendo,
se apagando.

Estou assim:

vazia.

Sem nada por dentro,
sem nada por fora.

Nem lágrimas,
nem sorrisos.

Estou morta.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina izil

22 março 2011

DESCONTENTE


O meu tempo
não tem graça
e passou a ser
apenas tempo
que passa...
Já não sei mais
quando é noite
ou quando é dia,
vivo indiferente
nesta melancolia
sem querer esperar
nem me enganar...
Sorrio tristezas,
choro dúvidas,
respiro incertezas,
suspiro gemidos
incontidos
de dor, de saudade,
de infelicidade...
.
Suely Ribella ©

18 março 2011

REBELDES SEM CAUSA



Deus abençoe os coraçoes
de gente que luta sem causa
da vida colhemos espinhos
nossas plantaçoes não vingam
a seca de amor permanece
nossa peleja é incerta
na luta contra o invisível
sem armaduras e corpo fraco
castigados pelo grande sol
os guerreiros pobres coitados
lutando contra a própria sombra
a única visão dessa vida
é o reflexo do rosto na espada
Deus abençoe os corações
de gente que luta sem causa

Ferina * Karolina B
.

14 março 2011

FINJO NÃO TE VER


passei por ti
e coloquei a minha máscara distância
fugi de ti
e coloquei o meu passo acelerado… fingido

olhei para trás
pelo canto do olho
e consegui ver todo o universo
no teu rosto indiferente… interessado

falámos no silêncio da passagem
como sempre o fizemos
e trocámos beijos fingidos… desejados

seguimos caminhos diferentes
incertos e insignificantes
e encontramo-nos no fim da estrada
olho nos teus olhos de revés… frontalmente

uma lágrima ressequida
resvala no fingimento da saudade… real

abraço a tua sombra ao virar da esquina
e soletro o teu nome num sussurro doce
sei que ouves este grito… mudo

e no fim deste caminho desencontrado
fica um amor ausente… presente

todo o amor contido explode
aquando da passagem efémera
de uma troca de olhares… desviados



Atit Ordep



Foto de Pedro Cabral

10 março 2011

O QUE FAÇO?!

Se tu não vens, o que faço?!
Se anseio por teu abraço,
corpo quente, beijo ardente,
não quero tempo, nem espaço
para abrigar outro amor,
se morro sem teu calor,
se tu não vens, o que faço?!
.
Suely Ribella ©

06 março 2011

O AMOR NA TRINCHEIRA



É difícil admitir
mas foi a guerra
que eu perdi
nas batalhas perdidas
pra você e para mim

Um soldado abatido
sem honras desse amor
minhas armadilhas
foram desativadas
e as minhas armas
hoje são brinquedos
nas suas mãos

Não adianta insistir
na espera de um resgate
pois meu coração reconhece
que esse é o nosso fim
Sempre estivemos
de lados opostos
e como inimigos declarados
só podíamos terminar assim

E se um dia
na fronteira te encontrar
não pense duas vezes
me faça de alvo
mire bem e acerte
não me poupe

Pois nessa guerra
de mil e um extremos
entenda
eu mesma me machuco
pra não ter
que te ferir

Ferina * Karolina B

02 março 2011

AA (AMANTES ANÓNIMOS)


meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não disse que te amo
embora o tenha pensado mil vezes
resisto cada dia que passo sem ti
e evito o teu nome na minha boca

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não te beijei apaixonadamente
embora tenha sentido essa vontade
resisto a salivar de desejo incontido
e evito o contacto com os teus lábios

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não olhei para ti
embora te tenha visto nos meus sonhos
resisto a procurar os teus olhos
e evito a cegueira da paixão

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não palmilhei o teu corpo
embora adivinhe o que esconde a neblina
resisto a desapertar esses botões de marfim
e evito arder na fogueira do pecado

meu nome é Atit Ordep
e sou um amante

hoje ainda não amei



Atit Ordep



Foto de João Paulo Redondo